Gosto quando leitores nos escrevem perguntando algo que lhes preocupa ou pedindo algum esclarecimento técnico, e fico mais contente ainda quando estou à altura para lhes responder. Na semana passada recebi duas perguntas interessantes e gostaria de respondê-las aqui, para que outros possam se aproveitar da mesma informação.
Nosso amigo leitor Luiz Carlos Navarro Pontes enviou um e-mail perguntando “Sou leitor do Jornal da Cidade e também do suplemento Auto Mercado há vários anos. Tenho particular interesse nos artigos de sua autoria porque são sempre assuntos de interesse. Tenho uma dúvida e não sei se já foi assunto que você abordou em alguma das publicações do jornal. Refere-se à colocação de “engate”, especificamente como a maioria faz, com a finalidade de se proteger de possíveis colisões causadas por outros veículos. A dúvida é o seguinte: A colocação desse componente causa algum tipo de risco à estrutura do veículo? Entre prós e contras, qual a sua posição a respeito. Ficaria imensamente grato por sua resposta.”
Caro Luiz Carlos, realmente eu havia escrito sobre engates há muito tempo atrás, mais precisamente em março de 2006 (é, já fizemos quase 260 artigos...) e em um trecho eu dizia “Engate de reboque foi feito para rebocar carreta e não para proteger parachoque contra batidinhas. Já o parachoque foi feito para levar batidas e amortecer o impacto da colisão, dissipando a energia e protegendo os ocupantes do veículo. É melhor detonar um pedaço do carro do que machucar seus ocupantes, não? Mas muitos espertos acham que não. Custa caro repor e, hoje em dia, quase todos os carros têm capas plásticas de acabamento externo, simulando pára-choques, os quais na verdade estão internos como estruturas metálicas de absorção de impacto (...). O uso indiscriminado de engates fixos, hoje se comprova que mais de 80% dos instalados nunca puxaram nenhum tipo de carga, vem causando diversos problemas. A começar no próprio veículo em que está instalado. Sua instalação demanda pontos rígidos de fixação nas longarinas ou no chassi do veículo, quando existente. Eu mesmo vi diversos instalados de qualquer maneira, apoiados em apenas 2 pontos (quando se necessita de pelo menos 3 pontos para dar rigidez a uma fixação qualquer, pelo princípio da estabilidade dos triângulos), ou como vi em um Omega, com 2 pontos laterais de fixação bem ancorados na longarina mas o terceiro fixo por parafuso em um furo feito no assoalho do porta-malas, sob o estepe... no primeiro toque mais forte que levou, o engate entrou para dentro, amassou todo o pára-choque, rasgou o assoalho do porta-malas e danificou o estepe...”. Ou seja, Luiz: se for bem ancorado, além de instalado e usado corretamente, não tem problema nenhum.
Nosso amigo leitor Adriano, de Macatuba (não deixou sobrenome), pergunta sobre a resistência das rodas de alumínio, pois ele tem notado que muitos carros com estas rodas sofrem amassamentos e até quebras quando caem em buracos. É verdade, Adriano. As rodas de aço são mais resistentes do que as de alumínio na maioria das vezes, mas nem sempre. As rodas de liga leve, como as de alumínio, têm muitas vantagens sobre as de aço, como menor peso, maior beleza, proporcionam menos massa não suspensa (o que melhora a eficiência da suspensão), mas precisam de um piso mais homogêneo e liso para mostrarem todo seu talento. Já as rodas de aço aceitam mais desaforo, caem em buracos e amassam menos, e ainda permitem que se possa dar umas marteladas e desamassá-las no próprio local do acidente, trazendo o carro de volta pra casa. Mas lembremos que existem jipes e picapes que usam as rodas de alumínio sem problemas, como os Land Rover, Ranger, S-10, Mitsubishi, Nissan, Toyota, mas repare que elas são muito mais grossas do que as de carro. Para andar no asfalto ou em trilhas leves, elas vão muito bem, mas para um uso mais radical em trilhas pesadas, repare que os jipeiros preferem rodas de aço. O problema com os amassamentos que você mencionou tem mais a ver com a forma com que a roda cai no buraco e a velocidade no momento do impacto. Se entrar com cuidado, sem dar tranco na borda do buraco e com os pneus calibrados corretamente, a chance de amassar é bem pequena. O problema é quando se usam pneus de perfil baixo, como os de série 50 ou menores, que proporcionam muito pouca borracha para absorver o impacto e não impedem que a roda seja afetada.