No extremo norte do mundo, vive um senhor simpático e de barba tão branca quanto a neve do lugar que habita. Todo fim de ano, vestido de vermelho e puxado por um trenó de renas mágicas, ele sai distribuindo presentes para as crianças que tiveram bom comportamento. Mas, afinal, Papai Noel existe ou não? O passar dos anos e a dura realidade diária fazem as pessoas garantirem que o famoso “Bom Velhinho” é só um mito para que as crianças se comportem bem durante o ano. Entretanto, por algumas horas ontem, os bauruenses, independentemente da idade, puderam dizer com toda certeza: “Papai Noel realmente existe”. (Leia mais na página 13)
Este ato mágico foi possível com a Super Parada de Natal JC. O desfile, que já está em sua 8ª edição, integra a campanha “Natal Tamanho Família JC - Um Espetáculo de Natal”, que é realizada pelo Grupo Cidade com patrocínio da CPFL Paulista e da Associação das Empresas de Transporte Coletivo Urbano de Passageiros de Bauru (Transurb). A realização ainda conta com a parceria do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), Prefeitura Municipal de Bauru, Bebidas Fernandes, Mult Service, Bauru Painéis, Rádio Auri-Verde e 96 FM. As secretarias municipais de Cultura, Bem-Estar Social e Desenvolvimento Econômico também apoiam a campanha.
Pouco antes do desfile sair pela cidade, a expectativa era grande. Várias famílias aguardavam ansiosamente na quadra 11 da avenida Getúlio Vargas, de onde os carros partiram. Uma dessas famílias era a do garoto Rafael Fernandes, 6 anos. Ele batia palmas a todo momento com a movimentação.
Rafael é portador de deficiência mental e os pais garantem que, além de encantadora pela beleza, a Parada é uma importante forma de inclusão. “É um dia em que ele acaba se socializando. Já é o terceiro ano seguido que o trazemos e é uma ótima maneira de integração. Só porque ele é especial, não significa que tenha que ficar trancado dentro de casa. Ele fica encantado com tudo e muito ansioso antes de começar”, afirma Silvio Fernandes, 44 anos, pai de Rafael.
Quando os carros deram início ao desfile, tal ansiedade logo se transformou em admiração. Levados ao som da banda do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e de músicas tradicionais natalinas, a criançada corria e acenava para o Papai Noel “em carne e osso”, que distribuía balas, e ao Papai Noel gigante do JC.
Os irmãos Jordano e Lorenzo Gazoli, respectivamente com 9 e 4 anos, pularam bastante na passagem do Bom Velhinho. Lorenzo até foi preparado. Ele levou uma sacolinha para guardar as balas que eram distribuídas. “Eu gosto muito. Adoro o Papai Noel e trouxe esse saquinho para levar os doces para casa”, disparou o garoto muito empolgado.
Entretanto, a Super Parada de Natal JC não agradou exclusivamente as crianças. Por onde passava, os olhares evidenciavam que o clima do encanto natalino estava instalado. E foi isso que confirmou o casal Edgar e Valderez Lisboa.
Ele, com 60 anos, conta que presencia toda edição da Parada e que clima natalino não tem idade. Já Valderez, com 52, afirma que adora a passagem da banda do Senai. “Eu acho que o Natal começa agora. O clima de verdade se inicia com essa Parada. Eu acho tudo muito lindo, principalmente o pessoal da banda.”
Após percorrer a avenida Getúlio Vargas, o desfile passou pela rua Gustavo Maciel e seguiu em direção à avenida Rodrigues Alves, onde os carros se dispersaram. Entretanto, o Papai Noel seguiu pela Praça Machado de Mello, percorreu o Calçadão da Batista de Carvalho e, finalmente, chegou à Praça Rui Barbosa, onde houve o encerramento da Super Parada com a Banda Sinfônica Municipal de Bauru, sob a regência do maestro Roberto Vergílio Soares.
Porém, antes de terminar, foram distribuídos balões personalizados do JC, pipoca e sorvete. Neste momento, a criançada se aglomerou em volta do Papai Noel e, se alguém ainda não acreditasse no Bom Velhinho, ao ver aquela cena teria a absoluta certeza de que ele existe.
“A alegria dessa criançada é o que me faz vir aqui. Ou melhor, a alegria de todos. Digo todos porque as pessoas de mais idade também acreditam e gostam muito do Papai Noel. É gratificante”, afirma o próprio Bom Velhinho.
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‘Eu pensei que todo mundo fosse filho de Papai Noel...’
No meio de todas as crianças eufóricas na Praça Rui Barbosa, Ana Beatriz Oliveira Fermino, 9 anos, abraçava o Papai Noel com bastante carinho. Porém, ela tem um motivo a mais para isso: o Bom Velhinho também é o próprio pai da garota.
Ela relata que o fato é muito bom, principalmente na hora de ganhar presentes. “Por ele ser meu pai, eu ganho mais presentes, né?”, brinca.
Entretanto, apesar da brincadeira, Ana Paula Fermino, mãe de Ana Beatriz, garante que a garota não economiza ao pedir ao seu “pai Noel”. “Ela pediu um notebook esse ano de presente de Natal”, conta.
Questionada se o pedido da garota seria realizado, a mãe não quis revelar a surpresa, mas com o sorriso que soltou, Ana Beatriz pode ficar otimista. “Ah, eu acho que ele vai atender. Afinal, ela é uma filha Noel também”, termina.
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‘Noéis’ de todas as idades
Enquanto o Papai Noel distribuía doces para a criançada durante a Super Parada JC, duas “figuras” acabaram chamando a atenção dos presentes. Richard Gabriel Rienda, de apenas 4 anos, fazia o serviço inverso da maioria das crianças. Vestido à caráter como o Bom Velhinho, ao invés de pegar doces, ele os distribuía.
E não foi preciso ir longe para descobrir os motivos e a vocação do pequeno Richard. Seu avô, Manuel Alves Seabra, 70 anos, já vestiu a famosa roupa vermelha por vários anos e fez a alegria da garotada. “Eu trabalhei oito anos como Papai Noel. O que mais gostava é de ver o olhar de felicidade e encanto dessas crianças. Morro de saudades e tenho muita vontade de voltar”, afirma.
Ele conta que seu neto insistiu para que a avó confeccionasse a roupa e que não perde a Parada de Natal do JC. “Ele gosta muito. Vejo que ele se sente o verdadeiro Papai Noel. Eu, que já senti isso, sei a alegria que ele está sentindo. Acho que ele tem vocação para o serviço”, exclama o avô, todo orgulhoso e esperançoso de que cresça um novo “Noel” na família.
Com isso, formou-se um fenômeno interessante. Ao lado do Papai Noel estavam o antigo e, provavelmente, o próximo Bom Velhinho. Com tantos “Noéis” assim, fica quase impossível dizer que a figura não exista.