09 de julho de 2026
Articulistas

Sociedade indiferente

Joaquim Eliseo Mendes
| Tempo de leitura: 2 min

Depois que duas pessoas, alta e reconhecidamente pacíficas me interpelaram sobre o mega aumento de 61,2% que os deputados federais se auto concederam em poucos minutos; de que um vereador de uma grande cidade próxima da capital do Estado está propondo um outro aumento de 90% para a próxima legislatura e por que , em comparação com outros países europeus como se vê através da mídia ocorrem manifestações muitas vezes violentas enquanto que em nosso país o povo tem aceito pacificamente e indiferente essas aberrações, caiu-me a ficha. O que será que realmente está acontecendo com o nosso povo que presencia indiferente e friamente esses acontecimentos ou estado de coisas e que aceita e se auto justifica como naturais? Haja vista que será desencadeada uma cascata de aumentos, enquanto que aposentados da previdência social a duras penas não conseguiram nem 10% de aumento e que nós, professores aposentados estaduais estamos há 13 anos sem aumento e, pior, sem qualquer expectativa. Até entendo o pensamento de um leitor que não tenha algum tipo de ligação com o magistério e por curiosidade ler esta matéria pensar consigo mesmo - lá vem o choramingas batendo na mesma tecla, aumento, aumento de professor. E ainda pensando consigo mesmo, - pois está no Plano da Educação do Governo que em 20 anos corrigirá as distorções em relação aos professores em todo território nacional. Como afirma o adágio popular, teoria é uma coisa e a prática é outra. Não nos interessa as melhorias que serão concedidas até em 20 anos, mas sim, o presente! E como o caso dos precatórios que milhares de professores e outros funcionários têm direito a receber e não são pagos. Quantos colegas já faleceram sem recebê-los? Caríssimo leitor e colega. Não são apenas colocações ou questionamentos de um professor.. Porém esta apatia, esta aceitação de fatos esdrúxulos, imorais e anti-sociais que não estão acontecendo apenas em relação as concessões de uma minoria enunciados no intróito, e não são únicos, mas aparecem em muitos setores ou áreas da sociedade. O que há? Avalie, situe as áreas ou setores da sociedade nos quais estão ocorrendo, dos mais variados modos, quase sempre disfarçados e justificados com justificativas que não convencem por não serem verdadeiras O que será que está acontecendo com a nossa sociedade, com nosso povo? Os colegas e demais leitores haverão de convir comigo de que essas anomalias constituem campos de estudos não para um simples professor aposentado, ou mesmo para você mesmo, prezado leitor, mas para sociólogos, psicólogos sociais, cientistas sociais, cientistas políticos, antropólogos e outros especialistas.

Mas, apesar das incoerências com as quais também nos acostumamos e também aceitamos porque somos conscientes, porém indefesos, desejo-lhes um FELIZ NATAL.

E que pelo trabalho que tanto fizemos, por aqueles que ajudamos a formar e educar, tenhamos em alento de esperanças no próximo Ano Novo!

O autor, Joaquim Eliseo Mendes, é professor e colaborador do Opinião