Afastado desde 2005, Marilson Gomes dos Santos volta hoje à São Silvestre, a partir das 16h47, para esquentar a disputa entre brasileiros e quenianos na corrida paulista, desequilibrada nos últimos anos pela falta de atletas nacionais à altura dos africanos. Se vencer o percurso de 15 quilômetros pelas ruas de São Paulo, Marilson será o primeiro tricampeão do País na fase internacional da prova, iniciada em 1945.
O bicampeão da Maratona de Nova York é o único brasileiro que pode evitar o tri consecutivo do queniano James Kwambai, que nas duas vezes em que veio a São Paulo ganhou a prova (em 2008 e 2009). Os dois negam, porém, que haja duelo pessoal. “Eu o conheço muito bem. Não o temo e digo para ele não me temer”, disse Kwambai. Marilson joga o favoritismo para o rival. “Tem outros africanos que também vão dar trabalho. Vai ser uma prova forte e aberta, com muitas possibilidades. Mas Kwambai é franco favorito pelas marcas que fez”.
Em Nova York, no início de novembro, o queniano chegou em 5.º (2h11min31) e levou a melhor sobre Marilson, que completou a prova 20 segundos depois, na 7.ª colocação. O bom desempenho, no entanto, mostra que os dois estão afiados para a corrida desta sexta. “A exemplo dos anos em que ganhei (2003 e 2005), não fiz nada de muito diferente. Nunca faço treinamento específico para a São Silvestre”, disse Marilson.
De fora das últimas quatro edições, Marilson diz que esperou para voltar em melhor forma física à São Silvestre. “Tive uma recuperação muito rápida da Maratona de Nova York. Sempre quis participar, mas não conseguia por alguns problemas”. O técnico, Adauto Domingos, lembra que ele já esteve muito perto de voltar, mas desistiu na última hora. “Teve um ano em que abrimos mão da participação dele no dia 20 de dezembro, por causa de dores no tendão”. Confiante na experiência de Marilson, Domingos aposta que o brasiliense poderá correr abaixo de 44 minutos e chegar perto do recorde do percurso - 43min12, obtido pelo queniano Paul Tergat em 1995.
Marilson, porém, prevê um alto nível técnico. “Vai ser uma prova muito difícil. Além dos africanos, tem os marroquinos (Abderrahime Bouramdane e Mohamed El Hashimi) que vêm forte. Eu tenho essa ‘sorte’, sempre entro em competições que têm adversários de peso”, afirmou.
Correndo por fora
Último do País a vencer a São Silvestre, em 2006, o mineiro Franck Caldeira reconhece que vai brigar apenas por uma boa participação. “Vou fazer uma corrida diferente, mais pé no chão. Quero terminar estes 15 quilômetros. Torço para que o Marilson possa quebrar três ou quatro deles (quenianos) e me ajudar”, brincou.
Na prova feminina, a maior aposta brasileira é Marily dos Santos, que ficou em terceiro lugar no ano passado. “As africanas não são imbatíveis. Nas últimas semanas, me foquei nos treinamentos pensando na São Silvestre e em brigar em igualdade de condições com as demais adversárias”, contou a alagoana. Destaque ainda para as participações de Fabiane Cristine da Silva e Marizete Rezende, mas Maria Zeferina Baldaia, que foi campeã em 2001, desistiu da disputa por causa de uma contusão.
Apesar do otimismo brasileiro, a grande favorita para a vitória entre as mulheres é a queniana Alice Timbilili, que já ganhou em 2007. “Treinei forte para este ano e acredito que estou melhor preparada do que em 2007, quando venci. Não me considero favorita, como andam dizendo, só porque tenho o melhor tempo do ano dos 15 quilômetros. Terei adversárias fortes pela frente”, revelou.
Neste ano, a medalha de participação foi entregue antecipadamente aos 21 mil corredores junto com o kit da prova, para facilitar a dispersão após o encerramento. Serão 142 atletas de elite no masculino e no feminino, 27 deles estrangeiros. A premiação nas duas categorias será de R$ 28 mil para o vencedor, R$ 14 mil para o 2.º e R$ 7 mil para o 3.º. O treinador do campeão ganhará bonificação de R$ 2,8 mil.