11 de julho de 2026
Economia & Negócios

Agendas de papel ainda são preferidas por muitas pessoas

Vinícius Lousada
| Tempo de leitura: 4 min


Um ano termina, outro começa, e a procura por elas aumenta cada vez mais. Segundo gerentes de papelarias de Bauru, as vendas das tradicionais agendas de papel seguem em constante crescimento, mesmo com a ampliação no alcance de agendas eletrônicas, aparelhos celulares e computadores. O gerente de um dos estabelecimentos consultados pelo JC, Nilo Sérgio Alves Junior, afirma que a expectativa para este ano é de que as vendas de agendas cresçam cerca de 10%.

"Acredito que as opções eletrônicas vieram para somar, mas não vão substituir a agenda de papel, que é muito prática para anotações e até mesmo rabiscos", aponta.

Junior conta que as agendas escolares são muito procuradas, pois estão presentes na maioria das listas de material solicitadas pelas instituições de ensino. Segundo ele, profissionais liberais como médicos, dentistas e advogados são responsáveis por boa parte do comércio desses produtos. Além disso, as agendas femininas agradam.

"As mulheres procuram para fazer suas anotações, registrar suas contas. As agendas são de todos os tamanhos e podem, inclusive, ser carregadas nas bolsas. Os advogados também gostam muito das agendas dirigidas, com detalhes específicos da área", cita.

Para Gabriel Lot Vieira, da mesma papelaria, o papel é o "beck up" das agendas eletrônicas, pois nele existe a segurança de que a informação não será perdida. "Um sistema computadorizado pode falhar e trazer vários danos. Por isso, a maioria das pessoas não abandona as agendas tradicionais. Além disso, o papel é mais prático, pois até ligar a agenda eletrônica, o cliente pode esquecer uma informação ou algum detalhe importante", explica.

O empresário Charles Eli Francisco, 41 anos, estava na papelaria escolhendo uma agenda para 2011. Ele diz que, apesar de adepto do computador, utiliza o papel para fazer anotações pessoais, que prefere carregar sempre consigo. "Acho que temos um hábito. O uso da agenda é cultural e acho importante preservá-lo", afirma.

Atrativos


Além das agendas tradicionais, são cada vez mais comuns as que apresentam diferenciais para atrair determinados tipo de público. Nas prateleiras das papelarias, encontram-se agendas com personagens infantis, coloridas, com cheiro, com elástico, com glitter, com bolsa agregada e até com motivos religiosos e frases de motivação. "Todos os anos elas chegam mais elaboradas e com mais atrativos para o cliente e, por essa razão, sempre são muito bem vendidas", analisa Bruna Genaro, gerente de papelaria.

A universitária Amanda Pereira Bragueto, 20 anos, conta que sua agenda é importante para organizar todos os compromissos do dia-a-dia, da faculdade e do trabalho. "Eu sempre escolho as coloridas, de preferência as cor-de-rosa, que combinam muito comigo", afirma.

Segundo Bruna Genaro, as agendas de papel são muito procuradas também por profissionais como cabeleireiros, esteticistas e manicures. O cabeleireiro Mauro Quintanilha é um exemplo dos que não abandonaram o método tradicional para o agendamento de clientes. "Por quase um ano tentamos marcar os atendimentos com a ajuda de um sistema computadorizado, mas não funcionou, então desistimos. Trabalho no ramo há 40 anos e nada é mais prático e funcional do que o papel, porque tenho a garantia de que as anotações não vão sumir", afirma.

Papel reciclado é pouco procurado

Preferida pelos ecologicamente corretos, a agenda com papel reciclado ainda não é procurada pelo consumidor comum. Gerente de uma papelaria, Alessandra da Silva Pereira conta que não é comum clientes exigirem esse tipo de material. "Muitas pessoas optam pelo papel branco porque acham que ele garante um aspecto de limpeza. No entanto, o maior empecilho é o preço", aponta.

Segundo Alessandra, os preços das agendas variam entre R$ 16,00 e R$ 53,00. "As produzidas com papel reciclado são vendidas na faixa dos R$ 32,00, quase a metade das agendas mais baratas", afirma.


Empresas optam por outros tipos de brinde


Segundo Nara Maria Franco, que trabalha no ramo de brindes, há cinco anos era muito comum que empresas encomendassem agendas para presentear clientes e funcionários no final do ano. No entanto, de lá para cá ela nota uma queda de 50% nos pedidos desse tipo. "Muitos acham que as agendas são dispensáveis, pois já são fornecidas por outras empresas e por conta da popularização do aparelho celular, que também permite o agendamento de compromissos", aponta.

Nara explica que muitas firmas optam por brindes mais funcionais, como pen drives e outros presentes corporativos. "No que tange a valores, os empresários não têm aumento nos gastos com essas novas opções", afirma.

Ela acredita que o crescimento nas vendas de agendas nas papelarias pode ser explicado pela centralização na comercialização desse tipo de produto. "Há alguns anos encontrávamos agendas para vender em vários tipos de estabelecimentos, mas hoje estão concentradas nas papelarias", pondera.