08 de julho de 2026
Geral

‘Professor tem de educar para a vida'

Bruna Dias
| Tempo de leitura: 4 min

Não é de hoje que se discute amplamente os métodos de educação. O tema, assim como a paixão por ensinar, são tratados no livro “O ‘Ser’ professor -Arte e ciência no ensinar e aprender”, escrito pelo renomado professor titular em patologia da Universidade de São Paulo (USP) de Bauru e colunista de ciência do Jornal da Cidade (JC), Alberto Consolaro, que chega à sua quinta edição com uma tiragem de mais de 25 mil exemplares no decorrer de 10 anos. O evento comemorativo será hoje às 20h, no espaço É+art em Bauru.

Formado em odontologia, mestre e doutor, professor há 33 anos, Consolaro transmite no olhar o amor e dedicação que tem pela profissão. Foi na disciplina de prática de docência na universidade, ministrada principalmente nos cursos de pós-graduação e mestrado, que ele sentiu a necessidade de escrever o livro.

“Esse livro nasceu da experiência dessa disciplina. Eu tinha alunos que não conseguiam falar em público, tinham medo, eram tímidos e hoje são renomados palestrantes que viajam pelo Brasil todo”, relatou. Consolaro ressalta que todos podem falar bem e que isso não é um dom.

“O livro mostra que, se você quer falar bem, você consegue. Isso é uma questão de determinação e não de dom. Não existe um dom para isso, e sim uma técnica. Você não nasce com esta habilidade, mas pode desenvolvê-la. Não existem pessoas que nascem com desenvoltura para falar em público. Elas foram treinadas pelo ambiente em que vivem ou por outra situação”, revela.

Para ele, a didática é a arte de fazer as pessoas a aprenderem com facilidade. Ter didática então já não é somente uma questão de treino, mas também de dedicação e de conhecimento do cérebro, já que é o órgão que transmite todo o conhecimento às cordas vocais no momento da fala. Mesmo para aqueles muito tímidos e que perdem a voz ao falar em público, ter didática não é uma meta impossível de ser alcançada.

Experiência

Como estudou e se especializou nas três universidades estaduais - Universidade de São Paulo (USP), Universidade Estadual Paulista (Unesp) e Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) -, Consolaro conhece a didática de muitos professores e segue a linha de raciocínio do educar para a vida, como sugere a Unesco.

“A Unesco é como se fosse o Ministério da Educação e da Ciência para o mundo e ela sugere, há anos, que os professores eduquem os alunos para vida. Isso significa ensinar o aluno a buscar a interpretação, a ter análise crítica, a propor e a criar”. Na opinião dele, as avaliações deveriam propor um problema para que o aluno resolvesse, mesmo que ele pudesse fazer uma consulta em livros na biblioteca.

“O professor tem medo que o aluno copie a resposta do colega ou que ache qualquer coisa na Internet e coloque no papel. Se ele formular bem o problema, o aluno não achará uma resposta fácil para ser copiada e sim terá que pensar muito para solucioná-lo. Muitos professores no Brasil já adotam essa linha de raciocínio, usada muito no Japão, por exemplo”, destaca.

Desde que foi lançado em sua primeira edição, o livro “O ‘Ser’ professor - Arte e a ciência no ensinar e aprender” teve uma tiragem de 25 mil exemplares. O título foi impresso pela Dental Press Editora e é vendido a R$ 55,00. Há uma versão de bolso do livro, além da digital. O tamanho compacto traz apenas dois dos capítulos totais do grande título, já a versão para ser baixada compreende o título na íntegra e logo estará disponível.

• Serviço

O lançamento da 5.ª edição do livro “O ‘Ser’ professor” -Arte e ciência no ensinar e aprender”, será hoje às 20h, no espaço É+art localizado na avenida Getúlio Vargas, 19-77, Jardim América em Bauru. O evento é aberto ao público.

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36 maneiras de irritar seu professor

O professor titular em patologia da Universidade de São Paulo (USP) e colunista de ciência do Jornal da Cidade (JC), Alberto Consolaro, usa do título irônico para abordar as lições que os alunos devem aprender com os professores. Um exemplo clássico é quando a turma está em silêncio e um dos colegas abre um pacote de salgadinhos ou um chocolate. O barulho desconcentra todos e também o professor.

Roupas transparentes, chegar atrasado, perguntar ao professor “qual o assunto você está tratando?” logo depois de o professor ter abordado um assunto são alguns desses itens que servem também como aprendizado para o próprio aluno, para que não repita o erro.