Brasília - O presidente Lula disse ontem que já sabe o que irá fazer em relação à extradição do italiano Cesare Battisti, apesar de dizer que ainda depende de um parecer da Advocacia-Geral da União para encerrar o caso. Lula disse que não pretende deixar a decisão para a sucessora, Dilma Rousseff. A tendência é que Lula autorize a permanência no Brasil do italiano, considerado terrorista em seu país.
Ele foi condenado à prisão perpétua na Itália, por quatro assassinatos. Battisti, que nega os crimes, está preso no Brasil desde 2007.
“Espero que o meu advogado-geral possa me apresentar a proposta da decisão antes de terminar o meu mandato. Não gostaria de deixar esse assunto para a companheira Dilma tomar a decisão em janeiro ou fevereiro. Preferia eu tomar a decisão”, disse.
Em entrevista a jornalistas estrangeiros, o presidente, que elogiou a cobertura da mídia internacional em relação ao Brasil, contou que tinha medo de repetir a experiência do sindicalista Lech Walesa, que chegou ao poder na Polônia, mas não obteve sucesso. “Deitava com a Marisa e ficava assustado. Eu falava: nós não podemos errar. Nós vamos ter que trabalhar porque se a gente errar, nunca mais um trabalhador vai poder ser presidente.”
A menos de um mês de deixar o governo, o presidente Lula afirmou ontem que o “momento mágico” de prosperidade que o País vive vai continuar sob a liderança da presidente eleita Dilma Rousseff, mas não demonstrou a mesma confiança em termos de futuras reformas econômicas.
Segundo Lula, os grandes investimentos nos próximos anos em infraestrutura e no setor petrolífero são as melhores garantias de que o Brasil vai continuar forte depois que Dilma assumir.