11 de julho de 2026
Geral

Entrevista da semana:: Mara Lúcia Pereira Zapaterra: ?O amor bateu à porta e me trouxe a Bauru?

Ana Paula Pessoto
| Tempo de leitura: 8 min

A entrevista de hoje conta a história de Mara Zapaterra, uma mulher batalhadora que, com alegria no olhar, falou ao JC sobre sua história de amor com o marido Alberto e sobre sua trajetória profissional, começando ainda jovem, aos 21 anos, como uma das primeiras mulheres gerentes de banco da região. "Sou uma pessoa feliz e em parte devo isso à infância livre e maravilhosa que tive".

Nascida em Barretos, ela mudou-se a Bauru movida pelo amor. Sabe aquela história de que o amor verdadeiro bate à porta? Pois bem, Maria Lúcia garante que isso realmente acontece. Ao menos com ela aconteceu. "Depois de frequentarmos cidades comuns por algumas vezes, nos encontramos em São Carlos e ele literalmente bateu em minha porta para me conhecer", lembra.

Em Bauru, a então gerente de banco encontrou outra profissão no ramo de festas infantis. Dona do buffet Zapteen por nove anos, ela fez sucesso com as festas dos pequenos. Hoje, ainda trabalhando com eventos, ela é uma das proprietárias da "Elegance ? Locação de materiais para festas".

Leia os principais trechos da entrevista dela, que também é uma das decoradoras da Casinha do Papai Noel da Praça Portugal.


Jornal da Cidade - Quando crianças, temos passagens que marcam a vida toda, sejam boas ou ruins. Quais foram as suas?

Mara Lúcia Pereira Zapaterra- O que mais me marcou na infância foi a liberdade com que fui criada onde vivi. Vivi um tempo inesquecível na fazenda. Sou barretense de nascimento e depois fui morar em Uberlândia, Minas Gerais, e só mais tarde vim para Bauru. Então tive uma infância muito alegre. Brincava muito, vivia correndo pela fazenda...Minha família é muito grande. Minha mãe teve dez irmãos e meu pai seis, e todos éramos muito unidos, os primos todos. Passeávamos muito e minha mãe dava muita liberdade para eu ir à casa de meus amigos e parentes. Acho que por isso fui uma criança muito feliz.


JC - O que a trouxe a Bauru?

Mara - Vim para Bauru em 1989, aos 30 anos de idade. Vim porque me casei, já que meu noivo, hoje marido, trabalhava aqui. Mas gosto de dizer que sou bauruense de coração. Aliás, a nossa história é muito interessante.


JC - Onde tudo começou?

Mara - Foi assim. Eu conheci meu marido em São Carlos, onde eu trabalhava como gerente do banco auxiliar, inclusive morei em várias cidades por causa desse trabalho. Pois bem: ele também não era de São Carlos e alugou uma casa em frente à que eu morava e bateu na minha casa para me conhecer. Ele me via sair toda arrumada para trabalhar e isso chamou sua atenção. Mas o interessante é que nossos caminhos já vinham se cruzando há muito tempo. Eu nasci em Barretos e ele fez faculdade lá. Eu trabalhei em Catanduva, cidade em que ele nasceu e não o conheci lá. O engraçado é que a agência ficava a cerca de 300 metros da casa da mãe dele. Também trabalhei em Bauru em um mesmo período que ele e não nos encontramos. Isso aconteceu apenas em São Carlos, uma cidade que não tinha proximidade com nenhum dos dois. Ele bateu na minha porta e disse: "Eu vim aqui conhecer você".


JC - Acredita em destino?

Mara - Sabe aquela coisa de que o amor chega quando tem de chegar? Eu morava sozinha e havia acabado de sair de um relacionamento. Não gostava de sair de casa, cuidava- me muito e uma amiga vivia dizendo que assim eu iria ficar para titia. E o que aconteceu? Três meses depois que conheci o Alberto eu já estava praticamente casada e vindo para Bauru. E minha amiga, que era noiva há 10 anos, terminou o relacionamento. Então a vida tem certas surpresas e o amor bateu à minha porta (risos).


JC - Então foi o amor que trouxe você a Bauru?

Mara - Isso. Ele trabalhava em uma empresa de São José do Rio Preto e construía em vários lugares. Combinamos de morar naquela cidade e pedi minha transferência para lá. Porém, o patrão dele disse que ele voltaria a Bauru. Aí eu pedi minha transferência para cá, mas o banco disse que eu precisava trabalhar seis meses em São José do Rio Preto antes de uma nova transferência. Foi quando decidi pedir demissão e acompanhá-lo . Estamos juntos desde 1988 e temos um filho maravilhoso de 17 anos.


JC - Chegando a Bauru, qual foi o seu primeiro passo?

Mara - Eu fui trabalhar com meu marido na construtora. Um serviço que não me dizia nada. Eu fiz parte de um dos primeiros grupos de mulheres a serem treinadas para ocupar cargos de gerência de bancos. Fiz um treinamento de um ano em São Paulo. Fui a primeira mulher da minha região em Minas a ser gerente de banco. Havia apenas uma vaga e eu passei, aos 21 anos. Trabalhei em Presidente Prudente, Ribeirão Preto, São Carlos, Uberlândia, São Bernardo do Campo, vários bairros de São Paulo...Fui muito feliz naquela época, mas optei pelo amor (risos).


JC - Valeu a pena?

Mara - O amor sempre vale a pena. Ainda em São Carlos, comecei a faculdade de direito e a terminei em Bauru. Sou da turma de 1991, da ITE. O diploma foi um presente que dei a meu marido. Não cheguei a exercer a profissão, mas fiz a faculdade como uma bagagem cultural. Então trabalhei na construtora até engravidar, mas não era algo que eu gostava. Depois que tive meu filho, fiquei dois anos em casa até montar meu primeiro negócio de festas.


JC - E como surgiu a ideia de trabalhar com festas?

Mara - Foi meio na brincadeira. Eu e uma amiga estávamos procurando um lugar para fazer festa e passamos em frente a um lindo buffet que acabou não sendo inaugurado. Então falei para minha amiga que compraria o lugar apenas para fazer festas para meu filho. Não tinha dinheiro, não tinha nada, mas acabei comprado o buffet. A força do pensamento é algo que leva você a realizar todos os seus sonhos. Você é quem conduz a sua vida. Eu comprei o buffet Zapteen.


JC - Foi feliz trabalhando com festas infantis?

Mara - Fiquei nove anos trabalhando com o Zapteen. Foi um buffet que deu muito certo, fez muito secesso. Até hoje os clientes me ligam e perguntam quando é que eu vou voltar a trabalhar com buffet. Vendi pelo cansaço mesmo. Trabalhei demais sozinha. Até tive alguns sócios, mas é preciso ter dedicação total nesse tipo de trabalho. Também não tinha capital para melhorar o negócio. O buffet infantil também mudou, os brinquedos ficaram diferentes e eu não acredito nessa nova tendência. Gosto do corpo a corpo, dos monitores brincando com as crianças e do resgate das antigas brincadeiras em contato com a natureza.


JC - Tem planos de montar um buffet nesses moldes que descreveu?

Mara - Olha, gostaria de ter um lugar de festa onde as crianças possam brincar muito em contato com a natureza. Também não gosto dessa coisa de ter horário para festas de crianças. Quando você faz uma festa, o buffet precisa ser a extensão da sua casa. O pessoal tem pedido muito para que eu abra outro negócio. Sozinha eu não abriria porque tenho outros objetivos além do trabalho, mas se tivesse um sócio interessado, sim.


JC - Quais são esses objetivos?

Mara - Gosto muito de estudar filosofia e participo de uma escola filosófica. É uma escola onde você vai sendo treinada por meio de cursos. É preciso ser convidada para estudar e você vai evoluindo através do autoconhecimento. A vida não é só trabalho. Mudei bastante com esse curso. Primeiro que você trabalha melhor o seu interior e começa a deixar de ser egoísta. Neste processo, já começa a trabalhar para melhorar o mundo. Passamos a entender vários processos da criação através da filosofia, do estudo da vida. Outro objetivo que tenho é acompanhar meu filho nas viagens que ele vai fazer para prestar vestibular. Crescer profissionalmente também é um objetivo, mas com limites.


JC - E como surgiu a Elegance?

Mara - Fechei o buffet e fiquei um ano em férias. Conversando com uma amiga, ela disse que meu perfil não é de alguém que fica sem trabalho e me deu a ideia de tirar minha credencial para ser corretora de imóveis. Fiz em São José do Rio Preto e passei a ser credenciada. Às vezes me procuram para vender ou comprar alguma coisa e eu faço, mas não tenho vínculo com nenhuma imobiliária. Eu gosto é de trabalhar. Bom, aí a Patrícia, que é uma outra amiga, convidou-me para abrir a loja. Isso já há 4 anos e como eu gosto de festa e preciso estar em festas, entrei no empreendimento.


JC - Como funciona o trabalho de vocês?

Mara - É muito simples. As pessoas que vão fazer uma festa locam tudo aqui. Temos desde cadeiras, mesas, talheres, pratos, copos, toalhas...Só de toalhas temos oito mil peças. Alugamos para pessoa física, buffet... Não temos limite mínimo. Se a pessoa quiser alugar uma toalha, ela leva. E se pedir cem peças, também leva. Não fazemos diferença de nada. Por sinal, gostamos muito de trabalhar com pequenas locações, que são as que mantém nosso trabalho o ano inteiro.


JC - Você cita a influência de suas amigas durante a entrevista. Qual é a importância da amizade em sua vida?

Mara - A amizade é tudo. Sem amigos não somos nada. Ainda tenho minhas amigas de infância e de juventude. Acho que amigo não é aquele que cobra e exige sua presença. É uma relação leve. Há amigos para desabafar, sair, estudar, rir, chorar...Eu não viveria sem amizade. Quer me ver triste ou arrasada é quando magoo um amigo, mesmo que seja sem querer. Se todo mundo tem medos, um dos meus medos é perder meus amigos.


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Perfil

Nome: Mara Lúcia Pereira Zapaterra

53 anos

Local de Nascimento:Barretos/SP

Signo:Sagitário

Marido:Alberto

Filhos:Gustavo

Hobby:Leitura, música e natação

Livro de cabeceira:"Como vai a sua mente?", de Celso Charuri

Filme preferido:"Jesus de Nazaré"

Estilo musical predileto:Rock clássico, sertanejo de raiz e música clássica

Time:almeiras

Para quem dá nota 10:Para minha mãe

Para quem dá nota 0:Ninguém é totalmente bom ou ruim

E-mail:marazapaterra@uol.com.br