A Unidade de Saúde da Família da Vila São Paulo está interditada desde terça-feira em função do rompimento de calhas entupidas no prédio. Entre a laje e o telhado havia um criadouro de pombos, que ocasionou a invasão de água de chuva misturada a penas e fezes. Essas aves podem transmitir até 57 tipos diferentes de doenças. A reabertura está prevista para o próximo dia 24.
Durante esta semana, os funcionários estiveram na unidade apenas para orientar pacientes que tinham consultas agendadas, que não aconteceram por conta da contaminação no local. Até a tarde de ontem, o mau cheiro podia ser sentido do lado de fora do prédio. Segundo informações da Secretaria Municipal de Saúde, medicamentos foram atingidos pela sujeira.
Marcos Roberto Alves, 40 anos, estava aguardando atendimento quando a água contaminada invadiu a unidade. "Ela entrava por uma das paredes internas e vinha com muita sujeira. O pior de tudo é que um dos funcionários me falou que a limpeza da tubulação foi pedida há dois anos."
Alves faz acompanhamento de saúde no local para controle da hipertensão, sofreu um acidente vascular cerebral (AVC) em 2005 e aguarda o encaminhamento para a consulta de retorno anual no Hospital das Clínicas de Botucatu. "Eu preciso da liberação do passe para a minha viagem e talvez seja necessário que eu passe por outra cirurgia lá, mas isso é providenciado pela unidade. A paralisação vai me prejudicar muito", afirma.
Consultas agendadas
O retorno das atividades na Unidade da Saúde da Família da Vila São Paulo está prevista para o dia 24 de janeiro. A partir da próxima segunda-feira, pacientes com consultas agendadas, além de gestantes, hipertensos e diabéticos, serão atendidos nas dependências do Projeto Colméia, que fica na rua Baltazar Batista, 3-74, Vila São Paulo.
Segundo a Prefeitura Municipal, agentes de saúde estão divulgando as alterações através de visitas nos domicílios dos pacientes cadastrados e na própria unidade do Programa Saúde da Família (PSF), que atende cerca de 12 mil pessoas de bairros como a Vila São Paulo, Jardim Ivone e Pousada da Esperança I e II.
A entrega de medicamentos, as inalações, os curativos, a aplicação de vacinas e demais atendimentos não serão realizados no prédio provisório.
Os pacientes cadastrados no PSF que necessitarem desses serviços devem procurar as Unidades Básicas de Saúde mais próximas ou o Pronto-Socorro Central em casos de urgência e emergência.
Segundo nota divulgada pela assessoria da Prefeitura Municipal, a limpeza e a descontaminação do prédio foram iniciadas na última quarta-feira. No entanto, informações da Secretaria de Saúde dão conta de que, caso volte a chover no final de semana, o vazamento de água deve persistir, pois as calhas continuam entupidas.
Problema poderia ter sido evitado
De acordo com Fernando Monti, titular da Secretaria Municipal de Saúde, o criadouro de pombos no prédio da Unidade de Saúde da Família da Vila São Paulo foi detectado há um ano. "Nós solicitamos a tomada de providência aos órgãos municipais, pois não contamos com uma equipe própria para isso na secretaria", explica.
Monti afirma que, institucionalmente, a Secretaria de Obras é responsável pela execução dos serviços de manutenção nos prédios das unidades básicas de Saúde. "Nós temos que compreender, no entanto, que a demanda de tarefas é muito grande. Não sei quais são as condições de trabalho deles e, até então, o problema não havia se manifestado de forma efetiva."
O secretário municipal de Obras, Eliseu Areco, confirmou que a manutenção de todos os prédios públicos municipais é de responsabilidade da secretaria.
"Realizamos todos os trabalhos preventivos programados durante o ano. No entanto, não temos como extrapolar a área de atuação do setor", observa. Segundo ele, o combate à proliferação de animais não compete à Secretaria de Obras.