10 de julho de 2026
Esportes

Basquete: Itabom retorna aos treinos e pode ter mais dois reforços

Wagner Teodoro
| Tempo de leitura: 5 min

Já pensando na próxima temporada, o Itabom/Bauru pode acertar com dois reforços. O ala Castellon e o armador Lucas iniciaram, ontem, um período de treinos com a equipe e podem ser contratados pela equipe bauruense. “O Castellon, que jogou na Metodista (São Bernardo), vai treinar com a gente, vai fazer quatro dias de testes. Estamos trazendo um armador que é da Seleção Brasileira junto com o Benitez, que é o Lucas, que estava em Rio Claro, moleque do Paulistano, excelente armador, e também começa hoje (ontem). Já estamos pensando em junho, para a próxima temporada”, aponta o treinador.

Guerrinha afirma que a permanência dos jogadores em Bauru seria importante, mas está condicionada a um acerto financeiro no apertado orçamento da equipe. “Estes jogadores podem contribuir, se der certo financeiramente para ficar agora. Mas a gente está muito em cima do Pedro (Poli, presidente do Bauru Basket), muito em cima da Itabom e com pouca participação da comunidade”, constata. O ala Will, ex-Piracicaba, que passou por período de treinos em Bauru, não permaneceu. “O Will teve uma proposta melhor para sair, a gente gostaria de ficar mais tempo treinando com ele, mas liberamos”, lamenta Guerrinha.

O time voltou aos treinos ontem. O ala/armador Larry Taylor embarcou ontem de Chicago (EUA) e chega hoje para se reintegrar ao elenco. Já o voo do pivô Jeff teve problemas por causa das fortes nevascas em Nova Jersey, foi adiado e o jogador só se apresenta na quarta-feira.

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‘Ninguém em sã consciência recusaria esse convite’, diz Vecchi sobre seleção

O paulistano Ênio Ângelo Vecchi, de 51 anos, ainda não teve muito tempo para se acostumar: no último domingo foi oficialmente anunciado como técnico da seleção feminina de basquete, com contrato até 2012. “Parece que os dias estão emendados”, brincou o treinador, que ontem concedeu as suas primeiras entrevistas como dono do cargo.

Ênio será o terceiro técnico da seleção feminina no curto mandato de Carlos Nunes, que assumiu a presidência da Confederação Brasileira de Basquete (CBB) em maio de 2009, e terá a difícil missão de classificar o time para a Olimpíada de Londres, em 2012. Ele substitui o espanhol Carlos Colinas, que ficou apenas nove meses no cargo e decepcionou no Mundial da República Checa - a equipe ficou em 9.º lugar.

Antes de ter empossado Ênio, a CBB ouviu o “não” de dois técnicos. Resolveu, então, apostar em um treinador sem qualquer experiência com equipes femininas e que precisará, ainda, dividir forças com o time masculino que dirige, o Cecre/Vitória (ES). A “vida dupla” do técnico se estenderá até o fim do NBB (Novo Basquete Brasil), em abril de 2011.

Apesar da situação complicada, Ênio diz que não titubeou para assumir a seleção. “Quando me ligaram, falei na mesma hora que tinha interesse e só pedi que falassem com o presidente do meu clube. Fui prontamente atendido e, enquanto isso, tive um tempinho para pensar”, contou o treinador. “Acho que ninguém em sã consciência recusa esse convite. Foi uma feliz surpresa”.

Assumir uma seleção não é novidade para Ênio. Ele comandou a seleção masculina no Mundial do Canadá, em 1994, quando ficou com a 11.ª colocação (a segunda pior na história). Também foi auxiliar de João Marcelo Leite no Sul-Americano deste ano, na Colômbia - a seleção garantiu o ouro e a vaga para o Pré-Olímpico de Mar del Plata, na Argentina, em 2011.

Ênio terá que se desdobrar para conhecer jogadoras - veteranas e promessas -, achar datas para viajar, ver jogos da Liga Feminina, que termina em fevereiro, e acompanhar as possíveis rivais do Pré-Olímpico. “Vou ter que dar um jeito. Quero estar nos grandes jogos, dentro e fora do Brasil”, admitiu. E já se prepara para possíveis críticas dos colegas que militam no feminino e foram preteridos na escolha feita pela CBB. “Eu gostaria muito de acompanhar bem de perto. A gente sabe que vai ter um certo melindre dos técnicos, mas que não é pessoal. Isso é parte do desafio”.

Ajuda

Não é a primeira vez que um técnico de time masculino é chamado para treinar a seleção feminina. Isso aconteceu também com Miguel Ângelo da Luz, que levou Hortência, Paula e Janeth ao título mundial de 1994, na Austrália. Para repetir semelhante sucesso (e que começou com uma boa dose de desconfiança), Ênio já definiu a sua estratégia. “Preciso primeiro construir o time emocionalmente para depois construí-lo dentro de quadra”.

Ainda preocupado com o modo de agir com as meninas, diz que pedirá muita ajuda a Hortência Marcari, diretora do departamento feminino da CBB, e Janeth, que será a sua auxiliar. “O basquete tem uma linguagem mundial, mas eu preciso entender melhor as atletas. No masculino, o técnico dá uma bronca e, às vezes, a coisa se resolve. No feminino, já existe uma diferença. Temos que construir um relacionamento autêntico”.

Negativas

Antes da confirmação de Ênio Vecchi, Hortência recebeu negativas de Janeth e de Luiz Augusto Zanon, técnico de Americana, para o cargo de técnico da seleção. “Eu não poderia deixar de chamar a Janeth para o cargo. Mas ela teve o bom senso de não aceitar agora”, disse Hortência, sobre o convite para a assistente-técnica, que já foi “anunciada” como treinadora do ciclo até 2016.

Já o “não” de Zanon, que fez a transição do masculino para o feminino com sucesso, foi uma surpresa, diz a dirigente. “Eu juro que não esperava e até agora não entendi direito”, afirmou Hortência. Zanon, que renovou contrato com Americana, alegou que a CBB oferecia um contrato a curto prazo e ele preferia não se arriscar.