São Paulo - O futuro secretário estadual de Energia, deputado federal reeleito José Aníbal (PSDB-SP), disse ontem que o governo de São Paulo pretende retomar a ideia de privatizar a Companhia Energética de São Paulo (Cesp) assim que conseguir a renovação da concessão de duas das principais usinas da empresa, Ilha Solteira e Jupiá, que vencem em 2015. De acordo com ele, as conversas entre o governo paulista e a União para obter a renovação das concessões serão intensificadas nos próximos meses. Será a quarta tentativa do governo de São Paulo de privatizar a empresa, que já foi tentada em 2000, 2001 e 2008.
“O governador deixou claro que hoje nós não temos imediatamente o que privatizar. A Cesp, para se tornar uma empresa com boa condição de negociação no mercado, precisa ter ampliado seu tempo de concessão, que hoje está em um universo curto de quatro anos. Isso certamente vai acontecer e depois vai se ver qual a decisão que o governo tomará em função da ampliação do prazo da concessão”, afirmou. “As conversas têm sido feitas, mas agora serão intensificadas porque o propósito realmente é fazer a ampliação do tempo de concessão para tornar a empresa mais viável e passível de negociação.”
Aníbal lembrou que o prazo das concessões das duas usinas foi uma das principais causas do fracasso da última tentativa de vender o controle da empresa. Como a renovação não é automática e, na semana do leilão, o então ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, enviou carta ao governador José Serra (PSDB) para informar que não garantiria a renovação das concessões, nenhum dos consórcios interessados fez o depósito das garantias financeiras, de R$ 1,74 bilhão. Na época, o preço mínimo da venda da companhia era de R$ 6,6 bilhões, e o valor total da companhia era de cerca de R$ 20 bilhões, levando-se em conta a oferta que deveria ser feita aos minoritários e as dívidas da companhia. “Não conseguimos (privatizar a companhia) porque o prazo de concessão (das usinas) era muito curto. Ampliando esse prazo, claro que a possibilidade será muito firme”, confirmou Aníbal.
O futuro secretário disse ainda que sua meta será ampliar a segurança energética e a participação da energia renovável na matriz energética do Estado por meio de usinas de cogeração, com o uso de bagaço de cana, pequenas centrais hidrelétricas, etanol, energia eólica e solar.
O objetivo, segundo ele, é cumprir a meta de redução de emissões de gases causadores de efeito estufa a 20% do emitido em 2005 até 2020, conforme legislação aprovada.