08 de julho de 2026
Internacional

Fundador do WikiLeaks deve se apresentar

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Londres - Um advogado de Julian Assange, fundador do site WikiLeaks, disse ontem que ele e seu cliente estão em negociações para que ele se apresente à polícia britânica.

Assange, 39 anos, é procurado na Suécia para ser ouvido por acusações de crimes sexuais.

Ontem, a Polícia Metropolitana de Londres recebeu um mandado de prisão contra ele, informou uma fonte policial à reportagem.

O australiano, cujo site recentemente causou constrangimento aos EUA por divulgar mais de 250 mil documentos diplomáticos sigilosos, nega as acusações de crime sexual.

“Hoje à tarde, após o fim do expediente, recebi um telefonema da polícia que disse ter recebido um pedido de extradição da Suécia”, disse em Londres o advogado Mark Stephens à TV BBC.

“A solicitação deles é para entrevistar Julian Assange. Ele não foi indiciado por nada. Estamos no processo de fazer os arranjos para nos reunirmos com a polícia consensualmente.”

Ele não citou uma data provável para a apresentação, mas sugeriu que deve ocorrer em breve.

Banco encerra conta

A conta que recebia fundos para Julian Assange, fundador do WikiLeaks, foi fechada ontem pelo banco suíço Swiss Post.

Oficialmente, isso se deveu a informações falsas sobre o endereço residencial de Assange. Mas é mais um elemento de pressão sobre ele.

Outra frente de combate a ele é o acesso ao site. Hoje, o servidor suíço que hospeda o WikiLeaks voltou a receber ataques.

Ainda assim, será difícil que o governo americano consiga removê-lo da internet. Desde o final de semana, o site passou a ser replicado em centenas de “mirrors” (espelhos), cópias exatas.

O WikiLeaks divulgou, via Twitter, que, até ontem à tarde, havia 507. Grande parte obra de simpatizantes.

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Divulgação de lista sita Brasil e irrita EUA

Washington - O site WikiLeaks divulgou ontem uma lista secreta do governo americano de estruturas em diversos países contra as quais um atentado terrorista abalaria os interesses e a segurança dos EUA. É potencialmente a revelação mais perigosa e controversa feita pelo site até agora.

Recursos minerais e redes de comunicação no Brasil estão na lista de itens estratégicos dos EUA. É o que revelam os telegramas vazados ontem pelo WikiLeaks.

De acordo com eles, reservas minerais em Goiás, MG e MS passaram a ser consideradas “locais vitais”. Isso porque qualquer problema no suprimento afetaria a indústria americana.

Hoje, o Brasil possui 98% das reservas de nióbio do mundo, e os EUA estão entre os maiores consumidores. O metal é usado na fabricação de peças de automóveis, aviões, obras de infraestrutura e até lâminas de barbear.

O governo americano incluiu duas minas brasileiras de nióbio. Uma pertence à Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração, em em Araxá, MG, que atende 80% do mercado mundial.

A Vale tem duas jazidas na lista. Uma delas é a de minério de ferro em Corumbá que tem alta concentração de ferro no minério, considerado um dos melhores do mundo.

As redes de comunicação (telefonia, internet e dados) foram colocadas no mesmo patamar de prioridade. Para o governo americano, danos ocorridos nos cabos submarinos podem deixar o país com dificuldade de contato com suas empresas no Brasil.

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Jobim revelou aos EUA temer situação de Hugo Chávez

Caracas - O ministro da Defesa, Nelson Jobim, se mostrou “preocupado”, em fevereiro deste ano, com a “cada vez mais complicada situação doméstica” de Hugo Chávez e manifestou temor sobre possível “impacto” interno caso o presidente venezuelano resolvesse reprimir manifestações contra o seu governo.

O relato teria sido feito por Jobim ao então embaixador dos EUA, Thomas Shannon, e faz parte de um pacote de telegramas confidenciais e secretos divulgados pelo site Wikileaks e publicados anteonteontem e ontem pelo jornal francês “Le Monde” e pelo venezuelano “El Nacional”.

O conjunto de papéis joga luz sobre a visão dos EUA sobre a relação Brasília-Caracas e as diferentes perspectivas dos interlocutores brasileiros a respeito de Chávez.

Também revela a insistência brasileira para derrubar o veto do governo George W. Bush à venda a Caracas de aviões Supertucanos da Embraer, com componentes de tecnologia americana.