08 de julho de 2026
Polícia

Vítima de homicídio é reconhecida

Mariana Cerigatto
| Tempo de leitura: 3 min

O corpo do jovem encontrado no último dia 16 com um ferimento na altura da nuca - provavelmente causado pelo disparo de uma arma de fogo - foi reconhecido pela família ontem de manhã no Instituto Médico Legal (IML) de Bauru. A vítima é Diego Laureano Pires de Oliveira, 28 anos, morador de Bauru.

Diego foi encontrado caído sobre a linha férrea debaixo do viaduto da rua Treze de Maio, na área central de Bauru. Antes mesmo de chegar o socorro, ele já estava sem vida.

O fato foi registrado em boletim de ocorrência (BO) como homicídio qualificado. De acordo com informações contidas no documento, próximo ao corpo da vítima havia um par de tênis aparentemente novo, ainda etiquetado. Outro par de tênis usado também foi recolhido perto do jovem, mas ele foi encontrado descalço.

Uma testemunha disse à polícia ter ouvido sons de disparos de arma de fogo, seguidos de gritos femininos, que seriam de uma moça que teria presenciado os fatos e, em seguida, corrido do local.

Ontem, muitos parentes da vítima compareceram no IML e seguiram para o centro velatório do Jardim Redentor.

O pai de Diego, que teve sua identidade preservada, ficou muito abalado após reconhecer o corpo do filho e suspeita que a morte tenha ligação com uma possível dívida de droga, já que a vítima era usuária de crack. “Ele morava sozinho e, apesar de tudo, era uma rapaz bom e tinha um relacionamento normal com a família”, comentou o pai.

Limite

Com mais esse caso, Bauru soma 46 mortes violentas, conforme levantamento do Jornal da Cidade. A cidade ultrapassou o limite que a Organização das Nações Unidas (ONU) considera aceitável para este tipo de crime num ano.

Considerando sua população, o município não poderia ter mais de 36 assassinatos em 2010. Em 2009 inteiro foram 28. No início desta década, por quatro anos seguidos Bauru registrou mais de 40 casos por ano. O recorde foi em 2004, com 49 assassinatos.

Na avaliação do tenente-coronel Nelson Garcia Filho, comandante do 4.º Batalhão da Polícia Militar do Interior (4º BPM/I), o avanço do uso do crack e de outros entorpecentes na cidade é um fator que contribui para a crescente onda de violência.

“Estamos fechando o ano com um número de homicídios maior que o ano passado. São casos difíceis de serem evitados e mais da metade deles são causados por dívidas de drogas”, frisa.

Conforme Garcia relata, para sustentar o vício, alguns dependentes se envolvem com furtos, roubos e, mesmo após serem detidos ou presos, continuam na criminalidade pois não conseguem deixar de consumir o entorpecente.

“A busca é alucinante e chega uma hora em que os dependentes não conseguem pagar a dívida, que vai se acumulando. Após uma série de ameaças e cobranças, os traficantes, então, partem para matar”, enfatiza.

O comandante destaca que uma das principais frentes de ação da Polícia Militar (PM) para 2011 será voltada para o combate ao crime organizado. “Para evitar esse tipo de morte, precisamos atacar a base dos traficantes. As pessoas precisam denunciá-los à polícia. A notificação pode ser anônima”, salienta.