09 de julho de 2026
Política

Eleição da Câmara ainda repercute

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 4 min

A eleição de Roberval Sakai (PP) à presidência da Câmara Municipal de Bauru foi “processada” ontem por boa parte da comunidade política local. Os próximos passos do Legislativo, o relacionamento entre os vereadores e por quanto tempo Sakai permanecerá na oposição ao governo Rodrigo Agostinho (PMDB) são algumas das questões que alimentam discussões.

A maneira como as negociações foram conduzidas, sobretudo pelo uso da tropa de choque do governo Rodrigo na tentativa de eleger candidato do grupo que lhe dá sustentação, também foi criticada. A Organização Não Governamental (PNG) Bauru Transparente cobrou dos parlamentares.

Para o deputado estadual Pedro Tobias (PSDB), a composição de Sakai com a oposição faz parte do “jogo democrático”. Porém, ele ressaltou que o bem da cidade deve estar acima. “Ele deve trabalhar com o Poder Executivo para o bem de Bauru. Ele era do grupo do governo, mas é preciso pensar no coletivo, uma vez que a cidade precisa de muita atenção”, pontua.

O líder da bancada do PSDB na Casa, Marcelo Borges, acredita que a eleição de Sakai foi positiva para Agostinho. “O prefeito estava pagando uma conta muito cara para eleger o presidente da Câmara, pelo que vimos pela imprensa”, observa.

Para ele, como havia vários candidatos no grupo de situação, convencer cada um a abrir mão de seu nome estava custando alto ao Executivo. “E para nós, oposição, foi importante, porque aumentou nossa bancada“, ressalta.

O tucano avalia que não haverá racha no plenário. “Vejo que a Câmara saiu fortalecida. Quem precisa da Câmara é o prefeito e ele precisa conversar com os vereadores. A Casa já ajudou muito o prefeito em discussões importantes, que poderiam ter tido outro caminho”, observa.

O petista Roque Ferreira avalia que a eleição foi um divisor de águas no Legislativo. “A Câmara poderia nesse período cumprir uma expectativa que foi gerada com a mudança dos vereadores. Mas, lamentavelmente, não foi isso”, pondera. “E observamos, nos últimos dois anos, que a postura do prefeito para construir uma base majoritária na Câmara incentivou muito esse troca-troca”, observa. “Foi o momento em que a criatura se voltou contra o criador”, afirma, se referindo a Rodrigo e Sakai.

Porém, ele acredita que nem tudo está per-dido.”O prefeito pode dar um salto de qualidade em sua tática. É inegável que o Executivo não enfrentou grandes dificuldades em seus projetos mais polêmicos. Quando interesses da cidade estava em risco, contou com apoio da Câmara”, lembra.

Mas ele afirma que será difícil restabelecer alguns laços. “Será muito difícil os vereadores do PP reconstruírem ligações, principalmente com o Renato Purini, que muitas vezes chancelou a prática do prefeito para manter a base de vereadores. Ele se sentiu traído por eles e esse sentimento as relações cotidianas raramente conseguem apagar”, observa

Dudu Ranieri, presidente do DEM, pontua que os fatos de anteontem têm relação com a primeira eleição desta legislatura. “Na anterior, a presidência caiu de bandeja para o pastor Luiz Barbosa, que era vice da Chiara até o dia da eleição e, de repente, aparece o grupo do prefeito e lhe dá a presidência. Agora, a mesma coisa”, recorda.

“Agora, Sakai se diz oposição, e faço votos que seja. É um dever de gratidão”, cobra. Mas, com a experiência política que tem, Dudu alerta: “Não acredito em pessoas que mudam de lado. Então, vou torcer para o presidente manter a posição que ele declarou”, afirma.

Críticas

Rafael Moia Filho, conselheiro da Batra, relata que a entidade não compactua com a maneira como foi encaminhada a eleição da presidência da Casa. “A Batra ficou decepcionada que no mesmo dia em que os parlamentares em Brasília votaram um aumento salarial indecente, os vereadores de Bauru tenham um comportamento tão mesquinho e demonstrem ter se apequenado diante da grandeza de representar nossa cidade”, pontua.

“Não foi para isso que certamente nós, bauruenses, os elegemos, pois esperávamos uma discussão onde a modernização e a transparência fosse colocada acima de cargos e trocas de nomes e desse fisiologismo tão nocivo a nossa sociedade”, critica.

“A Batra, assim como a sociedade, quer os vereadores fiscalizando o erário, exigindo que a Câmara esteja a frente de todas as discussões que envolvam os interesses do povo. Para tanto, a Câmara precisa abdicar dos egos inflados de alguns de seus integrantes eleitos pelo povo humilde da nossa cidade. A Batra percebe que quem não consegue demonstrar serenidade e inteligência na hora da escolha de um líder para sua Casa, certamente não saberá fiscalizar o Poder Executivo, afirma Moia filho.