Frankfrut - Uma nova onda de nevascas atinge ontem boa parte da Europa, causando fechamento de aeroportos e atrasos e cancelamentos de voos. Às vésperas do Natal, milhares de passageiros passaram a noite nos terminais, sem saber se conseguirão embarcar.
Na Alemanha, mais de 1.000 voos foram cancelados nos aeroportos de Frankfrut, Munique e Berlim, os principais da Alemanha, e muitos outros sofreram atrasos por causa de o acúmulo de neve, que chegou a 40 centímetros em todo o país.
No aeroporto de Frankfurt, mais de 500 pessoas tiveram de dormir em camas de armar. A Fraport, a empresa que gere o aeroporto, relatou que no início da manhã de ontem pelo menos 292 voos (dos 1.325 previstos para o dia) foram cancelados. A empresa instalou de forma provisória cerca de 1.000 camas em um dos terminais para os passageiros que foram obrigados a pernoitar no aeroporto, alguns pelo terceiro dia consecutivo.
A Alemanha está há quase três semanas sob uma camada de neve que dificulta o trânsito nas estradas e o tráfego aéreo e causou o fechamento de centenas de escolas e o desabastecimento de alguns postos de gasolina.
As empresas aéreas recomendaram que os passageiros viajem de trem, mas a empresa ferroviária Deutsche Bahn, sobrecarregada, sugeriu que as pessoas fiquem em casa.
Acostumados à pontualidade nos transportes, muitos alemães se irritaram com os atrasos em aeroportos e estações. A neve já se acumula há duas semanas no país, e os meteorologistas alertam que ainda deve nevar mais.
Quem gostou da situação foram os varejistas que vendem trenós infantis, que se esgotaram nas lojas. “Tanta neve assim só é divertida para quem é criança”, disse a advogada Katja-Julia Fischer, 42 anos, em Berlim. “Isso está me dando nos nervos.”
O Estado mais populoso da Alemanha, a Renânia do Norte-Vestefália, tomou a rara medida de proibir a circulação de caminhões, para tentar reduzir os congestionamentos. Em Berlim, um ferroviário morreu atropelado por um trem quando tentava descongelar um entroncamento.
No Reino Unido, a situação também não melhorou. Embora os principais terminais aéreos - Heathrow, Stansted, Edimburgo e Southampton - estivessem abertos, havia cancelamentos e atrasos.
Ontem foi possível ver novamente centenas de passageiros pernoitando nos diferentes aeroportos britânicos. A British Airways alertou que o mau tempo deve continuar causando transtornos. A meteorologia prevê mais nevascas hoje no sul do Reino Unido.
O mau tempo afetou o movimento das lojas na época de Natal. A John Lewis, maior rede britânica de lojas de departamentos, disse que as vendas caíram mais de 10% anteontem. A francesa Auchan também disse que seu faturamento foi afetado.
Alguns varejistas estão rejeitando novos pedidos ou cancelando os já existentes por causa de problemas de entrega, segundo a entidade setorial IMRG.
Na França, cerca de 3 mil pessoas que não puderam pegar seus voos dormiram nos terminais do Aeroporto Charles de Gaulle. A Direção Geral da Aviação Civil da França (DGAC, na sigla em francês) decidiu ontem cancelar 30% dos voos nos dois aeroportos de Paris, afetados por novas nevascas.
Os serviços meteorológicos indicaram ontem que a frente fria que provocou nevascas no norte da França, e que teve origem no Atlântico, havia terminado sua passagem pela Bretanha e Normandia e se dirigia para o leste.
O serviço ferroviário Eurostar, que atende França, Bélgica e Reino Unido, funcionava com lentidão, e a empresa cancelou a venda de passagens até o dia 24.
Na Itália, a neve deu ontem uma trégua à maior parte do território, no qual seis pessoas morreram nas últimas horas pelas baixas temperaturas e em acidentes de trânsito causados pelas más condições meteorológicas.
As estradas italianas recuperam pouco a pouco a normalidade, embora o gelo seja a principal preocupação das autoridades, sobretudo nas regiões do centro-norte como Piemonte.
A Bélgica também proibiu caminhões nas estradas depois de registrar 600 quilômetros de congestionamentos, na região da Wallonia.
Na Polônia, seis pessoas morreram de frio na noite de anteontem, levando a 114 o total em um mês.