11 de julho de 2026
Geral

Evitar enchente apenas na Nações custa pelo menos R$ 25 milhões

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 4 min

Resolver o problema ao longo da bacia do córrego das Flores, na avenida Nações Unidas, custa ao menos R$ 25 milhões. Este é o custo apresentado pela Prefeitura de Bauru para atacar enchentes ao longo do fundo de vale que corta a principal entrada da cidade.

Mas a cada chuva que arrasa parte da Nações, a população questiona o motivo das enchentes persistirem. De acordo com a prefeitura, implementar todas as melhorias necessárias para a correção da situação também levaria cinco anos para ser completada.

O projeto do plano de enchente da Nações Unidas abrange a transformação do Parque Vitória Régia em uma bacia de contenção, além de aumentar a capacidade de vazão do sistema que recebe a água da cidade que segue para o Córrego das Flores, rio canalizado sob a avenida, e interceptar as águas de alguns bairros para dirigir diretamente ao Rio Bauru.

De acordo com o secretário municipal de Planejamento, Rodrigo Said, o diâmetro da rede que segue do Córrego das Flores até o Rio Bauru, em um trecho de cerca de cinco quilômetros, varia em cada trecho. O secretário explica que, em alguns pontos, a rede suporta apenas um terço da vazão estimada.

Said explica que em 2002 a Seplan elaborou um projeto para resolver as inundações no local. Segundo o secretário, por conta do porte das obras necessárias e os valores para sua execução, frente a outras necessidades da cidade, a proposta foi deixada para o futuro. Said explica que em 2008 a prefeitura chegou a inscrever a obra no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), mas ela não foi aceita pelo governo federal.

Said lembra que a avenida Nações Unidas recebe água de vários bairros da cidade que, em muitos casos, não possuem sistema de drenagem adequado. E mesmo a rede que canaliza o Córrego das Flores e recebe o fluxo de água tem diâmetros variados, conforme o trecho. Ele conta que no pedaço da avenida entre a Duque de Caxias e a Rodrigues Alves o sistema de drenagem é composto por três dutos com um metro e meio de diâmetro cada um. “Esse sistema aguenta uma vazão de 23 metros cúbicos de água por segundo. Mas os cálculos sobre a vazão que a área recebe, que é sempre feito em cima do cenário mais grave, é de 51 metros cúbicos por segundo. Ou seja, são 27 metros cúbicos por segundo que vão passar por cima da avenida”, pontua.

Vazão e tubulação

A diferença entre o cálculo de vazão previsto e a capacidade da rede continua em outros trechos e de forma mais acentuada. Na área da Nações Unidas entre a rua Aviador Gomes Ribeiro e a avenida Duque de Caixas, o sistema de drenagem foi construído para suportar vazão de 16 metros cúbicos por segundo. “E no local o cálculo é que em dias de chuva grave chega a 45 metros cúbicos por segundo. Ou seja, dois terços do que deveria ser drenado vão para a superfície da Nações”, pontua Said.

A rede de drenagem da avenida tem mais de 30 anos de idade. Para o secretário, uma das hipóteses é que na época não foi levada em consideração que a cidade pudesse crescer tanto e de maneira tão rápida nessa região. Para resolver o problema, ele explica que é necessário aumentar a capacidade de drenagem da bacia que do Córrego das Flores.

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Espera de verbas

Para o secretário, a execução das obras depende de parcerias com os governos federal e estadual. “Acredito que dentro de um ano e meio podemos ter algum avanço nesse sentido, para darmos início a essa obra”, avalia. Said acredita que o projeto elaborado pela pasta está bem desenvolvido. “Talvez seja preciso fazer algumas atualizações”, avalia.

Para Eliseu Areco Neto, secretário Municipal de Obras, uma intervenção dessa envergadura levaria até cinco anos para ser concluída. “Será preciso fazer interdições, desviar trânsito. Algumas ruas poderão ser abertas”, observa.

O secretário pondera que para amenizar esse impacto, a obra poderia ser feita no sentido a partir do Rio Bauru, seguindo em direção ao Parque Vitória Régia.

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Projeto de galerias

Outra frente do projeto para atacar a enchente na bacia da Nações Unidas é implantar um sistema de galerias para impedir que a água chegue ao local. Para isso, seriam implementadas tubulações para captar esse volume e direcioná-lo diretamente ao Rio Bauru, onde o Córrego das Flores deságua.

Além de investimentos nessa rede, o projeto da Seplan contempla a criação de uma bacia de contenção no Parque Vitória Régia. “O lago teria um perímetro alagável maior da que o atual para auxiliar na contenção do volume de água que vem de alguns bairros, como o Jardim Aeroporto e o Jardim panorama”, explica o secretário Rodrigo Said.

Além disso, o valor proposto pela obra também contemplaria a instalação de galerias em alguns bairros que ainda não possuem o sistema. De acordo com Said, o déficit de galerias da área da cidade que integra a bacia do Córrego das Flores é de 38 quilômetros.

O secretário avalia que a impermeabilização da região contribuiu para o agravamento da situação ao longo dos anos. “O que antes era infiltrado, agora vai para o córrego. Não só na pavimentação, calçadas, mas também nos quintais das residências que hoje são em sua maioria cimentados”, observa.