08 de julho de 2026
Geral

Concepções sob constante mudança

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 2 min

Os modelos mentais estão, naturalmente, em constante transformação. Trata-se de algo dinâmico. Através da interação com o meio, as pessoas vão reformulando suas concepções e isso é fundamental para viver em um mundo também em constante mudança. O psicólogo Romeu Mira de Assumpção cita como exemplos o homossexualismo e o papel da mulher na sociedade. Ele lembra que, até recentemente, o homossexualismo era um tabu e as mulheres viviam em casa cuidando do lar e dos filhos. Hoje, a realidade é outra.

Os homossexuais estão assumindo sua escolha com mais naturalidade e são aceitos com mais facilidade, embora o preconceito continue vigente. E as mulheres entraram de vez no mercado de trabalho e, cada vez mais, ocupam espaço que até então era uma exclusividade dos homens, a eleição inédita de uma mulher para governar o País é uma demonstração clara disso. Em função dessas mudanças, os modelos mentais vão sendo revistos e atualizados ou, pelo menos, deveriam ser.

Segundo a professora Carmen Maria Bueno Neme, do Departamento de Psicologia da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru, é perfeitamente possível mudar os modelos mentais, caso a pessoa note que os mesmos estão lhe causando embaraços e estagnação profissional. Mas primeiro, é preciso ter consciência de que se está sendo controlado por determinados modelos.

A partir do momento que o indivíduo identifica a necessidade de mudar, ele precisa lidar tanto com o pensamento quanto com as emoções. Isso porque, segundo a professora, os modelos não ficam apenas no pensamento. Eles interferem também nas emoções.

“Eu vou sentir as coisas de acordo com aquilo que eu penso. Por exemplo, quando penso que não sou importante, que importante são os outros. Quando penso assim, é possível que o sentimento seja de raiva, medo ou tristeza”, explica Carmen.

Segundo ela, há pessoas que desenvolvem padrões negativos porque cresceram em uma família que sempre espera o pior, nunca confia em ninguém, acredita que tudo sempre vai dar errado.

“É uma massa que vai se moldando desde a infância. Em alguns aspectos, até antes da criança nascer, porque as famílias têm padrões que se perpetuam através das gerações. Por isso, tem de identificar de onde vem os modelos. Se veio da minha avó ou do meu pai, que fique com eles para que eu possa fazer novas escolhas para a minha vida.”