Há algumas semans, infelizmente, fomos novamente vítimas da fúria da natureza. Uma forte chuva lavou e destruiu mais um pouco da nossa cidade. Como se não bastasse o estado lastimável da av. Nações Unidas, agora foi a vez da av. Rodrigues Alves. As duas principais vias de Bauru avariadas como uma enorme ferida. Já dizia o ditado que “desgraça pouca é bobagem” e, numa tétrica reunião de coincidências, pudemos observar um triste quadro. No cruzamento da Rodrigues com a Aureliano Cardia, pouco antes do viaduto que sobrepõe a Rodovia Marechal Rondon, uma placa subterrânea de concreto de deslocou do lugar e desabrochou em meio ao asfalto o que afunilou o trânsito, no sentido centro-bairro, para a esquerda da via.
Andando mais alguns metros o afunilamento mudou de lado, devido a um abalroamento envolvendo três veículos. E cerca de 5 metros à frente desses, mais dois veículos: um enguiçado e outro se preparando para o reboque.
A infeliz coincidência de “mini-catástrofes” nos faz refletir sobre a fragilidade bauruense em relação a problemas. A impressão que temos é que a cidade é feita de papel e que pode desmoronar ou simplesmente se desmanchar a qualquer momento. O problema é que Bauru já tem 115 anos e sua estrutura básica é quase tão idosa quanto. Incluam-se nessa lista, primordialmente, galerias pluviais, galerias de esgoto, asfalto, aterro sanitário, entre outros. A grandiosidade do progresso parece não ter chegado até a nossa fraca logística que permite que falhas se transformem em tragédias, causando o caos. Como bauruenses, sentimo-nos envergonhados e aterrorizados com a situação caótica que a chuva instaurou no município.
Em poucos dias a av. Nações Unidas teve sua área danificada recapeada quase que integralmente, restando apenas sujeira e vestígios ruins de uma catástrofe que poderia, sim, ter sido evitada. Cabe aos nossos governantes - prefeito, vereadores e deputados – que tenham um olhar mais crítico e lógico.
Mais do que se consertar os danos estéticos, necessitamos que se crie uma Bauru mais apta a lidar com problemas. De que adianta recolocar o asfalto arrancado se na próxima tempestade as galerias pluviais vão transbordar e a destruição se repetir? Por ser bauruense, e me orgulhar de sê-lo, desejo que tenhamos um município mais “maduro”, com a mesma aptidão de crescer e com a nova aptidão de não cair. Que as belezas e virtudes desta terra sejam sempre mais evidentes do que seu caos e que, de preferência, não seja necessário que se percam mais vidas para que isso possa acontecer.
Otavio Augusto Amaral de Calmon Borges - professor e servidor público municipal