10 de julho de 2026
Regional

Análise da Cetesb aponta baixos índices de oxigênio em trecho jauense do Tietê

Lilian Grasiela
| Tempo de leitura: 2 min

Jaú – No último final de semana, análises feitas por técnicos da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) no rio Tietê, altura do Condomínio Frei Galvão, no distrito de Potunduva, em Jaú (47 quilômetros de Bauru), indicaram teor de oxigênio na água abaixo do normal. O problema teria provocado a morte de peixes no local. A repartição ambiental informa que a diminuição nos níveis de oxigenação da água esteja relacionada ao despejo, no rio, de esgoto doméstico e nutrientes provenientes do uso indiscriminado de fertilizantes nos canaviais.

Reportagem veiculada pelo Jornal da Cidade no início do mês passado, com base em estudo científico divulgado pela Organização Não Governamental (ONG) Mãe Natureza (Movimento de Amparo Ecológico de Barra Bonita), mostrou que a quantidade de nutrientes nos rios está aumentando de modo alarmante em razão de uma deficiência estrutural nas Estações de Tratamento de Esgoto

Por meio da assessoria de imprensa, a Cetesb informou que os técnicos do órgão foram acionados no sábado, por volta das 11h, para checar a mortandade de peixes no trecho do rio Tietê que corta o distrito de Potunduva. Além de pequena quantidade de peixes mortos, os profissionais constataram no local a presença de algumas algas, conhecidas por surgirem em ambientes poluídos.

“Na ocasião, foi medido o teor de oxigênio dissolvido (OD) da água, que estava por volta de 3,7 (o normal, em uma escala de zero a 10, é em torno de 7), diz. “As causas da mortandade não foram identificadas, mas supõe-se que estejam relacionadas, entre outras causas, com o lançamento de esgoto doméstico a montante do município de Barra Bonita e às contribuições de nutrientes (fósforo, potássio e nitrogênio) provenientes das lavouras da região, que teriam sido carreados pelas chuvas”.

“Morte dos rios”

Conforme matéria publicada pelo Jornal da Cidade no dia 6 de novembro, estudo científico divulgado pelo presidente da Organização Não Governamental (ONG) Mãe Natureza, Hélio Palmesan, indica que o aumento de nutrientes, sobretudo o fósforo - contido na fórmula do sabão e que existe em bastante quantidade no esgoto -, provoca um efeito em cadeia que culmina na chamada “morte dos rios”.

De acordo com ele, o fósforo alimenta as algas cianofíceas, que formam uma espécie de camada sobre a água. “Com isso, a luz solar não entra e o plâncton não se desenvolve. Esse plâncton é o alimento dos peixes e, por isso, eles acabam morrendo”, explica.

A causa do aumento de nutrientes nos rios estaria relacionada, segundo a ONG, a uma deficiência estrutural nas Estações de Tratamento de Esgoto (ETEs), que não estariam submetendo os dejetos a uma terceira etapa, responsável por retirar cerca de 90% do fósforo e outros nitratos, da água. O presidente da ONG defende ainda maior fiscalização e imposição de normas mais rígidas para reduzir o nível de fósforo contido nas fórmulas do sabão.