O tempo que um determinado alimento leva para ser digerido varia de organismo para organismo. Depende do metabolismo de quem o consome. Lembrar a tarde toda da salada de pepino que foi servida no almoço é um sinal de digestão lenta. E isso é genético.
De acordo com a nutricionista Eliane Petean, todos apresentam facilidades e dificuldades durante a digestão. Por isso, segundo ela, sempre haverá um alimento que não irá combinar muito bem com o estômago de quem o consumiu. E o processamento desse alimento, com certeza, exigirá mais energia do organismo.
Por esse motivo, a nutricionista concorda com as modificações que foram anunciadas pelos Vigilantes do Peso em seu programa de emagrecimento.
Segundo ela, cada pessoa tem a sua individualidade e isso tem de ser levado em consideração na hora de definir uma dieta. “Tem pessoas que digerem mais rapidamente um alimento do que outro. Depende muito da produção de enzima feita pelo organismo”, explica Eliane.
De acordo com ela, algumas pessoas produzem poucas enzimas e isso dificulta a digestão de certos alimentos. “Tem pessoas que comem 50 gramas de carne e é como se não tivesse comido nada. Outras consomem a mesma quantidade e parece que comeram um boi inteiro”, cita.
Além da predisposição genética, Eliane lembra que é preciso considerar também o ambiente em que a pessoa vive ou trabalha. Segundo ela, uma situação de estresse, por exemplo, pode desencadear problemas de má digestão.
Por causa dessas particularidades, a nutricionista diz que sempre é importante consultar um profissional antes de iniciar qualquer regime alimentar. Ao montar um cardápio, ela conta que é preciso saber quais alimentos têm digestão mais lenta e quais podem acelerar o metabolismo - são alimentos que vão produzir enzima e fazer o organismo funcionar corretamente.
Segundo Eliane, às vezes, a pessoa passa a comer uma quantidade maior de alimentos do que antes e mesmo assim perde peso. Isso se dá porque, de acordo com ela, uma alimentação equilibrada favorece a digestão.
Sob orientação
Gabriel Lima seguiu a orientação da nutricionista. Um belo dia, ele decidiu que “não queria mais ser gordo” e foi procurar um endocrinologista. Nove meses depois de ter tomado essa decisão, ele está 65 quilos mais magro e faltam apenas cinco para chegar ao peso aceitável.
Para chegar a esse resultado, muito comemorado por ele, teve de passar por uma mudança radical em seu estilo de vida. Ele teve de deixar o sedentarismo de lado e passou a caminhar praticamente todos os dias. Alimentos à base de massa, açúcar e outras substâncias ricas em caloria foram riscadas do cardápio.
As refeições foram fracionadas. Ao invés de encher o estômago de comida no almoço e no jantar, passou a comer várias vezes ao dia, em quantidade bem reduzida. Apesar de comer pouco, afirma que não sente fome.
“Eu vejo isso como uma demonstração clara do quanto eu me alimentava de forma errada”, afirma. Embora esteja bastante satisfeito com o resultado obtido até o momento, Gabriel diz que é preciso muita determinação para levar o tratamento adiante.
Na opinião dele, o preparo psicológico é responsável por cerca de 90% do sucesso de um regime. “É esse preparo que faz você manter a disciplina”, afirma. Gabriel já havia se submetido a um regime semelhante anos atrás, com bons resultados, mas desistiu depois de um tempo.
“Desta vez, não vou quebrar a promessa que fiz a mim mesmo. Nunca mais quero ser gordo. Sei o quanto isso é ruim, tanto social quanto pessoalmente. Existe muito preconceito e as dificuldades são grandes, além dos problemas para a saúde”, cita. “Hoje, tenho outra cabeça. Estou mais maduro. Sei o que tenho de fazer. É outra vida”, afirma.