09 de julho de 2026
Política

Rua rebaixada deixa moradores ilhados

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 5 min

Em apenas uma semana, a vida dos moradores da quadra 3 da rua Vidal Inácio Rodrigues, na Vila Independência, virou de pernas para o ar. A construção de casas do projeto de desfavelamento levou ao rebaixamento do nível da rua em mais de um metro. Inconformados, os moradores procuraram a vereadora Chiara Ranieri (DEM), que colocou o caso em discussão no Legislativo.

Ela cobrou solução por parte da Prefeitura e questionou que critérios a administração adotou para aprovar o projeto que inclui construir as casas e instalar o asfalto. A construtora responsável pela obra, a Gobbo Engenharia, comenta que entrou em contato com os moradores e que o problema será resolvido. De acordo com a empresa, problemas de desnível não são raros na cidade, a maioria por conta de imóveis construídos sem aprovação pelo poder público.

A administração deveria atuar e, na origem, determinar as diretrizes sobre alinhamento e nível da via, por exemplo. Mas o mesmo governo que acumula demanda não resolvida de construções irregulares, há anos, também não se atentou para a instalação irregular do pavimento na Vila Independência.

A vereadora usou seu tempo na tribuna da Câmara para expor a situação dos moradores da via pela TV Câmara. Ela conta que eles nunca tiveram auxílio do poder público e vislumbraram na execução do projeto de desfavelamento, que faz parte do Programa Minha Casa Minha Vida, do governo federal, uma possibilidade de melhorias para a região. As 38 casas na Vila São João do Ipiranga já estão em fase adiantada de execução e irão atender os moradores do Jardim Vitória e Cutuba.

Porém, há duas semanas eles perceberam que a esperança tinha virado pesadelo. As casas que já estavam lá há mais de 20 anos, ficaram cerca de 1,20 metro para cima de onde hoje está a via pavimentada. “Eles estão lá há mais de duas décadas e foram extremamente prejudicados. Não conseguem nem estacionar os carros nas próprias garagens”, conta. A chuva da semana passada prejudicou ainda mais a situação, pois criou uma vala entre o asfalto e o passeio público. “Eles improvisaram uma escada de madeira para conseguir subir e descer a calçada”, observa.

Resolução

Chiara adiantou que o secretário municipal de Obras, Eliseu Areco Neto esteve pelo local. A aprovação do projeto para a execução das obras é da Secretaria Municipal de Planejamento (Seplan).

O titular da pasta, Rodrigo Said, tentou minimizar a aprovação e preferiu apontar para construções irregulares. De qualquer forma, Said garantiu que a construtora está sendo chamada a resolver o problema. “Temos construções irregulares por toda a parte. Neste caso, duas casas não têm garagem e está mais fácil resolver. Estive no local e o ajuste tem de ser efetuado em duas moradias com garagem e a empreiteira já disse que vai acertar”, afirma.

Nas imagens exibidas pela TV Câmara, moradores temem pela segurança de crianças, que podem cair e se machucar. A rua já foi asfaltada e Chiara aponta que a correção de um possível erro ficaria ainda mais complicada. “É uma vergonha. Espero que o prefeito tome providências”, ponderou. “Caso contrário, vou orientar juridicamente esses moradores”, afirmou.

O empresário Paulo Gobbo, responsável pela construtora, destaca que mesmo antes da intervenção da vereadora, o desnível no local seria sanado.

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Nivelamento irregular atrapalha pavimentação

O problema dos moradores da quadra 3 da rua Inácio Vidal Rodrigues, na Vila Ipiranga, não é uma situação isolada. De acordo com o secretário municipal de Obras, Eliseu Areco Neto, muitas pessoas constroem suas casas sem a aprovação da prefeitura, que oferece detalhes importantes sobre o nível e alinhamento da rua.

Dessa forma, quando a pavimentação chega, algumas intervenções são necessárias. “Na verdade, toda e qualquer construção irregular atrapalha o poder público em suas ações e no asfalto não é diferente”, afirma Areco.

“Atrapalha a questão de alinhamento, já na questão de nível algumas casas ficam abaixo, outras acima da rua. Às vezes a pessoa não construiu a casa de maneira errada. O que pode ter acontecido é que, no passado, não tinha referência. Mas que atrapalha, atrapalha”, observa.

Areco explica que em algumas situações é necessário fazer intervenções. Ele cita como exemplo, a rua Jorge Schneyder, no Ferradura Mirim. No bairro, muitos moradores cercaram seus quintais com muros que invadiram o perímetro destinado à via pública. “Conseguimos conversar com a população, removeram os muros, mas nada que significasse um atraso nas obras”, diz.

Ele conta que esses problemas de diferença de nível acontecem. “O normal é que a pessoa que vai construir peça a licença de construção, a Seplan é quem dá essa licença e em seguida peça à Obras o alinhamento e o nível de rua. Esse é o procedimento normal”, explica.

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Detalhamento

A construtura Gobbo Engenharia aponta que a situação acontece em muitos outros pontos da cidade, onde os moradores não procuraram a prefeitura para obter a licença para a construção. Nesses casos, sem a orientação do poder público sobre o nivelamento correto a ser feito, acabam construindo no nível errado.

“Eu sei que é um problema que afetou essas pessoas. Mas, é uma situação que normalmente acontece em municípios como Bauru. Em qualquer região da cidade, podemos ver casas que estão em desacordo com o nível da rua”, observa Gobbo.

“É uma consequência de erros passados, não do que fizemos agora”, observa. “Sempre existe essa situação. Dentro de uma cidade como a nossa, que os bairros demoram muito para serem asfaltados, acontece com frequência”, afirma.

Ele garante que a construtora não deixaria a situação dos quatro moradores da quadra como está hoje. “Nunca imaginamos não regularizar isso para eles. Isso já ia ser feito. Vamos buscar a melhor solução para esses moradores”, pontua.

De acordo com Gobbo, a empresa ainda vai detalhar o projeto para a construção da calçada que ficou em desnível e ainda se reunirá mais uma vez com os moradores para conversar sobre o assunto.