Cairo - O presidente do Egito consideraria transformar seu país em uma potência nuclear se o Irã conseguisse armas atômicas, revelam telegramas diplomáticos americanos vazados pelo site WikiLeaks.
O crescente programa nuclear iraniano causa temor na região e vários países árabes expressaram sua preocupação aos EUA, inclusive dando apoio a ataques militares. Os EUA e potências ocidentais acusam o Irã de querer desenvolver armas nucleares, mas Teerã defende que tem finalidades meramente pacíficas. Um telegrama de maio de 2008 conta que o presidente Hosni Mubarak disse à delegação do Congresso americano que todos na região estavam “aterrorizados” com a possibilidade de um Irã nuclear. “O Egito pode ser forçado a começar seu próprio programa nuclear se o Irã tiver sucesso nesses esforços”, afirma um telegrama, relatando um encontro entre Mubarak e a delegação, nos bastidores do Fórum Econômico Mundial em Sharm el Sheikh.
O chefe do serviço de inteligência egípcio, Omar Suleiman, porém, alertou contra ataques militares contra o Irã no mesmo encontro, segundo o telegrama. Ele alegou que tal ataque não apenas deixaria a capacidade nuclear de Teerã intacta, mas uniria o povo iraniano contra os EUA. Em vez disso, ele sugeriu sanções.
Relações tensas
Em um encontro quase um ano depois com o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas dos EUA, almirante Michael Mullen, Suleiman não volta atrás ao descrever o Irã como uma ameaça à região toda. Em um telegrama de abril de 2009, ele descreveu o Irã como “muito ativo” no Egito, tentando recrutar insurgentes e infiltrar armas e dinheiro para a faixa de Gaza - ações que ele garante que o Egito combate com sucesso.