10 de julho de 2026
Bairros

Prestação de serviços fica entre o arcaico e a tecnologia de ponta

Wanessa Ferrari
| Tempo de leitura: 5 min

Tecnologia. A palavra, que passou a ser o foco de debates e discussões nos últimos anos, arrebanha uma legião de amantes, desperta a curiosidade e dita a evolução da sociedade.

Há, por exemplo, quem defenda que não é mais possível viver sem as inúmeras conquistas tecnológicas, que englobam a facilidade de acesso à Internet, os inúmeros aplicativos disponíveis nos celulares, e (por que não incluir na lista?), os modernos e apaixonantes televisores multifuncionais, entre outros aparatos revolucionários.

Mas as benesses da tecnologia vão muito além da vida pessoal. Elas também são ferramentas muito úteis para organizar e facilitar a vida em sociedade. Basta dar uma volta pelos bairros da cidade e observar um pouco mais atentamente para notar que o progresso tecnológico já influencia, e muito, no cotidiano dos bauruenses.

Itens ligados ao trânsito, por exemplo, são os que melhor acompanharam a evolução tecnológica. Nesta lista, pode-se incluir os modernos semáforos de LED (diodo emissor de luz), equipados com contagem regressiva para travessia de pedestre; os radares controladores de velocidade, que utilizam de tecnologia de ponta para registrar infrações; os ônibus de transporte coletivo adaptados para pessoas com deficiência física, além das ágeis e precisas máquinas de pintura e reforma de asfalto.

No caso dos radares, por exemplo, não há nada no mercado com maior tecnologia. É o que afirma Gustavo Cardoso, gerente técnico de infrações da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb).

"São os melhores equipamentos que existem no mercado. Além da captura da velocidade ser precisa, eles realizam a transmissão dos dados já criptografados de forma on-line", explica.

Mas nem todos os setores municipais que prestam serviços de utilidade pública são assim. Na área da limpeza, por exemplo, os equipamentos e procedimentos quase não evoluíram e muitos permanecem idênticos aos do século passado.

Na varrição, por exemplo, Bauru ainda utiliza o famoso trio parada dura, composto por vassoura, pá e carrinho de lixo. O serviço manual, que antes era considerado viável e proporcional ao tamanho e número de habitantes da cidade, hoje é ultrapassado e causa desgaste para quem o realiza.

Para substituir vassoura, pá e carrinho de lixo, já existem as modernas varredoras mecânicas, que custam em torno de R$ 110 mil e, segundo as empresas fabricantes, realizam o trabalho de até 65 funcionários.

Ainda no setor de limpeza pública, outro procedimento que pode ser considerado defasado é o da coleta de lixo. Isto porque os profissionais da área ainda precisam se expor a grandes riscos para realizar o serviço de forma braçal.

Em Barcelona, na Espanha, por exemplo, o problema da coleta já foi solucionado. Em vez de latas, que dependem da coleta periódica, a cidade dispõe de bocas de lixo. Nelas os cidadãos descartam os sacos, por meio de escotilhas, e começa um show de tecnologia: com uma velocidade de até 70 Km por hora, o lixo percorre um labirinto de canos, que ficam debaixo da terra, até chegar ao destino final, que é um container, localizado em um centro de coleta. Quando o recipiente fica cheio, ele é retirado e transportado para uma usina de triagem. Plásticos, latas e papel são reciclados e o lixo orgânico vira combustível para mover as turbinas que produzem eletricidade.

Claro que o processo europeu pode ser considerado supertecnológico para uma cidade do porte de Bauru, mas, em contrapartida, representa a possibilidade infinita da evolução tecnológica em benefício da sociedade. Afinal, com um mundo de incríveis possibilidades, quem alimenta o sonho de viver em uma cidade com equipamentos do arco da velha?

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Semáforos


A decisão de parar, manter-se atento ou prosseguir, indicadas respectivamente pelas cores vermelha, amarela e verde em um semáforo, é fundamental para o perfeito andamento do trânsito. É fato que qualquer confusão feita com as cores pode causar um grave acidente.

Porém, quem nunca ficou em dúvida sobre qual cor o semáforo estava indicando?

"Isso acontece porque, até então, a maioria dos semáforos de Bauru utilizam lâmpadas incandescentes. A luz do sol reflete nestas lâmpadas, que são coloridas, e produzem o que chamamos de efeito fantasma, que é a falsa sensação de iluminação no foco, causando confusão", explica o técnico em eletrônica Marcos Magro, funcionário da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb).

Para acabar com o problema, a Emdurb adotou uma nova tecnologia: os semáforos de LED (diodo emissor de luz). A novidade já pode ser conferida em nove dos 141 cruzamentos semaforizados da cidade.

Com a modernidade do equipamento, além da melhor visibilidade, a Emdurb alcançará uma economia de até 90% na energia e diminuirá os custos com a manutenção, já que, se um LED queimar, o funcionamento do aparelho não ficará comprometido.

Contudo, o preço a ser pago pelos benefícios da modernidade ainda é caro. Cada equipamento, desde a instalação até o aparelho em si, custa, em média, R$ 45 mil. Por conta disso, a maioria dos que já operam na cidade foram investimento de empresas privadas.

"Mesmo com os custos elevados, a Emdurb adotou a tecnologia para novos semáforos e já estuda substituir alguns dos antigos pelos de LED, principalmente os que ficam nas principais avenidas da cidade. Claro que, em caso de substituição, o custo será menor", explica Marcos.

Já os semáforos de pedestres, instalados em 14 cruzamentos da cidade, são todos de LED, alguns, inclusive, com contador decrescente de travessia.

Além disso, outra tecnologia que chama a atenção no segmento é a possibilidade de programação de tempo dos semáforos de acordo com o fluxo de veículos. Em Bauru, dos 141 cruzamentos semaforizados da cidade, 86 deles são de tempo fixo, ou seja, não mudam; 33 são multiplanos, que permitem alteração de tempo de acordo com o horário pré-programado; e 22 são multiplanos a cabo, que possibilitam que a alteração no temporizador seja feita à distância.

Já os chamados semáforos inteligentes, que controlam o tempo de abertura e fechamento do trânsito de acordo com o fluxo de veículos daquele momento, ainda não existem na cidade.