09 de julho de 2026
Nacional

Ministra quer aprofundar políticas de combate à fome

Folhapress
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Brasília - A ministra Tereza Campello (Desenvolvimento Social), 48 anos, tomou posse ontem em Brasília, prometendo "continuidade e aprofundamento" das políticas sociais de combate à fome e à pobreza. Em seu discurso, Tereza afirmou que vai perseguir o cumprimento da meta da presidente Dilma Rousseff: a erradicação da extrema pobreza e a criação de oportunidades para todos. Tereza Campello anunciou para breve o reajuste dos benefícios do Bolsa Família.

Tereza foi umas das fundadoras do PT. Durante o governo Lula, foi assessora especial da Presidência e chegou a participar da coordenação do grupo de trabalho que concebeu o Bolsa Família, carro-chefe da gestão petista. Depois, trabalhou como uma das principais assessoras da Casa Civil e esteve à frente de projetos como o programa de produção de biodiesel.

Tereza citou três vezes tanto Dilma quanto o ex-presidente Lula. "Os resultados que alcançamos não são fruto da sorte ou da boa conjuntura nacional, como dizem alguns. São fruto de decisões políticas claras e ousadas", afirmou, se referindo ao programa Bolsa Família.

A nova ministra também lembrou o início do programa de transferência de renda. "Hoje é fácil elogiar o Bolsa Família. Mas em 2002, quando começamos a organizar a unificação dos programas de renda no Brasil, fomos muitos criticados. Também fomos criticados quando começamos a implantar o processo", criticou.

Tereza afirmou que essa política estará universalizada com "uma pequena ampliação" dos Centros de Referência de Assistência Social (Cras) - unidades que ficam localizadas em áreas com maiores índices de vulnerabilidade e risco social, para o atendimento de famílias.


Betinho


Para falar do combate à fome, a ministra citou o sociólogo Hebert de Souza, o Betinho (1935-1997), que levantou a campanha "Ação da Cidadania contra a Fome, a Miséria e pela Vida", a partir de 1993. "Ele disse: quem tem fome, tem pressa. Fizemos uma ação política ousada, necessária, imprescindível. Agora temos o dever de ousar mais uma vez", afirmou.

Tereza disse que haverá maior foco na criação de oportunidades, pois enquanto há vagas de emprego em diversas áreas, há também um "amplo contingente à margem dessa dinâmica".

Ao cumprimentar o marido, o ex-tesoureiro do PT, Paulo Ferreira, ela afirmou que surge "uma nova geração de homens orgulhosos de suas mulheres". A filha da ministra, Luiza, 5 anos, ficou com a mãe no palco durante parte do discurso.

"O Brasil está conseguindo colocar as mulheres para governar. Vou lutar para garantir 30% de cota masculina no meu ministério", disse, arrancando gargalhadas da plateia que lotava o auditório.

Tereza Campello substitui Márcia Lopes, que ficou no comando do Ministério do Desenvolvimento Social por nove meses. A nova ministra nasceu em Descalvado (SP) e se formou na Universidade Federal de Uberlândia. Ela já foi professora do curso de economia na Universidade do Vale dos Sinos.

Entre 1989 e 1993, foi assessora econômica da Prefeitura de Porto Alegre. Trabalhou na assessoria de Olívio Dutra (quando prefeito e governador) e com os ex-prefeitos petistas Raul Pont e Tarso Genro.