Dos 2 milhões de litros de chorume armazenados em lagoas no aterro sanitário de Bauru, cerca de 280 mil litros foram removidos entre o final de outubro e final de novembro, informou Flávia Souza, gerente de resíduos sólidos e ambiental da Emdurb. Trata-se de resíduo líquido que surge durante o apodrecimento de matérias orgânicas, como o lixo doméstico, e que é altamente poluente.
O material é levado de caminhão para a Estação de Tratamento de Efluentes da Sabesp de Monte Alto (a cerca de 180 quilômetros de Bauru.
O serviço está a cargo da empresa Monte Azul Engenharia Ambiental, vencedora da licitação para retirada, transporte, tratamento e destinação final do resíduo. O chorume vinha sendo armazenado nas lagoas desde 2007. Como as lagoas são interligadas, é possível verificar que o nível está baixando em ambos os lados ao mesmo tempo, o que dá a segurança necessária para que não transbordem durante este período chuvoso, completa Flávia.
O volume retirado corresponde a cerca de 30 a 40 centímetros de altura da borda das lagoas. Contratada por R$ 299 mil para realizar a remoção do chorume, a Monte Azul ficou por mais de seis meses sem conseguir autorização da Companhia Ambiental do Estado de São paulo (Cetesb) para depositar o material em nenhum aterro.
Como havia risco das duas lagoas existentes no aterro para o acúmulo do líquido transbordarem, o que causaria um acidente ambiental, a Emdurb decidiu rescindir o contrato. Finalmente em outubro passado a Cetesb autorizou que a cidade recebesse até 3 milhões de litros de chorume de Bauru por ano. De acordo com Flávia Souza, para esvaziar as duas lagoas de chorume da cidade, a Monte Azul levará até dez meses.
O chorume é viscoso e possui cheiro muito forte e desagradável. Caso não seja tratado, pode atingir lençóis freáticos, rios e córregos, levando a contaminação para estes recursos hídricos. Neste caso, os peixes podem ser contaminados e, caso a água seja usada na irrigação agrícola, a contaminação pode chegar aos alimentos. Em função da grande quantidade de matéria orgânica presente no chorume, o líquido costuma atrair moscas que também podem trazer doenças aos seres humanos.
Vários pesquisadores vêm estudando diferentes técnicas de tratamento do chorume. A escolha do método mais adequado depende de uma série de fatores, exigindo muitas vezes a associação de mais de uma técnica de tratamento para que a qualidade do efluente final atinja os padrões requeridos.
O chorume pode ser tratado de modo semelhante ao esgoto, de maneira a acelerar a deterioração dos resíduos sólidos e remover metais pesados. Mas nem tudo é problema: os gases do líquido malcheiroso podem ser usados para a geração de energia. O chorume segue do aterro para a lagoa através de drenos. Bauru nunca havia esvaziado as lagoas, que foram construídas em 2007.