Chegou a época de festas de final de ano e, mais uma vez, o bauruense tem pelo menos um motivo para não comemorar. Pelo segundo ano consecutivo, a cidade enfrenta problemas com o atraso na coleta de lixo domiciliar, fruto das deficiências estruturais no serviço de coleta da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb), que continua trabalhando com uma frota obsoleta de caminhões para realizar o serviço.
A situação é bastante antiga, mas fica mais evidente no período de comemorações natalinas e de Ano Novo, quando a produção de resíduos costumeiramente aumenta. Na passagem para o ano de 2010, o drama foi o mesmo e toneladas de detritos se acumularam ao longo das vias públicas por mais de uma semana, no que chegou a ser chamado de “apagão” do lixo.
Neste final de ano, segundo queixa de moradores, os atrasos novamente se repetem e já se arrastam pelo mesmo número de dias. Conforme divulgado na edição de ontem do JC, o Jardim Terra Branca e a Vila Independência foram prejudicados pela ausência de coleta desde a semana passada.
Morador do Parque Colina Verde, o aposentado Jurandir Pereira de Almeida revela que os problemas começaram na segunda-feira retrasada, dia 20 de dezembro. “A coleta que teria de ser feita na segunda foi feita na terça-feira, a de quarta foi feita na sexta-feira, e desde então o bairro está sem o serviço. A quantidade de lixo é enorme e a prefeitura só não resolve essa situação porque não quer. Não sobraram R$ 14 milhões no orçamento? Por que não investe no que está faltando para a cidade?”, questiona.
Ainda ontem, Almeida ainda tinha esperanças de que os resíduos que tomavam conta das calçadas do bairro fossem recolhidos. Mas, de acordo com diretor de limpeza pública da Emdurb, Ewerton Mussi Hunzicker, a previsão é de que fossem retirados somente hoje, cinco dias após a última coleta.
Embora o morador do Parque Colina Verde relate que a deficiência do serviço esteja ocorrendo desde o último dia 20, Hunzicker explica que o grande acúmulo de lixo que ainda pode ser visto nas ruas foi provocado pela quebra de três caminhões da Emdurb entre os dias 23 e 24.
“Nós estamos sem caminhão reserva para que o serviço pudesse ser concluído. E não tivemos tempo hábil para comprar as peças necessárias para consertar o caminhão até o final da semana passada”, argumenta.
Serviço parcial
Com o serviço realizado apenas parcialmente - já que três dos 17 caminhões de que a prefeitura dispõe estavam fora de circulação, vários bairros deixaram de ser atendidos. Para piorar a situação, no feriado de Natal, quando as residências habitualmente produzem mais lixo, a coleta deixou de ser realizada para que os funcionários pudessem descansar.
Na segunda-feira, dia 27, os coletores voltaram ao trabalho, mas os caminhões ainda não estavam consertados e a recolha dos resíduos não foi efetuada por completo. Somente ontem a Emdurb conseguiu colocar todos os veículos de coleta nas ruas. A autarquia alegou, no entanto, que não teria condições de percorrer os bairros que não constavam na programação do dia.
“Em razão do que deixou de ser feito no sábado, o volume de lixo é muito grande. Para fazer a divisão de peso, alguns bairros tiveram de ser atendidos por mais de um caminhão. Nós não temos equipes suficientes para atender todos os bairros da cidade do mesmo dia”, frisa Hunzicker.
Segundo ele, anteontem foram recolhidas 413 toneladas de lixo nas regiões atendidas pelo serviço. Em dias normais, costumam ser apanhadas 250 toneladas de detritos na área em questão. Para ontem, a expectativa é de que fossem coletados 450 toneladas de resíduos somente nos setores que são normalmente atendidos nas terças-feiras.
Não estavam incluídos na programação os cerca de 15 bairros que, até o final da tarde de ontem, ainda estavam com a coleta em atraso total ou parcialmente, entre eles os jardins Ivone, Silvestre, Dona Sarah, Estoril, América, Nasralla e Parque Colina Verde, além das chácaras localizadas nas imediações da rodovia Bauru-Arealva. Segundo Hunzicker, aproximadamente 18% da cidade ainda permanecia com o serviço irregular, mas a previsão é de que toda a recolha fosse normalizada ainda hoje.
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Faltas
De acordo com o diretor de limpeza pública da Emdurb, Ewerton Mussi Hunzicker, as faltas abonadas de funcionários nesta época de festas não são agravante para os atrasos na coleta de lixo. Embora o abono seja um direito garantido por lei, ele explica que os trabalhadores costumam ser solidários com os colegas, que ficariam sobrecarregados pelo serviço se as equipes estivessem demasiadamente desfalcadas.
“Eles entendem que, em dias de lixo acumulado, não dá para abonar. A falta de um ou outro funcionário é algo que a gente controla”, esclarece o diretor. Mais do que a insuficiência de coletores, a precariedade de algumas vias, associada ao desgaste dos caminhões que já são antigos, é o que colabora para que o serviço atrase ainda mais.
Anteontem à noite, por exemplo, um caminhão de coleta caiu em um buraco na Vila Coralina e ficou parado por cerca de duas horas, inviabilizando a conclusão do serviço a tempo. Ontem, um problema semelhante também foi registrado, conforme revela Hunzicker.
“Um caminhão passou por um buraco de o pneu furou. Foi preciso levá-lo a uma borracharia para efetuar a troca, então deu uma atrasada, mas o serviço foi concluído até o final da noite”, pontua.
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Plano alternativo
Questionado sobre a falta de um plano alternativo de coleta para os feriados prolongados, o diretor de limpeza pública da Emdurb, Ewerton Mussi Hunzicker, afirma que a autarquia já tentou discutir uma programação específica para o período de festas de final de ano. Mas, segundo ele, o debate não progrediu devido à falta de estrutura mínima para que as equipes pudessem trabalhar em escala diferenciada.
“Nós não teríamos caminhões suficientes para isso. E, se acontece de um ou outro estar quebrado, o planejamento não daria certo”, frisa. Por conta disso, a empresa não sabe como irá fazer para evitar que a população continue a sofrer em decorrência do acúmulo de lixo nos “feriadões”, especialmente nos de Natal e Ano Novo.
Para Elias Cury Neto, síndico de um prédio comercial no Jardim Nasralla, a falta de perspectivas gera preocupação, principalmente com a aproximação de um novo feriado, no próximo sábado. No edifício em que trabalha, que abriga 60 estabelecimentos, a produção de lixo é considerável e a ausência de cinco dias na coleta gerou um acúmulo nas calçadas de 20 sacos de lixo com capacidade para 100 litros, cada.
“É uma questão de saúde pública. A gente toma o maior cuidado para só colocar o lixo meia hora antes da coleta, quando o serviço não é feito no dia, o mau cheiro fica insuportável. E pessoas e animais acabam mexendo nos sacos, o lixo fica todo revirado. É uma situação lastimável”, observa.
Morador do Jardim América, o engenheiro Carlos Alberto Neme também reclamou dos resíduos que não foram recolhidos na última segunda-feira em seu bairro. “Hoje (ontem), por volta do meio-dia, eles acabaram recolhendo. Mas ficamos com o lixo na rua durante quatro dias em toda a vizinhança. No meu modo de ver, é uma situação grave, que não deveria acontecer”, analisa.
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Um caminhão parado a cada semana
A cada semana, pelo menos um caminhão de coleta de lixo quebra e fica mais de um dia fora de circulação. A informação é do diretor de limpeza pública da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb), Ewerton Mussi Hunzicker, que revela que a ausência de um único veículo já é capaz de provocar transtornos no serviço.
Atualmente, a autarquia dispõe de 18 caminhões de coleta, sendo que um deles, fabricado em 1987, não possui mais condições de sair às ruas. Dos 17 que ainda são utilizados, sete são novos. Os demais têm, em média, entre 10 e 15 anos de uso.
“Os que quebram, geralmente são os antigos. Eles rodam sem parar, nos três períodos do dia e, quando quebram, é difícil encontrar peça para reposição. Para resolver definitivamente o problema da coleta, é preciso investir na renovação da frota”, frisa Hunzicker.
Na opinião dele, o ideal seria que os caminhões fossem substituídos de maneira gradual, com a aquisição de dois veículos ao ano, pelo menos. O diretor explica que, se novos veículos fossem adquiridos, os antigos poderiam ser retirados de circulação.
Depois, passariam por manutenção e seriam mantidos à disposição para alguma situação de emergência - como substituir um caminhão quebrado, por exemplo - ou para a realização de outros serviços da prefeitura, como a coleta de galhos e entulhos.