08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

ENFIM...


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“Nesse sentido, nós defendemos que ele reveja no ano seguinte os conteúdos que ele não conseguiu assimilar. Na progressão continuada é isso que deveria acontecer” (Suzi Silva, diretora da Apeoesp, em 28/11/2010, no JC).

“... que ele reveja.” Rever o quê?! Rever é tornar a ver, ver outra vez. Como se possível fosse rever o que não se viu! A progressão continuada é uma falácia, uma burla, um engodo. Os professores sabem e os governos não ignoram.

Em janeiro de 1995 escrevi à secretária da Educação, doutora Rose Neubauer. Sugeria mudanças no calendário escolar e introdução do ensino de xadrez no currículo escolar. A 3 de fevereiro recebi atenciosa carta de s. senhoria, adiantando que “estudos estão sendo realizados”. Isso há quinze anos...

Discordo ainda uma vez da diretora Suzi Silva. Se a progressão continuada é irre-versível, que a tornem mais séria e condizente com o objetivo final da educação: a formação de cidadãos e cidadãs diferenciados no conturbado mundo em que vivemos. Uma das medidas a ser adotada: só será contemplado com a mesma o aluno que assistir a pelo menos 80% (oitenta por cento) das aulas ministradas. Evitar-se-ia, assim, a aprovação de ausentes como ocorre atualmente.

A presença do aluno na escola enseja sua formação e, através desta, sua informação. Seria bastante simples não houvesse jogo de interesses. Já sabemos: o futuro ministro da Educação permanecerá no cargo. Sugestão do presidente em exercício. O ministro da Defesa permanecerá, a pedido do futuro ministro da Casa Civil. E em São Paulo?! A quem caberá o destino da educação em nosso Estado? Será, por certo, alguém com filiação apartidária e afinidade com o governador. Professor? Talvez. Mas já tivemos até veterinário ocupando tão relevante cargo. Enfim...

Álvaro Baptista Pontes