Rio - O presidente Lula assinou autorização para a permanência das Forças Armadas no Rio de Janeiro, em atendimento ao pedido do governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral Filho (PMDB). O texto do presidente não explicita por quanto tempo os militares permanecerão atuando como uma força pacificadora nos complexos do Alemão e da Penha. Apesar disso, o prazo poderá se estender até outubro de 2011, como foi pedido por Cabral. Pelo menos dois mil homens serão destacados para a missão. A autorização presidencial será publicada no Diário Oficial da União de hoje.
As favelas do complexo do Alemão e da Vila Cruzeiro, no Rio, que até a semana passada pertenciam ao tráfico, passarão a ser patrulhadas pelo Exército nos moldes de que ocorre Haiti, com a chamada “Força de Paz”. Até o preparo para evitar a “contaminação” da tropa será o mesmo utilizado com os homens que foram para a América Central.
Esta será a primeira vez, após a redemocratização, que o Exército atuará nas ruas com poder de polícia. De acordo com o órgão, essa força de pacificação será empregada numa segunda etapa da operação, que pode ocorrer ainda neste ano.
A primeira fase da ocupação será concluída, segundo o comandante do Exército, general Enzo Peri, quando o trabalho da polícia, que ainda procura por traficantes, armas e drogas, for concluído. Não há uma definição de quando isso irá ocorrer. A previsão do governo do Rio é que o Exército fique por cerca de sete meses, até que sejam implantadas nessas favelas as Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs).
De acordo com o comando do Exército, ainda faltam algumas questões legais para que o órgão possa realizar trabalho policial. Uma delas é a diretriz por parte do Ministério da Defesa dos moldes da ocupação.
Ontem, os cerca de 800 militares que participam da ocupação fazem o cerco e a revista de pessoas. Mas eles chegaram a trocar tiros com os traficantes, o que feriu um militar na perna. A partir da segunda fase, os homens do Exército subirão o morro para fazer a segurança da população com patrulhamentos.