10 de julho de 2026
Nacional

Megacidades perdem peso na economia

Folhapress
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Rio - Ainda muito concentrado, o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro (soma dos bens e serviços produzidos num período) começa a migrar das megacidades com mais de 500 mil habitantes para municípios grandes (a partir de 100 mil pessoas).

Essas localidades ganharam peso na economia nacional na esteira principalmente da valorização das commodities (petróleo, minério de ferro, aço, soja e outros) e na expansão do comércio exterior e de alguns ramos da indústria, como o automobilístico.

Tal conclusão surge de dados de 2008 divulgados ontem pelo IBGE. Eles mostram que os municípios de 100 mil a 500 mil habitantes ganharam 2,5 pontos percentuais no PIB nacional, enquanto os com população superior a 500 mil perderam 3 pontos.

Apenas seis Capitais, porém, ainda concentravam 25% do PIB (São Paulo, Rio, Brasília, Curitiba, Belo Horizonte e Manaus, nessa ordem) em 2008. Em 1999, somente Rio e São Paulo já abocanhavam um quarto da produção nacional. Na outra ponta, os 1.313 municípios com os menores PIB respondiam por apenas 1%.

Por conta do crescimento mais robusto fora dos grandes centros, São Paulo, Rio e Brasília foram as cidades que mais perderam, nessa ordem, peso no PIB. Já os maiores avanços ficaram com Campos dos Goytacazes (RJ), beneficiada pela forte expansão da produção de petróleo; Santos (SP), sob impacto da expansão da atividade portuária; e Betim, sede da Fiat, de fornecedores de autopeças e de refinaria da Petrobras, ramos com intenso dinamismo.

“Não é possível falar em uma desconcentração do PIB para um número grande de cidades, mas alguns municípios fora das Capitais começam a crescer mais rapidamente e ganhar peso no PIB”, disse Sheila Zani, coordenadora da pesquisa.

Entres os dez maiores ganhos de peso no PIB de 1999 a 2008 estão duas cidades do RJ produtoras de óleo (Macaé e Cabo Frio), além de Parauapebas (PA), onde a Vale extrai minério de ferro. A única capital na lista é Vitória, sede de unidades de beneficiamento de minério da Vale.

Apesar desses sinais de melhor distribuição do PIB, outro dado revela a concentração da economia brasileira: as Capitais do Norte foram responsáveis por 2,4% do PIB de 2008, enquanto as Sudeste corresponderam por 19% da geração de riqueza.

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‘Se um pobre receber R$ 10,

vira consumidor’, diz Lula

Ilhéus - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou ontem que o consumo das classes mais pobres sustentou a economia do País durante a crise econômica iniciada em 2008 e que, se um pobre receber R$ 10,00, ele vira um consumidor, enquanto outro cidadão, se receber R$ 1 milhão, “vira especulador”.

“O Estado precisa cuidar dos pobres, os ricos não precisam do Estado. Quando você leva R$ 10, R$ 15 na mão de um pobre, aqueles R$ 10 se transformam num produto de crescimento econômico. Porque a pessoa não vai comprar dólar, a pessoa vai numa bodega comprar um feijãozinho”, afirmou.

As declarações foram feitas após elogiar o resultado do Produto Interno Bruto (PIB) do País no terceiro trimestre, durante a assinatura da ordem de serviço para o início das obras da Ferrovia da Integração Oeste-Leste, em Ilhéus (BA).