09 de julho de 2026
Nacional

Novo presidente do BC fala


| Tempo de leitura: 3 min

Brasília - O novo presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, defendeu ontem que no futuro a meta de inflação seja reduzida, convergindo para o patamar praticado na maioria dos países emergentes. Em seu discurso de posse como presidente do BC, Tombini afirmou que a consolidação da atual política econômica e o aperfeiçoamento do marco legal e regulatório no Brasil vai permitir que se discuta a convergência da meta de inflação brasileira para patamares mais baixos. "Creio que esse é um processo que devemos ter ambição de perseguir no futuro", afirmou.

Tombini também defendeu que um sistema financeiro sólido e eficiente é condição para crescimento sustentável. E disse que o BC não hesita em tomar medidas corretivas ou punitivas sempre que julgar necessário. Tombini destacou ainda que é fundamental o fato de o BC ser tanto responsável pela política monetária como pela supervisão bancária, modelo que tem sido copiado por outros países. "O modelo de regulação e supervisão do sistema financeiro no Brasil é referência mundial", disse.

O novo presidente da autoridade monetária também destacou em seu discurso o crescimento do crédito nos últimos anos, mas ponderou que o crédito ao consumo deve perder ritmo, enquanto o financiamento imobiliário tende a ganhar espaço, o que é uma mudança considerada por ele "salutar". Mas ele alertou que é necessário cuidar para evitar o surgimento de bolhas. "O BC monitora e tomará as medidas necessárias para evitar problemas no mercado de crédito", disse.

Meirelles

Tombini disse em seu discurso de posse que os desafios do Banco Central "continuam grandes". Apesar disso, ele avalia que a instituição tem condições para superar esses desafios "com sucesso". Um desses desafios citados por Tombini é na área de gestão, já que a instituição tem sofrido com a baixa de diversos servidores que têm se aposentado. "Isso requer bastante atenção. Por outro lado, é um momento propicio para avaliar processos e rotinas", disse.

No fim do discurso, Tombini, ao afirmar que ontem era um dia especial, homenageou seu antecessor, Henrique Meirelles, ao citar que ontem estava sendo concluída uma das "mais longas e melhores gestões" de quase cinco décadas do BC. "Como participei dessa gestão, a minha humildade não permite dizer que foi a melhor", disse Tombini, tirando gargalhadas da plateia repleta de ministros, banqueiros e nomes do mercado financeiro.

Tombini assumiu o compromisso de assegurar a estabilidade do poder de compra da moeda brasileira e com a estabilidade do sistema financeiro nacional, tarefas que estão no mandato do BC. Ele afirmou que a inflação baixa e controlada é uma demanda da sociedade e desafio permanente de todo o governo, mas com responsabilidade especial por parte do BC. "O crescimento sustentável só pode ser alcançado com estabilidade e inflação baixa", afirmou, destacando que a luta incansável e intransigente pela preservação do poder de compra da moeda foi uma exigência da presidente Dilma Rousseff quando o convidou para o cargo.

Tombini defendeu o regime de metas de inflação, que considera o mais adequado para cumprir o objetivo de preservar a estabilidade econômica.

Segundo ele, o sistema facilita a coordenação de expectativas e é de fácil aferição pela sociedade. O novo presidente da autoridade monetária disse que o regime de metas tem sucesso "inquestionável", atua com flexibilidade, absorvendo choque, e é parte do tripé macroeconômico (composto ainda de câmbio flutuante e de política fiscal consistente), que produziu importantes resultados para o Brasil. "O compromisso com metas de inflação é um dos pilares da economia brasileira", disse.