08 de julho de 2026
Internacional

Teerã convida Dilma a visitar o país

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Teerã - O ministro das Cooperativas do Irã e assessor especial do presidente Mahmoud Ahmadinejad para a América Latina, Mohammad Abbasi, pediu ontem que fosse transmitido à presidente Dilma Rousseff um convite para visitar o país persa neste ano.

O pedido ocorreu em reunião com o assessor especial para assuntos internacionais da Presidência, Marco Aurélio Garcia.

"Nós a convidamos para ir em setembro, mas depende dela", disse o embaixador do Irã no Brasil, Mohsen Shaterzadeh, ao deixar o encontro, no Palácio do Planalto.

Sakineh

Na conversa, dois temas polêmicos foram tratados pelo governo brasileiro: o caso da iraniana Sakineh Ashtiani e o programa nuclear do país.

Ashtiani, 43 anos, foi condenada à morte por apedrejamento, acusada de participação no homicídio do marido e de ter cometido adultério.

"Eu mencionei que havia da parte da sociedade brasileira uma sensibilidade muito grande para os temas relacionados com direitos humanos", disse Garcia.

Perguntado sobre a reação dos iranianos, respondeu: "Foi uma reação filosófica. Chegamos à conclusão de que é uma discussão interessante e que devemos continuar fazendo, mas achei que os nossos interlocutores ouviram e tomaram nota. Quando se toma nota, na diplomacia, é uma boa coisa", concluiu o assessor.

Na primeira entrevista após sua eleição, em outubro passado, Dilma endossou críticas ao Irã por violações de direitos humanos, incluindo a condenação por apedrejamento de Sakineh.

Ao deixar a reunião com Garcia, o embaixador Shaterzadeh disse que o caso Sakineh não havia sido tratado na reunião e que o apedrejamento da iraniana "não é assunto nosso", referindo-se ao governo iraniano.

Com relação ao programa nuclear iraniano, Garcia disse que conversou com Abbasi sobre o uso de energia nuclear para fins pacíficos.

No encontro, falaram ainda sobre o Oriente Médio e a importância de o Brasil reconhecer o Estado da Palestina.

Também ontem, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon telefonou por volta das 18horas para cumprimentar Dilma pela posse.

Segundo Garcia, a conversa foi sobre o Conselho de Segurança da ONU, cuja presidência rotativa passará a ser exercida pelo Brasil em fevereiro, e as eleições no Haiti.