08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

ATÉ BREVE 2010...


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Pois já podemos começar a nos despedir de você, mero período de tempo irreal que a muitos de nós causou tristezas. Mas reconhecemos que proporcionou, em escala bem maior, momentos de alegrias. Seguimentos de circunstâncias que nos ofereceu sensações de perdas no bailar de seus rápidos minutos fatídicos. Mas com a certeza de ganhos em horas longas de madrugadas líricas, quando conseguimos compor aquele poema tão simples que fala de amor. Você, 2010, se aproveitou da nossa distração e levou mendigos, boêmios, lavradores, palhaços, loucos e poetas em um único resumo de instante. Esses maravilhosos visionários, os quais preferimos acreditar que seguiram em revoadas de anjos a caminho das grandes festas do além. E isso nos causou desânimo durante dois ou três dias nublados.

Mas sejamos otimistas, 2010, afinal nos ofereceu de presente incontáveis noites banhadas com o magnífico brilho das estrelas, anunciando o nascimento de milhares e milhares de criaturinhas com inteligências privilegiadas. As quais serão responsáveis por um mundo muito melhor no futuro, eliminando de vez as diferenças gritantes entre nós, seres humanos. Até breve, 2010 ... Pois você é uma utopia inaceitável e inexistente diante da senhora eternidade. Mais simplista mesmo, foi quem idealizou esse tal calendário universal. Afinal, o que é um “ano” diante do tempo que se resume em si? Nada. Nós, pelo menos, somos humildes a confessar que choramos o frio das crianças pobres naquela sua manhã tão clara, real e duradoura. Aproveitamos essa mesma manhã em questão para cultuar o amor e sentimo-nos tão sozinhos. Afinal, foi justamente aí, 2010, que você tocou os nossos corações com o seu insistente e acentuado cinismo. Nós, humanos, às vezes nos sentimos sozinhos sim, aceitamos, mas solitários jamais.

E agora te provoco em nome dos meus, os quais eu amo: você, 2010, não passa de um acaso fragmentado , encarcerado e pensativo em uma suposta entidade fictícia. E sempre será desprezado pelo passado e ignorado pelo futuro.E não era nossa intenção te humilhar. Afinal, ainda estamos em você. Mas desde agora, na humilde condição de poeta, decreto que em 2011 não vamos pronunciar a palavra perder. Até breve, 2010... Não poderia esquecer de dizer, também, que foi traiçoeiro quando patrocinou a morte de irmãos, pais, filhos... Mas sentimo-nos vingados. Afinal, se nos tirou pessoas que amávamos, quando o trinta e um sintetizar-se no um, desaparecerás também levando nossas mágoas.

Portanto, 2010, já está perdoado, porém tornar a lembrar na hora de um “até breve” os momentos amargos e de angústias é inevitável .Tem que compreender nossas fraquezas, e até a sua partida definitiva suplicamos por piedade e consolo, por favor. No entanto, se fôssemos um pouco mais sábios e fortes, necessário não seria; porque um novo encontro é certo para os verdadeiros amigos e todos aqueles que realmente se amam, nessa meticulosa esfera onde toda despedida é ilusória. Sendo assim, 2010, sejas também menos orgulhoso e leva contigo tudo que é triste, e entrega a 2011 apenas as alegrias. E se não for pedir muito, proíba o sofrimento e a morte de perambular por aqui. Ordena, também, ao seu sucessor que proteja e ofereça só coisas boas a nós, maravilhosos seres humanos. (Vinícius Otávio Patuço)