09 de julho de 2026
Bairros

Entulho da construção pode substituir brita nas estradas e ruas de terra

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

Um equipamento que será apresentado hoje em Bauru, adquirido pela Companhia de Desenvolvimento Agrícola de São Paulo (Codasp) ao custo de R$ 500 mil, poderá ser uma solução para dar destino ao entulho produzido pela construção civil e, ao mesmo tempo, preservar recursos naturais. Trata-se de um britador móvel, com capacidade para processar 50 toneladas por hora de entulho que, depois de preparado, servirá para o revestimento de estradas de terra ou até mesmo ruas que não tenham projeto de pavimentação no curto prazo.

Além solucionar um sério problema urbano e ambiental, que é o descarte dos restos de construção em dezenas de bolsões irregulares espalhados pela cidade, a inovação também tem a função de poupar a exploração de jazidas naturais para a produção de cascalho e brita. E Bauru, que possui um setor imobiliário aquecido e produz cerca de 600 toneladas de entulho por dia, apresenta um enorme potencial para o sucesso da iniciativa.

De acordo com o diretor de operações da Codasp, Luiz Gonzaga de Godoy e Vasconcelos, o órgão ainda não firmou parceria com a prefeitura municipal para que a produção do revestimento tenha início. Mas o prefeito Rodrigo Agostinho, de antemão, adiantou que possui “enorme interesse” em providenciar local e funcionários para efetuar a triagem dos restos de construção, exigência inicial da Codasp para implementar a medida no município.

Uma saída seria ampliar a atuação da Cooperativa de Materiais Recicláveis de Bauru (Cootramat), atualmente responsável apenas pela separação do lixo de coleta seletiva recolhido pela Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma). “No ano que vem, temos como prioridade recuperar as estradas da Quirilândia, a antiga Bauru-Duartina, a antiga Bauru-Agudos e a Água do Paiol. Nós já firmamos diversas parcerias com a Codasp e temos interesse que esta seja mais uma delas”, salienta o prefeito, lembrando que, atualmente, são poucos os bolsões de descarte de entulho regularizados pelo município.

Segundo Vasconcelos, o britador móvel tem capacidade para processar 50 toneladas de entulho por hora volume suficiente para revestir 66,7 quilômetros de estrada. “Estimamos que cada município tenha cerca de 350 quilômetros de estradas rurais, mas Bauru, por ser uma cidade de porte maior, deve ter mais do que isso. A aplicação dos agregados reciclados do entulho é uma forma de reduzir a ocorrência de processos erosivos nas estradas e evitar o assoreamento dos mananciais”, esclarece.

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Base para asfalto

Embora a aquisição do britador fazer parte do programa Melhor Caminho de recuperação de estradas rurais, promovido pela Secretaria de Agricultura do Estado de São Paulo, Luiz Gonzaga de Godoy e Vasconcelos, da Codasp, destaca que o entulho, se produzido com sobra em Bauru, poderá ser utilizado também para revestir ruas de terra que ainda não estejam na programação de asfaltamento da prefeitura.

“Esse material também poderá ser útil para servir de sub-base para a pavimentação dessas vias. Isso já ocorre em vários municípios de outros Estados. A ideia é substituir a brita em todas as aplicações.”

Mas, mesmo que seja empregado somente em estradas rurais, haverá necessidade de estabelecer parceria com a prefeitura, que é legalmente responsável pela manutenção dessas vias. “Ainda não foi traçada uma estratégia em Bauru. Mas a pré-seleção do entulho teria de ser feita pelo município e o pessoal da Codasp ficaria responsável pela operação do britador. O transporte e a aplicação do agregado, entre outros detalhes, teriam de ser definidos caso a caso”, observa.

Até o momento, o órgão adquiriu dois britadores móveis e ambos estão em Bauru para a apresentação que ocorre hoje à tarde para convidados. Um deles será destinado para Campinas, mas o que permanecerá aqui poderá ser empregado em outras cidades do município. Também poderá ser deslocado para outras cidades onde a Codasp mantém unidades no Interior do Estado, entre elas Presidente Prudente e São José do Rio Preto.

“Como o britador é móvel, vamos levá-lo onde houver suficiência de material (entulho) para ser processado. Qualquer município que tiver uma estrutura organizada para selecionar esse material poderá receber o equipamento.” A reciclagem é mais vantajosa também em termos financeiros em relação à compra de brita.