11 de julho de 2026
Economia & Negócios

Churrasco para comemorar Ano Novo tem menos picanha

Vinícius Lousada
| Tempo de leitura: 3 min

A população está assustada com a alta nos preços da carne bovina nos últimos três meses. A expectativa é de que o valor para a venda nos estabelecimentos comerciais recue já nos primeiros meses de 2011, mas enquanto isso, os consumidores estão usando a criatividade e optando por alternativas para não abdicar dos churrascos em família nas comemorações do Ano Novo.

O preço do quilo da picanha, preferência da maioria para o churrasco, varia entre R$ 39,98 e R$ 49,98 em um supermercado na cidade. O valor, porém, pode chegar a R$ 57,97 em estabelecimentos especializados. Como alternativas, noix, maminha e fraldinha têm sido os cortes mais procurados pelos consumidores nos últimos dias.

Giancarlo Zuim, proprietário do uma butique de carnes, afirma que a venda da picanha caiu cerca de 60%, mas o comércio de carnes em geral continua aquecido.

“No ano passado o saldo foi muito positivo e, em 2010, está sendo ainda melhor. Com poder de consumo, o brasileiro consegue se adaptar bem às situações e procura outras alternativas mais em conta, além de optar pelas carnes de porco e aves”, explica.

A maminha, por exemplo, pode ser comprada por R$ 19,90 o quilo, representando uma economia de mais de 50% em relação à picanha.

“O cliente sente muito a diferença. No primeiro semestre, o quilo da picanha saia pelos mesmos R$ 19,90 da maminha de hoje. O lombo suíno também tem feito muito sucesso, pois é uma carne limpa, sem osso, que custa cerca de R$ 12,00”, conta Zuim.

Em conjunto

O casal Maria Estela e Marcos Ferrari optou por um churrasco comunitário entre os parentes no primeiro dia do ano. “Vão participar quatro famílias. Cada uma delas vai levar suas carnes e bebidas. Juntamos tudo na casa da minha sogra e fazemos a festa”, explica Maria Estela.

Segundo seu marido, essa é uma forma de comemorar a chegada do Ano Novo com a família reunida e gastando pouco. “Vamos levar linguiça de pernil, frango e carne bovina também. A maior parte dela será de maminha porque a picanha está realmente muito cara, mas vamos comprar um pouquinho só para sentir o sabor”, conta Marcos Ferrari.

Outras opções criativas têm norteado os consumidores. Segundo Giancarlo Zuim, linguiças recheadas com queijo e legumes são alternativas diferentes e saborosas para o churrasco de fim de ano.

“Estão saindo muito porque, além de atrativas, custam pouco, cerca de R$ 9,00 o quilo. A carne de carneiro também tem sido muito procurada”, afirma.

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Alta da carne muda cardápio de muitas famílias

Não são todos que conseguem manter o consumo de carne bovina com a alta dos preços, vigente há cerca de três meses. O funcionário público Paulo Sérgio Bella conta que foi necessário mudar os produtos comprados.

“Tivemos que ‘apertar o cinto’. Antes era muito comum a gente comer bife em casa, agora a gente come mais frango”, conta ele, que vive com sua esposa e uma filha de 10 anos.

Conforme publicado na edição de 16 de novembro do Jornal da Cidade, a variação do preço da carne ao consumidor chegou a 58% em 60 dias. Especialistas afirmam que a alta desenfreada foi provocada por uma confluência de fatores que vão desde a estiagem prolongada, que deixou o pasto seco nos últimos meses, até o abate excessivo de fêmeas de 2007 para cá, cuja repercussão está sendo observada agora.

O comerciante Giancarlo Zuim, proprietário de uma boutique de carnes em Bauru, acredita que os preços voltem a baixar apenas em fevereiro.

“Apesar da demanda cair no primeiro mês (do ano), acredito que teremos boi gordo para o abate apenas em fevereiro, quando os preços podem baixar. Mas não devem voltar ao patamar anterior à queda”, afirma.