08 de julho de 2026
Internacional

Hackers atacam ‘inimigos’ do WikiLeaks

Folhapress
| Tempo de leitura: 4 min

Londres - Em apoio a Julian Assange, criador do WikiLeaks preso ontem em Londres (Reino Unido), hackers atacaram os sites dos “inimigos” da organização, entre eles a Procuradoria-Geral da Suécia, o advogado que defende as duas supostas vítimas de assédio sexual e estupro, o banco suíço PostFinance e as páginas das empresas de cartões de crédito Mastercard e Visa.

Entre os alvos dos “ativistas virtuais” estiveram ainda a promotoria da Suécia -que acusa Assange de crimes sexuais -, um banco suíço que bloqueou contas do fundador do site e outros.

Após sair do ar, a Mastercard, que anteontem havia cancelado os pagamentos ao WikiLeaks, disse ter tido problemas, mas negou que seus serviços tivessem sido afetados. A filial da empresa no Brasil também garantiu normalidade de seus serviços.

A “BBC”, no entanto, divulgou a existência de falhas em sistemas de pagamentos.

No final do dia de ontem, depois de uma série de ameaças feitas pelos hackers, a página da Visa também foi tirada do ar.

A “Operação Payback’’ (“dar o troco”) é liderada pelo grupo de hackers Anonymous, que se autodefine “um monte de pessoas que compartilham os mesmo ideais” e desejam ser uma força para o “bem caótico”.

Assange segue preso

O fundador do WikiLeaks está preso em Londres desde ontem, quando se entregou à polícia. Ele enfrenta processo de extradição para a Suécia, onde é acusado de ter cometido crimes sexuais.

Para fazer os ataques virtuais, os hackers recorreram ao chamado DDoS (ou negação de serviço, em inglês). A ação consiste na inundação de acessos aos sites das empresas atacadas.

Ataque ao Visa

No sábado, a empresa PayPal cancelou conta do WikiLeaks para a arrecadar doações. O Swiss Post congelou conta pessoal de Assange.

Todos os ataques ao WikiLeaks, contudo, foram contornados, e nos últimos dias mais de 500 sites “espelhos” foram criados para evitar que voltasse a ficar fora do ar.

Os ataques virtuais foram antecedidos de ameaças a todas as empresas que se alinharam aos EUA na disputa com o WikiLeaks.

No caso do Visa, contou até mesmo com uma contagem regressiva.

Às 18h (horário de Brasília) de ontem, o perfil do grupo Anonymous no Twitter disse que em uma hora o site da empresa seria derrubado.

Às 19h, foi postada a mensagem: “Fire Fire Fire!!! Weapons”. (Dispare Dispare Dispare!!! Armas), convocando o ataque. Após cinco minutos, o site foi derrubado, e continuava fora do ar até as 20h de ontem.

Tanto a Mastercard quanto a Visa afirmam que suas decisões de cancelar pagamentos ao WikiLeaks não tiveram motivação política.

Mas um dos despachos disponibilizados pelo WikiLeaks ontem mostra o governo dos EUA intercedendo pelas duas empresas na Rússia.

Durante o dia, foram feitas ameaças também ao próprio Twitter, acusado de impedir o WikiLeaks de chegar à lista de temas mais comentados.

“A grande tempestade de merda está somente começando”, afirmou o grupo.

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Suecas agora são alvo de difamação

Londres - Claes Borgström, advogado das supostas vítimas de abusos sexuais que teriam sido cometidos por Julian Assange na Suécia, diz que elas estão aliviadas com a prisão do criador do WikiLeaks.

Em uma série de entrevistas em Estocolmo, Borgström disse que as duas continuam sendo atacadas por Assange.

Primeiro, afirma, fisicamente. Agora, quando ele diz que tudo não passa de conspiração motivada por um desejo de vingança dos EUA.

“O que acontece com as duas é muito injusto porque elas estão sendo apontadas como se tivessem iniciado uma conspiração contra Assange e o WikiLeaks, o que não é verdade. Não fizeram nada de errado ao ir à polícia”, disse ao “Guardian”.

Borgström diz ainda que as duas estão sendo vítimas de uma campanha na internet, com blogs revelando suas identidades, detalhes de suas vidas e fotos.

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Austrália culpa EUA

Sidnei - A Chancelaria da Austrália afirmou ontem que os EUA deveriam ser culpados pelos vazamentos do WikiLeaks, e não Julian Assange, criador do site, e indicou que sua Embaixada em Londres já ofereceu ajuda consular ao cidadão australiano.

O chanceler da Austrália, Kevin Rudd, disse que as pessoas que vazaram os documentos originalmente, e não Assange, são legalmente responsáveis e que os vazamentos levantaram questões sobre a competência da segurança norte-americana.

“Os americanos são responsáveis por isso”, declarou o chanceler, que foi descrito em um dos documentos norte-americanos divulgados como “controlador obsessivo”.

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Cerco

Contra

EUA - Alvo dos vazamentos do site, lidera pressão internacional pelo cerco

Suécia - Pede a extradição de Assange, acusado de cometer crimes sexuais

Amazon - Empresa americana parou de hospedar site após pressão do governo

EveryDNS - Empresa americana suspendeu serviço que fornecia domínio ao site

PayPal - Site cancelou conta aberta pelo WikiLeaks para arrecadar doações

Swiss Post - Banco suíço suspendeu conta pessoais de Assange

Visa/Mastercard - Empresas de cartão de crédito suspenderam pagamentos ao site

A favor

Hackers - “Ativistas virtuais’’ atacaram MasterCard, Promotoria sueca e Swiss Post e criaram mais de 500 “espelhos’’ do WikiLeaks para evitar que o site saia do ar

Mídia - Cinco veículos que receberam os 250 mil documentos vazados e outros interessados em divulgar o material

Austrália - País natal de Assange, ofereceu apoio jurídico ao fundador do site e disse que responsabilidade pelos vazamentos é dos EUA

Facebook - Rede social afirmou que não vai cancelar página de Assange