09 de julho de 2026
Regional

Licitação vai definir gestão de aeródromo

Lilian Grasiela
| Tempo de leitura: 4 min

Bariri – Após manifestações contrárias de alguns empresários de Bariri (56 quilômetros de Bauru), que motivaram até mesmo a interrupção de reunião com representantes da prefeitura, a Taip Brasil, empresa de turismo aéreo que atua no interior paulista, obteve do prefeito Rubens Pereira dos Santos (PTB) a garantia de que será aberta licitação para os interessados em administrar o Aeródromo Apparecido Osório da Silva pelo prazo inicial de dez anos. No local, além de reformas na pista de pouso, um pool formado por 22 empresas pretende instalar um hotel e um resort.

O diretor comercial da Taip Brasil, José Roberto Fernandes, explica que o projeto visa preparar a região para receber os turistas que chegarão ao Brasil em 2014, ano em que o país sediará a Copa do Mundo, e 2016, quando serão realizados os Jogos Olímpicos. Segundo ele, a previsão é de que, somente nos próximos quatro anos, o número de estrangeiros em terras brasileiras quintuplique. “Quem é que vai conseguir absorver tudo isso se a gente não criar novos aeródromos?”, questiona.

O diretor conta que o incentivo ao turismo regional passa pelo projeto de reforma do aeródromo.“A gente precisaria do aeródromo, que hoje não tem condição nenhuma de receber pousos e decolagens de aeronaves de pequeno a médio porte. Ele passaria por uma reformulação”, revela. De acordo com ele, durante dois anos, o investimento na área será de aproximadamente R$ 123 milhões. “O aeródromo seria uma consequência do turismo que nós vamos trazer. Temos que melhorar ele para poder trazer os turistas”, diz.

A escolha de Bariri para abrigar esse complexo turístico, segundo Fernandes, deve-se à sua localização estratégica. “É uma cidade que está no meio de dois polos, o calçadista (Jaú) e o do bordado (Ibitinga)”, pontua. Ele ressalta que a Taip Brasil ficaria responsável pela reforma do aeródromo e por intermediar a aquisição de terrenos para que 22 empresas nacionais e estrangeiras, de variados segmentos, possam se instalar na cidade. “É uma rede que vai vir de fora para cá e estaria disposta a investir na cidade para trazer o turista dessa rede”, declara.

Entre as adequações que precisam ser feitas no local estão implantação de asfalto na pista de pouso e decolagem. “Seria feita uma pista de asfalto com saibro número oito. Depois, seria feita a parte toda de hangaragem de concreto, com piso frio vitrificado, e hangares medindo várias áreas, diferenciados uns dos outros, desde 30x30 até 60x60”, explica. “As pessoas que têm hangares no aeródromo, que são apenas quatro, estão resistindo para que não seja oferecido a nós (o espaço). Eles estão criando um empecilho para que a nossa chegada seja barrada”.

Licitação

Apesar das manifestações contrárias de alguns empresários de Bariri, em reunião realizada ontem à tarde na presença de vereadores e representantes dos setores jurídico e de engenharia da prefeitura, o chefe do Executivo se comprometeu a, no prazo máximo de 20 dias, abrir processo licitatório para interessados em administrar o aeródromo. “Vai ser expedido um documento dando a oportunidade de outras pessoas chegarem também para concorrer com a gente”, afirma o diretor da Taip Brasil.

Segundo ele, que acredita na vitória da sua empresa na concorrência pública, a concessão para o uso do aeródromo será válida por dez anos, prorrogáveis por mais dez e, posteriormente por mais vinte anos. Apesar de atraso de 100 dias no cronograma inicial, a expectativa é de que, caso a empresa seja realmente a ganhadora, os documentos para aprovação do projeto por parte da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) sejam enviados ao órgão até o final de janeiro de 2011, com previsão de início das obras em agosto ou setembro do mesmo ano.

Fernandes explica que, após a conclusão do complexo turístico voltado ao público das classes A e B, que contará com empreendimentos como hotel e resort, além de empresas da área de transporte, alimentação e serviços, cerca de 900 novos empregos diretos deverão ser gerados, além de movimentação de receita ao município da ordem de R$ 10 milhões por mês. “Nosso interesse não é estar aqui querendo apenas a concessão do aeródromo e sim trazer o turismo para nossa região”, ressalta.

O prefeito de Bariri foi procurado pela reportagem para comentar a reunião, mas não atendeu às ligações.