08 de julho de 2026
Internacional

Assange teme ser extraditado para os EUA

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Londres - Julian Assange, criador do WikiLeaks, atacou ontem os EUA e acusou o país de fazer uma investigação ilegal contra ele e seu site.

“Pessoas que eles acreditam que têm relações conosco estão sendo detidas, seguidas, e seus computadores estão sendo apreendidos”, afirmou, sem dar detalhes de quem seriam.

Ele voltou a dizer que teme ser extraditado para os EUA e que acredita que o risco de isso acontecer está cada vez maior, porque aquele país “parece não respeitar as leis”.

“Lidar com uma superpotência que aparenta não seguir as regras da lei é algo muito sério’’, afirmou.

De fato, os EUA buscam formas de processar Assange com base em leis contra espionagem. Mas ele insiste que não cometeu nenhum crime, apenas fez um trabalho jornalístico de divulgar papéis secretos do governo.

Assange, que está em liberdade vigiada no Reino Unido, diz que o WikiLeaks hoje gasta mais tempo e dinheiro tentando se defender de ataques que fazendo jornalismo.

“Em vez de fazer jornalismo, estamos usando mais de 85% de nossos recursos para nos defendermos de ataques técnicos, políticos, jurídicos. Isso, na verdade, é um ataque à investigação jornalística.’’

O criador do WikiLeaks passou ontem seu primeiro dia fora da prisão após nove dias. Ele está na casa de Vaughan Smith, ex-militar que se tornou cinegrafista free lance e fez documentários sobre guerra.

Desconhece soldado

O fundador do WikiLeaks, Julian Assange, negou ontem conhecer o ex-analista de inteligência do Exército norte-americano acusado de ter fornecido ao site mensagens secretas da diplomacia de Washington que podem levar Assange a ser indiciado por espionagem nos Estados Unidos.

Em entrevista ao programa “Good Morning America”, da emissora de TV ABC, o especialista em computação australiano disse que o sistema informatizado do WikiLeaks foi projetado para proteger o anonimato de fontes que passam para a organização documentos governamentais delicados, incluindo os telegramas diplomáticos dos EUA que vêm trazendo à tona avaliações francas e constrangedoras de líderes mundiais.

O especialista do Exército Bradley Manning, analista de inteligência de 23 anos, foi acusado este ano de obter o vídeo de um ataque de helicóptero de 2007 que matou uma dúzia de pessoas no Iraque, incluindo dois jornalistas da Reuters, e de ter obtido mais de 150 mil documentos do Departamento de Estado dos EUA.

Autoridades norte-americanas dizem que Manning vazou alguns dos telegramas que obteve, mas se negam a informar se são os mesmos telegramas divulgados pelo WikiLeaks.

O vídeo do ataque de helicóptero, gravado pela própria aeronave, foi divulgado pelo WikiLeaks em abril. Manning está detido na Base Naval de Quantico, na Virgínia.

Relatos da mídia norte-americana dizem que promotores dos EUA podem indiciar Assange por espionagem e buscar sua extradição para os EUA, se puderem demonstrar que ele ajudou Manning a colher os materiais classificados.

“Eu nunca tinha ouvido falar no nome Bradley Manning antes de ser divulgado pela imprensa”, disse Assange à ABC, enquanto fazia uma ronda dos talk shows americanos transmitidos no horário do café da manhã.