08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

E o povão, diria o quê?


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Lamentável sob todos os aspectos a declaração do desembargador Nélson Calandra sobre as diferenças salariais que estão sendo pagas em parcelas mensais aos magistrados, e com data retroativa (decisão esta sem aviso prévio a sociedade, diga-se de passagem) onde afirma: "Recebemos aos poucos, é o carnê da fome". O tal carnê da fome que diz ser o desembargador são parcelas mensais de mais de R$ 1 mil, além dos altos salários em torno de R$ 27 mil, carros oficiais com motorista, dois meses de férias e outros penduricalhos que não deveriam existir... O magistrado esquece que 52 milhões de brasileiros tentam sobreviver com míseros valores do Bolsa-Família, R$ 23 milhões de aposentados somente a partir de janeiro de 2012 vão receber R$ 622,00 por mês, e outros 9 milhões que ganham acima de um mínimo recebem este desprezado pouco mais de um mil reais que diz ser o "carnê da fome". Estes sim vivem com o carnê da fome, ou na total penúria social e econômica! Seria muito mais nobre ao Nelson Calandra se aconselhasse seus colegas do judiciário para que o colossal e descabido reajuste que estão pleiteando junto ao governo seja distribuído entre aqueles que mais necessitam! Praticamente mais da metade da população brasileira...


Paulo Panossian