Os estragos causados anteontem pela força da água deixaram um dos principais cartões postais de Bauru irreconhecível, além de pontos em diferentes bairros. Quem passou pelas quadras 6, 7, 8, 9 e 10, da avenida Nações Unidas, além de outros trechos, encontrou a pista interditada e em obras iniciais de recuperação. O local parece um cenário de guerra: o asfalto ficou em pedaços, crateras foram abertas, placas de sinalização ficaram danificas e jardins e canteiros foram destruídos.
A avenida foi a que mais sofreu com a força da enxurrada do início da noite de terça-feira. Somente em sua extensão o Corpo de Bombeiros registrou 15 casos, onde as viaturas da corporação ficaram concentradas no atendimento de ocorrências. De acordo com a meteorologista Rita Cerqueira Lopes, do Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet/Unesp) de Bauru, a precipitação registrada anteontem, que iniciou por volta das 18h40 e durou quase uma hora, chegou a atingir um volume de 27,9 milímetros, índice que caracteriza chuva forte.
Outros bairros da zona sul e da área central foram vitimados. Dezenas de pessoas tiveram perdas materiais, como os carros que foram arrastados pela correnteza. O transtorno era visível entre comerciantes e em órgãos públicos. Um grupo de representantes de seguradoras de veículos se reuniu para tomar a iniciativa de agilizar a liberação de indenizações por perda total, sobretudo em relação a carros atingidos pelo temporal na Nações Unidas.
“Decidimos dispensar a avaliação de carros que foram alagados até a metade e, automaticamente, estamos considerando que houve perda total. Com isso, nossa intenção é minimizar o sofrimento desses proprietários”, afirma Primo Mangialardo, dono de uma empresa de seguros da cidade. Segundo ele, somente ontem, o seguro de 30 carros haviam sido acionados em Bauru por conta do temporal.
Ontem pela manhã, caminhões e tratores faziam os primeiros reparos na avenida e policiais de trânsito monitoravam a passagem de veículos. Mas a orientação não seguiu durante boa parte da tarde, o que gerou reclamação de moradores.
Prejuízos
Comerciantes começaram a limpar seus estabelecimentos e a contabilizar os prejuízos. Em uma concessionária de veículos da quadra 9 da Nações, a diretora Adriana Ferrara Munchenbach ajudava, ainda ontem, a retirar parte da água ainda acumulada no interior da loja. “A água não entrou para dentro dos veículos que ficam expostos na loja por pura sorte, já que a água não chegou a subir mais”, comentou.
De acordo com a comerciante, a água que invadiu o estabelecimento chegou a atingir uma altura de 30 centímetros. O prejuízo da loja foi de aproximadamente R$ 20 mil. “Nunca havia passado por um prejuízo dessa magnitude por causa da chuva. Foram queimados quatro computadores, nossa instalação elétrica foi prejudicada, piso de madeira e material publicitário foram perdidos, entre outros equipamentos e objetos”, disse.
O movimento de clientes foi prejudicado por causa da interdição das pistas e do alagamento parcial na loja. “Vamos ainda ter perdas por deixar de vender em função desse incidente”, alegou.
Adriana analisa, do ponto de vista comercial, que a avenida acaba se tornando um ponto preocupante e de risco em épocas de chuvas. “As medidas têm de ser tomadas de forma rápida, é preciso fazer obras de escoamento de água. Com a aproximação do verão, deveríamos ficar animados com as vendas, mas ficamos, na verdade, assustados, se perguntando o que poderá acontecer quando a próxima chuva vier”, frisou.
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Perda total
Vários motoristas que foram surpreendidos com a chuva anteontem perderam seus veículos, que foram arrastados, caíram em buracos ou foram totalmente cobertos pela correnteza. Um homem de 68 anos relatou à Policia Militar (PM) que tentou sair correndo para salvar seu VW Gol que estava sendo levado pela forte precipitação.
De acordo com a PM, a vítima chegou a se agarrar em um poste ao lado da Base de Trânsito na avenida Nações Unidas, correndo risco de ser levada pela enxurrada. Policiais correram para salvar o idoso, trazendo-o de volta para um local seguro.
A vítima apresentou algumas escoriações e recebeu atendimento médico. Procurado para comentar o episódio pelo Jornal da Cidade, o homem, muito abalado, minimizou que está bem e que seu veículo teve perda total.
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Estragos exigiram mudança de trajeto
Por causa dos estragos, parte da população que transita pelas vias danificadas precisou mudar seu trajeto normal, o que está exigindo readaptação. É o caso de moradores que residem próximos a uma ponte do Jardim Guadalajara, que desmoronou. O local funcionava como passagem de acesso rápido para a avenida Rodrigues Alves.
O aposentado Rubens Sacardo, de 70 anos, por pouco não vira uma vítima com a queda da ponte. “Eu havia acabado de passar e poucos minutos depois, ela desabou”, conta. Segundo Rubens, a passagem facilitava bastante o trajeto, encurtando os caminhos. “Agora, tem que dar uma volta enorme”, diz.
Outro morador conta que teve de dobrar o tempo para cumprir sua rota até o Sesc, onde costuma ir. “Antes, quando passava pela ponte, demorava no máximo uns 10 minutos para chegar até lá. Agora, demoro no mínimo 20 minutos, quando vou de carro. A pé demora muito mais”, relata Raul Piola, 76 anos. Ele ainda conta que não é a primeira vez que a estrutura cai. “Esperamos que o prefeito nos ajude”, pede.
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Órgãos públicos param
Alguns locais de atendimento público, como o Instituto Médico Legal (IML), na avenida Nações Unidas, e o Plantão Policial, que fica na praça Dom Pedro 2, na área central, ficaram com os serviços prejudicados devido aos estragos com a invasão da água da chuva.
No IML, os funcionários estavam parados e sem saber o que fazer com a quantidade de barro e lama que se acumulou em todos os cômodos da entidade. As atividades ficaram suspensas.
Já o Plantão Policial também fechou as portas, transferindo o atendimento para a rua Rafael Mercadante, quadra 2-56, na Vila Mariana, até que os devidos reparos e limpeza possam ser concluídos. Ontem, um caminhão do Departamento de Água e Esgoto (DAE) retirava grande quantidade de terra que obstruía o estacionamento da delegacia.
Algumas unidades escolares, como a Escola Municipal de Ensino Fundamental (Emef) Rosângela Vieira Martins de Carvalho, no Parque Camélias, ficaram parcialmente inundadas. A chuva ainda causou pane em linhas telefônicas, como da Polícia Ambiental, que ficou sem receber ou realizar ligações.