08 de julho de 2026
Nacional

25 de Março terá Natal com menos camelôs

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

São Paulo - Nada de empurra-empurra para descer a ladeira Porto Geral em direção à rua 25 de Março atrás de presentes e enfeites neste Natal. Paulistanos e pessoas de todo o país caminham tranquilamente pela zona de comércio popular em pleno dezembro. Um luxo, comparada ao sufoco na mesma época em 2009, quando compradores, ambulantes e carros disputavam espaço.

Agora, camelôs, só os legalizados. As barracas azuis padronizadas ficam só em parte da 25, especialmente no trecho bloqueado ao tráfego, entre a ladeira da Constituição e a rua Carlos Nazaré.

“Era um inferno. Está bem melhor do que no ano passado”, diz Michele Souza, que comprava enfeites, na quinta. “Antes tudo demorava, tinha muita correria. Agora dá para andar pela calçada.”

Um grupo de senhoras em excursão se anima com a novidade. “Ah, isso tá uma maravilha”, diz a mais empolgada. “Agora dá mais vontade de vir aqui fazer compras.”

A mudança é resultado da ação da Polícia Militar no local. Por meio de convênio, a prefeitura transferiu aos PMs a função de fiscalizar irregularidades do comércio ambulante na área.

O mesmo tipo de convênio foi estendido a várias regiões. Agora, a prefeitura quer implantar a parceria em todas as subprefeituras até o final de 2011. É fato que a 25 ficou mais organizada, tranquila e segura. Lojistas e compradores relatam que os assaltos diminuíram.

Jeitinho

Mesmo com a fiscalização, alguns camelôs criaram maneiras de driblar a PM.

“Olha a água, olha água! Pen drive, pen drive!” Gritam os ambulantes com uma simples sacola de plástico na mão. Igual às oferecidas pelas lojas. Não é possível diferenciá-los na multidão, a não ser quando anunciam seus produtos em voz alta.

Pouco depois, um alerta: “Olha, os caras vêm aí”. E correm para longe dos policiais. “Se você ficar parado no mesmo lugar por muito tempo, não rola,” explica Adenílson, 32 anos, sobre a estratégia para permanecer na área. É camelô ali desde os 12.

“Só compensa porque tá com pouco camelô. Mas tem que ser muito ligeiro, senão perde tudo”, se queixa. Um policial diz que os ambulantes usam o fato de haver muita gente com sacolas para se disfarçarem. “Mas a gente vai percebendo a fisionomia.”

A reportagem apurou entre alguns ambulantes que, na tentativa de impedir os irregulares de agir, a PM acaba abordando pessoas carregando sacolas de compras.

Devido a esse tipo de intervenção, a Associação de Delegados de Polícia do Estado de São Paulo pediu a abertura de inquérito no último dia 30, para “apurar uma possível usurpação de função pública e abuso de autoridade por parte da Polícia Militar”. Quem faz compras na área também está sujeito a ser abordado por um PM e ter seu produto apreendido, se não apresentar nota fiscal, diz a associação.

Questionada, a PM afirma que “os policiais também têm se adaptado às estratégias e feito muitas apreensões”.