Fruto da imaginação, história “de pescador” ou até mesmo resultado de nosso inconsciente que se manifesta mesmo enquanto estamos acordados? Afinal, o que seriam as estranhas aparições ou demais sensações que nos dão um frio na espinha?
Não há e talvez dificilmente haverá unanimidade sobre o tema. Contudo, há quem tenha, ao modo da corrente em que acredita, explicação, ao menos parcial.
Para o padre espanhol Boaventura Banon, estudioso no ramo da espiritualidade e parapsicologia, de fato, alguns fenômenos simplesmente não possuem justificativa plausível e, segundo ele, devem permanecer desta forma.
De acordo com o religioso, vasculhar o inexplicável em aspectos materiais só traz prejuízos de natureza espiritual, emocional e até mesmo física e pessoas com certa vulnerabilidade em algum destes quesitos. “É melhor não cultivar a sensibilidade. Pode-se pagar caro”, adverte.
Entretanto, assegura, boa parte de aparições ou fenômenos ditos paranormais, são frutos ou da imaginação ou mesmo da criatividade humana. “Quando não temos a resposta autorizada de Jesus, que, de fato, morreu e ressuscitou, o restante é imaginação”, diz.
Banon atribui visões, muitas vezes, produzidas inconscientemente, a uma junção de fatores, muitas vezes emocionais, que emulariam imagens, sons e quaisquer outros sinais, a princípio, “do além”.
Contudo, o próprio padre também coleciona alguns fatos na vida sacerdotal que, no mínimo, intrigam. Alguns deles, atesta, são endossados pela própria fé.
Ele recorda um caso, no mínimo curioso, ocorrido há alguns anos, quando ainda era pároco numa cidade da região – já exerceu a função em Gália, Tupã e Bauru – (ele não revela a identidade dos envolvidos, tampouco o local).
Na época, o padre testemunhou a discordância de um jovem casal que, diante a inesperada gravidez, divergiu sobre cometer ou não um aborto. O namorado, lembra, queria o fim da gestação enquanto que a moça não abriu mão da maternidade. “Abençoei a gravidez e parabenizei a jovem pela decisão e respeito a vida”, lembra.
Alguns anos se passaram e o então pároco, durante uma missa, viu a criança entre os fiéis. Emocionado por ver um menino saudável que poderia ter a vida interrompida antes mesmo de vir ao mundo, ele chamou a criança ao altar. Na ocasião, uma foto foi tirada do padre junto ao menino. Após revelada, a imagem mostra uma aura de luz, uma espécie de auréola em volta da cabeça do garoto. A reportagem do JC teve acesso à fotografia que, entretanto, não teve a reprodução autorizada pelo padre. O fato, especifica ele, é encarado como uma graça divina. “Para mim é uma graça de Deus, para indicar o valor de uma vida humana”, crê.
Representantes de outras religiões endossam que boa parte das visões e sinais realmente são evidências de que os espíritos podem realmente aparecer em nosso plano. “A visão de espíritos desencarnados é comum. Acontece em qualquer lugar”, acredita o escritor espírita Richard Simonetti.
Segundo ele, é comum também a aparição de espíritos vítimas de mortes violentes, no caso acidentes. Essas almas, comenta, manteriam forte vínculo com o motivo de suas desencarnações. “Pode ocorrer também que espíritos desencarnados em acidentes, ainda fortemente vinculados à vida física, e tomados por grande agitação, tornem-se visíveis a externar suas preocupações”, detalha.
Entre fatos e lendas, afirma Simonetti, é possível separar o joio do trigo, e, muitas vezes, as pesquisas surpreendem. “Lendas serão sempre lendas quando apreciadas superficialmente. Se as submetemos a uma verificação nos moldes científicos preconizados pela Doutrina Espírita, constataremos que, não raro, exprimem contatos legítimos com os espíritos”, assegura.
Pessoas com sensibilidade aguçada, na opinião de “pai” Ricardo Barreira, presidente da Federação de Umbanda e Candomblé do Estado de São Paulo, independem ao dogma que seguem ou não e, de acordo com ele, realmente podem entrar em contato com espíritos desencarnados. Contudo, observa o babalorixá, a vidência não está ligada, necessariamente, à fé e também pode ser confundida com simples imaginação. “Claro que nem tudo o que se ouve ou vê é real”, reconhece. “Há muitos casos de pessoas sugestionáveis”, ressalva.