Aproximadamente 40 minutos. Esse curto tempo de chuvas fortes foi o suficiente para causar os estragos que o prefeito Rodrigo Agostinho garantiu exigir uma verdadeira “operação de guerra” para recuperar. Inclusive, ele alerta para que a avenida Nações Unidas, uma das principais vias da cidade, não seja utilizada hoje.
O prefeito, juntamente com outros secretários da administração, percorreu Bauru logo após a chuva cessar e encontrou o município bastante afetado, porém, afirmou que não será decretado estado de calamidade.
“A avenida Nações Unidas foi amplamente destruída. O asfalto, a tubulação, muita coisa ficou danificada. Amanhã (hoje), a recomendação é de que evitem a via, pois, muitos lugares estarão interditados”, alerta.
O presidente da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb), Nico Mondelli, também visitou a Nações e afirmou que a chuva foi uma das maiores já vistas. “Geralmente, a avenida alaga até a área da ferrovia, porém, hoje, ela ultrapassou esse ponto. Além da ferrovia, a água chegou a subir 1,5 metro de altura. O volume de água foi impressionante”.
A reportagem andou pela avenida e realmente constatou um estado de caos. Vários carros batidos eram guinchados e grande parte do asfalto estava destruído. Apesar de danos em toda a sua extensão, os maiores foram verificados da quadra 10 para baixo.
O prefeito Agostinho apontou que a previsão para que a via seja reformada por completo é de aproximadamente 15 dias.
Segundo ele, além da Nações, outros dois pontos foram cenários de alagamento preocupantes. “A Comendador José da Silva Martha e a avenida Alfredo Maia também ficaram muito inundadas e preocuparam”.
Entretanto, Agostinho apontou que o maior prejuízo financeiro foi no Jardim Guadalajara, onde uma ponte que funcionava como passagem de acesso foi arrastada pelas chuvas. “A tubulação não rodou, porém, toda a estrutura sim. Foi um grande prejuízo em termos financeiros naquele local”.
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Estragos atingiram diferentes bairros
Enquanto a prefeitura irá fazer um levantamento mais completo hoje, o JC conseguiu ter ideia dos estragos pelas várias ligações que chegaram à redação do jornal durante e após as chuvas. Os 27,9 milímetros de água registrados pelo Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) causaram grande devastação por toda a cidade.
Um muro de 20 metros de uma construção foi derrubado pela força da chuva na quadra 6 da rua Maceió. A Defesa Civil de Bauru afirmou que não houve vítima. O mesmo ocorreu na quadra 12 da rua Venezuela, onde a queda de outro muro interditou a via.
Enquanto isso, muitas pessoas reclamavam da água que entrava em grande volume em suas residências. Alguns, por problemas na tubulação, viam o esgoto retornar para dentro de seus lares.
Segundo a Defesa Civil, o mesmo ocorreu com a Maternidade Santa Isabel, fato que preocupa por ser um hospital e necessitar de higienização.
Outro alagamento foi o de um anexo fiscal da prefeitura, localizado na quadra 6 da avenida Cruzeiro do Sul. A preocupação no local era de que a água estragasse alguns processos.
O cruzamento da Rodrigues Alves com a Aureliano Cardia também apresentou problema. Ao contrário de diversos lugares onde abriram-se crateras – como vários pontos da Nações Unidas -, o asfalto do local levantou, impedindo a passagem dos carros.
O trânsito também ficou bastante prejudicado, com congestionamento em diversos pontos. Com isso, até mesmo quem tentava o resgate de possíveis vítimas foi prejudicado. O coordenador da Defesa Civil, Álvaro de Brito, afirmou que demorou meia hora para percorrer cerca de cinco quadras na Duque de Caxias. “Este trajeto eu faço em seis minutos aproximadamente. Teve uma ambulância que estava com pacientes e ficou presa em um alagamento no Vitória Régia. Foi preciso vir outra viatura para ajudar”, afirma.
Entretanto, segundo a Emdurb, os semáforos não foram os responsáveis pelos congestionamentos. “O problema foi o volume de água mesmo. Não houve grandes quedas de energia. Tiveram alguns problemas de semáforos desligados na Duque, porém, foi coisa rápida”, explicou Nico Mondelli, o presidente da empresa municipal.
Segundo ele, equipes de poda e os agentes do trânsito da Emdurb também foram acionados para auxiliar na operação.
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“Nasci de novo”
A proprietária do Corsa vermelho sob o qual Rafael Franco Zontini, 24 anos, ficou preso até morrer afogado também foi vítima do temporal que atingiu Bauru, no início da noite de ontem. Moradora de Agudos, a coordenadora de eventos Camila Novoa, 29 anos, diz ter nascido de novo depois de ficar retida dentro do veículo com água até a altura da cintura, enquanto a enxurrada tomava conta da avenida Nações Unidas.
“Eu estava subindo (sentido Centro-bairro) e já tinha passado a Praça do Líbano, mas daquele ponto em diante não tinha mais como passar, porque a água estava tomando conta de tudo. Então, eu puxei o freio de mão e também fiquei segurando o pedal do freio com o pé, mas a água começou a entrar dentro do carro e eu achei que ia morrer ali”, conta.
Antes que o carro fosse levado pela força da correnteza, funcionários de um posto de combustíveis próximo conseguiram resgatá-la com o auxílio de uma corda. Pouco tempo depois, o Corsa foi arrastado até colidir contra um poste de sinalização instalado na calçada da praça, local de onde Rafael foi retirado sem vida.
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Cidade continua‘sensível’ às chuvas
Em relação às providências, o prefeito Rodrigo Agostinho afirmou que, durante toda a noite, equipes iriam trabalhar na limpeza do município e que um levantamento maior das áreas mais destruídas seria feito hoje. “Precisamos analisar o que realmente foi mais danificado por que foi uma chuva muito desigual. Teve regiões de Bauru que nem sequer choveu. A população precisa ter paciência nessa hora”.
Questionado sobre os grandes efeitos e estragos constantes que as chuvas trazem para Bauru, Rodrigo Agostinho classificou a cidade como “sensível ao problema”. “Bauru foi construída em um fundo de vale e, por isso, é muito sensível ao problema. Estamos tentando amenizar isso. A recomendação é que, quando comece a chover, as pessoas fiquem nas partes altas da cidade”, conclui.