09 de julho de 2026
Geral

Aids tem menor incidência em 10 anos

Por Bruna Dias | Com Redação
| Tempo de leitura: 5 min

Hoje, Dia Mundial de Prevenção à Aids/HIV (síndrome da imunodeficiência adquirida), Bauru comemora um marco histórico, o menor índice de casos registrados nos últimos dez anos - de 2000 a 2010 - no município. Números divulgados pela assessoria de imprensa da Prefeitura Municipal de Bauru revelam que a taxa de incidência de casos confirmados em 2009 foi de 19,8 registros para cada 100 mil habitantes, enquanto nos anos anteriores foram de 24,5 em 2008 e 24,8 em 2007 respectivamente (veja quadros).

Neste ano, até outubro foram computados apenas nove casos. Entretanto, a enfermeira Eliane Monteiro, coordenadora do Programa Municipal de Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST/Aids), faz ressalvas sobre essa estatística.

“Não dá para levar em consideração o ano de 2010 porque foi calculado somente até o mês de outubro e o ano ainda não se encerrou. Esse número pode aumentar bastante, já que existem exames que ainda não foram concluídos”.

Já o secretário municipal da Saúde, Fernando Monti, que também é médico infectologista, concorda que esse número pode crescer, mas afirma que pode ser levado em consideração o dado atual. “Pode se dizer que agora esse é o menor índice dos últimos dez anos. Esse número pode aumentar tanto ainda neste ano quanto no ano de 2011. Tudo depende de exames que ainda faltam ser concluídos e até de mortes suspeitas que estão sendo investigadas. Isso também vale para dados de outros anos”, ponderou.

De acordo com balanço divulgado pela assessoria de imprensa da Prefeitura Municipal, no período de 1984 a 2010 Bauru registrou 2.011 casos de aids, sendo 72,3% - ou 1.453 casos - do sexo masculino e 27,7% (558 casos) entre mulheres.

Conscientização

A acentuada curva decrescente de casos entre os anos de 2006 e 2010 em Bauru mostra que a patologia está deixando de fazer mais vítimas. Mas qual seria o motivo dessa queda brusca? Eliane atribui às campanhas de conscientização do Ministério da Saúde e do governo estadual. Um exemplo disso é a iniciativa “Fique Sabendo”, que tem como objetivo o diagnóstico precoce e também a prevenção.

A coordenadora de projetos da Sociedade de Apoio à Pessoa com Aids de Bauru (Sapab), Márcia Pereira da Silva, acredita que o diagnóstico precoce também contribuiu para a queda significativa do número de casos em Bauru.

“Eu acredito que isso tem diminuído devido ao diagnóstico precoce. A pessoa, sabendo que é portadora, tem condição de optar pelos métodos contraceptivos de barreira, que é o uso dos preservativos”.

A campanha estadual anual está na sua terceira edição e vigorou de 16 a 25 de novembro em Bauru, período em que pacientes puderam realizar testes rápidos de diagnóstico em aproximadamente uma hora.

De acordo com informações colhidas junto à assessoria de imprensa da Prefeitura Municipal, nesse período foram realizados 70 testes rápidos e 444 testes convencionais que demandam um pouco mais de tempo para emitir o resultado.

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Programação

Hoje, a Unidade de Saúde da Família (USF) do bairro Santa Edwirges em Bauru, realiza testes de HIV gratuitos das 17h às 19h. Também haverá coleta no campus da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru das 8h às 11h e das 14h às 17h.

A Sociedade de Apoio à Pessoa com Aids de Bauru (Sapab) estará no Calçadão da cidade divulgando a campanha “Por uma vida sem preconceito. Abrace essa causa” desmistificando o preconceito contra os aidéticos, distribuindo panfletos e preservativos.

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Faixa etária mais preocupante é formada

pelos adolescentes, destaca enfermeira

A faixa etária que mais preocupa no que diz respeito à aids é a de 13 a 19 anos. Segundo a enfermeira Eliane Monteiro, coordenadora do Programa Municipal de Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST/Aids), estudo feito pelo Ministério da Saúde revelou que comportamentos casuais somam mais casos da doença.

“Se você olhar essa faixa etária, o número de mulheres infectadas já passou o de homens. Por eles não possuírem parceiros fixos, ou seja, mais casuais, eles somam mais casos da doença. E o estudo também revelou que 40% desses não usam preservativos”, afirmou a enfermeira.

Em matéria recente, o Jornal da Cidade divulgou a preocupação do setor de Saúde com relação a adolescentes de baixa renda que se prostituem para conseguir droga e, assim, sustentar o vício. Na ocasião, a médica infectologista Maristela Pastore, que também é chefe do Centro de Referência de Moléstias Infecciosas de Bauru, falou sobre o assunto.

“O uso do crack tem levado muitos adolescentes a “abrir as portas” para a aids novamente. Nós sabemos que muitas adolescentes que não possuem poder aquisitivo se prostituem para conseguir a droga”, afirmou Maristela.

Eliane Monteiro revela que professores da rede estadual e de algumas escolas municipais do bairro Santa Edwirges já contam com um programa de orientação contra a aids oferecido aos jovens estudantes desde o início desse ano.

“Este ano nós fizemos a capacitação dos professores para que eles trabalhem o tema aids em sala de aula. Em 2011 nós estamos programando algo mais voltado ao adolescente, como por exemplo, teatro e palestras. Os professores capacitados trabalharão continuamente com esses adolescentes. Nós temos percebido uma ótima aceitação desses estudantes com a nossa ação”, opinou.

Em Bauru, o atendimento especializado, da rede municipal de saúde, referente à HIV (TRD-HIV) é realizado nos Centros de Testagem e Aconselhamento (CTA) e de Referência em Moléstias Infecciosas que garantem a privacidade e sigilo das informações obtidas.

• Serviço

O Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA), fica na rua Quinze de Novembro, 3-36, Altos da Cidade em Bauru. O local funciona de segunda a sexta-feira das 8h às 17h. Outras informações podem ser adquiridas através do telefone (14) 3234-2576.

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Mortalidade é a menor em 20 anos no Estado

Segundo o boletim epidemiológico sobre a aids produzido pela Secretaria de Estado da Saúde, com base em dados fornecidos pela Fundação Seade, a taxa de mortalidade por aids no Estado registrou seu menor índice dos últimos 20 anos até o final de 2009 com 7,8 óbitos por 100 mil habitantes.

Este número só havia sido menor em 1989, época em que a doença estava em pleno avanço, com 5,5 mortes por 100 mil habitantes. A pior taxa, de 22,9, foi registrada em 1995.