O copo de água trazido pela filha sequer fez efeito em meio ao imenso nervosismo de Valdete Fátima Araújo Simões, 52 anos. Na tarde de ontem, ela estava assistindo televisão com o marido em sua residência, localizada na Vila Falcão, quando um caminhão desgovernado invadiu a propriedade. Felizmente, ninguém se feriu.
O veículo de grande porte, que subia pela rua Wenceslau Braz, estava carregado com sucata e, ao descer desgovernado, arrancou parte do telhado, muro e todo o portão da residência, parando somente na garagem do imóvel, localizado na quadra 4 da via. Antes de atingir a propriedade, o caminhão ainda bateu em um carro, que foi arremessado contra outro veículo.
Valdete conta que escutou um grande barulho e, quando olhou pelo vidro, visualizou o caminhão vindo em sua direção.
"Eu não sabia o que fazer. Quando vi o caminhão destruindo tudo e vindo para cima de mim, fiquei desesperada. Fiquei meio perdida. O certo era eu ter corrido para os fundos, porém, o desespero foi tanto que eu corri para a frente de casa, exatamente onde o caminhão estava", conta, complementando que "o maior medo era de que, com o impacto, a casa acabasse desabando".
Além de Valdete, na residência ainda estava seu marido, Paulo César Simões, 56 anos. Mais revoltado do que assustado, ele culpa o motorista do caminhão.
"O carro da minha filha sempre fica aqui na garagem. Hoje, ele não estava. Ainda bem, pois o prejuízo seria bem maior. Quando ocorreu a colisão, eu olhei na cabine e parecia que ele estava dormindo", acusa.
Também bastante nervoso, Orlando Silva, 52 anos, que dirigia o caminhão, placas DAJ 1741, de Guarulhos, afirmou não ter dormido ao volante, entretanto, não soube explicar o que aconteceu.
"Eu trabalho há mais de 30 anos como motorista. Nunca sofri um acidente. O susto foi grande. Eu estava subindo e o caminhão começou a descer. Acho que não consegui engatar a marcha direito. Não sei dizer o que aconteceu. Quando vi, já estava dentro da casa".
Confusão
Questionado se poderia ter passado mal enquanto conduzia o caminhão, ele não descarta tal hipótese, porém, reafirma que não consegue lembrar do momento exato do acidente. O motorista ainda usa a mesma alegação para uma possível falha mecânica do caminhão.
Uma mulher, que preferiu não se identificar, afirmou que viu quando o caminhão começou a descer. De acordo com ela, o veículo parou na esquina - cerca de 30 metros acima da residência atingida - e foi exatamente nesse momento que começou o problema.
"Ele parou bem aqui (na esquina). O motorista não estava dormindo. Eu vi que o caminhão começou a descer e ele dava uma espécie de ?tranco?. Achei que iria parar, mas isso não aconteceu", relata a testemunha.
"Foi realmente algo assustador. Eu escutei a batida e o alarme do meu carro já disparou. Daí por diante ouvi um monte de ferro batendo. Parecia que estava passando uma locomotiva pela rua", relembra Cássio Kléber da Silva, 47 anos.
Saldo
Dois veículos danificados e a frente inteira da residência na quadra 4 da rua Wenceslau Braz destruída. Esse foi o saldo do acidente, que felizmente, resultou apenas em prejuízos materiais.
Para Valdete Fátima Araújo Simões, dona da casa atingida, é exatamente isso que fica: um dia extremamente assustador.
"Toda vez que escutar um barulho forte vou me lembrar disso. Mas, ainda bem que foram somente esses danos materiais. Hoje, com 52 anos, passo a contar de novo minha vida. Olhando o que aconteceu, vejo que nasci de novo", conclui a mulher, ainda com as mãos trêmulas.
A Polícia Científica esteve no local para realizar a perícia sobre o acidente. De acordo com os policiais que atenderam a ocorrência, será elaborado um laudo no veículo para apontar se houve alguma falha mecânica.
?Estava no portão pouco antes do fato?
Ao olhar a grade do portão da casa toda destruída abaixo do grande caminhão, Silvia Conte, 53 anos, não acredita no que ocorreu e ainda tem muito a agradecer. Por uma questão de segundos, ela não foi vítima de uma tragédia.
"Eu estava esperando a minha patroa encostada bem nesse portão segundos antes do caminhão bater aqui. Foi o tempo de eu sair e ele vir contra a casa".
Segundo Silvia, o caminhão funcionava quando começou a descer e o motorista não parecia estar desacordado. De acordo com ela, "o veículo estava ligado. Não vi ele dar ?trancos?, como disseram, e nem que o motorista estava dormindo. Somente reparei que ele ficou uns dois minutos sem sair depois do acidente. Parecia não acreditar no que havia acontecido".