09 de julho de 2026
Geral

Nova dieta inclui a energia gasta para digerir alimento

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 4 min

A quantidade de energia que o corpo gasta para digerir um alimento entrou na conta que define os cálculos para uma dieta saudável. Digerir um pedaço de carne exige mais do organismo do que digerir um pedaço de bolo. Portanto, uma caloria do bolo engorda mais do que uma caloria de carne.

Essa é a conclusão a que chegaram os Vigilantes do Peso da Inglaterra e resultou em mudanças na contagem de pontos do método de emagrecimento adotado mundialmente pela organização. Desde que o método chegou ao Brasil, em 2001, esta é a primeira mudança no plano alimentar.

Durante esse tempo, ocorreram modificações no que tangem às reuniões do grupo, na orientação das atividades físicas e nos hábitos alimentares. A tabela nutricional e os cálculos para uma vida saudável permaneceram inalterados.

Para Rodrigo Strickland Faro, diretor dos Vigilantes do Peso no Brasil, as mudanças ocorreram e continuam ocorrendo porque, conforme avançam os estudos, novidades vão surgindo e os paradigmas mudam.

Segundo ele, a base do programa de emagrecimento adotado pelos Vigilantes continua inalterada. “Apenas atualizamos alguns pontos”, diz. De acordo com Faro, o plano alimentar sempre esteve mais estático porque, até então, não havia surgido nada que justificasse qualquer modificação.

Apesar da alteração já ter sido anunciada, ela somente será incluída no sistema adotado pelos Vigilantes do Peso no Brasil, provavelmente, em meados do próximo ano. “O programa passa agora por um processo de adaptação à alimentação brasileira. E isso não é algo de curto prazo. Demora um pouco”, afirma.

Na opinião dele, as mudanças levam em consideração tudo o que se sabe de mais recente sobre alimentação e como cada tipo de alimento é processado dentro do organismo.

Para o diretor, foi um passo além dentro da tabela de calorias. Segundo Faro, descobriu-se que 100 calorias de uma carne magra não têm o mesmo valor nutritivo do que 100 calorias de um pedaço de chocolate.

“A nova fórmula leva em consideração a maneira como digerimos os alimentos. A proteína magra e as fibras são digeridas de uma forma bem diferente em nosso organismo do que a gordura de um carboidrato”, explica. “Nós gastamos energia para digerir um alimento e isso não era levado em consideração até então”, comenta.

De acordo com o programa de pontos adotado pelos Vigilantes do Peso, todos os alimentos têm um valor em pontos, baseado no teor de calorias, gorduras e fibras. Cada pessoa tem uma cota diária de pontos. Ao se alimentar, é preciso tomar cuidado para não ultrapassar essa cota diária.

O programa foi lançado em 2001. Quatro anos depois, houve a primeira modificação, que foi a introdução de 35 pontos extras por semana. Segundo Faro, mesmo que esses pontos sejam utilizados, o consumo extra não irá comprometer o processo de emagrecimento.

Somente agora foi anunciada outra mudança. Desta vez, a alteração é mais biológica. Por se tratar de uma área em que se realiza muitos estudos, Faro acredita que outras mudanças devem surgir em breve. Segundo ele, o programa é como um organismo vivo, que está em constante transformação.

Endocrinologista aponta progresso na nova fórmula

É difícil determinar com precisão quanto é gasto pelo organismo no processo de digestão de cada alimento. A afirmação é do endocrinologista Flávio Miano. Segundo ele, isso varia entre cada indivíduo.

No entanto, ele vê um avanço no método utilizado pelos Vigilantes do Peso. Para Miano, a nova proposta tem vantagens em relação à utilizada atualmente, cujo foco está no valor calórico dos alimentos.

Entre as vantagens está o incentivo ao consumo de mais fibras e proteínas e menos gorduras e carboidratos - nutrientes consumidos em proporção acima do recomendado, pelos brasileiros.

Segundo ele, nos métodos baseados apenas em calorias, a pessoa pode controlar a quantidade ingerida, mas optando pelo que bem entender, por exemplo, lanches e guloseimas. Isso, na avaliação do endocrinologista, não leva a um real aprendizado de alimentação e pode causar efeitos sobre o colesterol e triglicérides.

Ele lembra, ainda, que o modo de preparo pode ter efeitos também sobre o metabolismo. Assim, um alimento processado ou refinado pode ter o mesmo valor calórico que a versão integral ou “in natura”. Porém, sua velocidade de digestão e absorção é mais rápida. O gasto energético do organismo para digeri-lo é menor, ele sacia menos e estimula mais a produção de insulina, hormônio que, em excesso, contribui para ganho de peso.

Segundo Miano, métodos de emagrecimento sempre vêm e vão. Mas, no fim, somente entra em forma mesmo quem realmente aprende a velha receita, que de mágica não tem nada. “É preciso cuidar da qualidade do que se come, evitar exageros e gastar as calorias ingeridas. Para isso, ter uma rotina alimentar é fundamental, equilibrar os diversos nutrientes (carboidratos, proteínas, gorduras, hortaliças) em cada refeição e evitar o sedentarismo são pontos-chave”, recomenda.

Reduzir o estresse do dia a dia e dormir bem são outros dois pontos tão importantes quanto uma alimentação saudável, segundo Miano.