A presidente do Flamengo, Patrícia Amorim, anunciou ontem que conseguiu a liberação do Milan para contratar Ronaldinho. O acerto foi fechado no início da tarde no apartamento do vice-presidente do clube italiano, Adriano Galliani, no Leblon. Desde o início da tarde de ontem, o Flamengo negocia detalhes do contrato com representantes do atleta e espera apresentar Ronaldinho como reforço até terça-feira.
No final da reunião, que durou duas horas, Galliani disse que o clube carioca "tem 99,99%" de chance de contratar o meia, duas vezes o melhor do mundo da Fifa (em 2004 e em 2005). "Flamengo e Milan chegaram a um acordo sobre a transferência. Faltam dois ou três dias para acertar isso, faltam detalhes desse contrato", declarou Patrícia, na calçada do prédio onde o italiano vive quando está no Rio. O Flamengo aceitou pagar metade da multa de US$ 8 milhões (cerca de R$ 13,5 milhões) que o Milan exigia.
Ontem à noite, Roberto de Assis, irmão e agente do atleta, aceitou a oferta dos cariocas, mas só anunciará o acordo após revisar todas as cláusulas do contrato. Segundo foi acordado no encontro, Ronaldinho, 30, defenderá o Flamengo por três anos e meio e receberá uma premiação especial a cada título ou classificação do time para a Libertadores. O salário do jogador é mantido em sigilo, mas vai superar R$ 1 milhão por mês.
Na operação para contratar Ronaldinho, o Flamengo contará com dinheiro de dois patrocinadores (R$ 8 milhões de cada empresa), além de verba da Traffic. Parceira do Palmeiras, a empresa fará ações de marketing com a imagem do atleta. "Não é uma negociação tranquila, fácil, mas é importante que Flamengo e Milan chegaram a um acordo. Falta a conversa final com o jogador", disse Patrícia Amorim.
No início da tarde, Ronaldinho, que integrou a Seleção Brasileira campeã na Copa do Mundo de 2002, embarcou para Santa Catarina. Assis, que não se pronunciou, permaneceu no Rio. O Grêmio, à luz dos acontecimentos, convocou uma entrevista coletiva. Nela, o presidente Paulo Odone informou que seu clube desistia de Ronaldinho. Ele mostrou-se decepcionado com o meia, que há quatro dias havia dito preferir o Grêmio.
Depois, o atleta, em entrevista no Rio, voltou atrás e afirmou não ter preferência por Flamengo, Grêmio ou Palmeiras, outro no páreo. Roberto Tadeu, que representa o time paulista nas negociações, relutava em capitular. Dizia ter recebido mensagens de Assis prometendo uma conversa para breve.
Grêmio desiste de negociação e torcida protesta
O presidente do Grêmio, Paulo Odone, declarou na tarde de ontem que o clube se retirou das negociações para repatriar Ronaldinho. "Fizemos todos os sacrifícios possíveis, maiores até do que as possibilidades financeiras do clube, mas chegamos ao limite", disse Odone.
Segundo ele, as sucessivas solicitações de mudança no contrato feitas pelo agente e irmão do jogador, Assis, foram decisivas para a desistência do Grêmio. "Foram sete versões do contrato, todas pedidas unilateralmente e relacionadas a valores". O cartola avaliou que algumas alterações eram compreensíveis, dada a complexidade do documento, que envolvia direitos de imagem. "Estávamos dispostos a chegar ao máximo que poderíamos, pois o que imaginávamos comprar era uma emoção, um sentimento", declarou Odone. "Era pelo amor entre um jogador, seu clube e a torcida. Mas isso se transformou em um leilão, e os valores do mercado são altos demais."
A diretoria do Grêmio negociou com Assis, que, por sua vez, acertaria a saída do jogador do clube italiano. Ainda que a presidente do Flamengo, Patrícia Amorim, diga que o negócio não está definido, Odone se mostrou pouco disposto a voltar atrás e aceitar o retorno do craque, caso Assis prefira o contrato oferecido pelo Grêmio.
"Pode ser que no futuro, se Ronaldinho aparecer aqui dizendo que ama este clube, alguém tenha paciência para negociar com ele. Eu não". Cerca de cem torcedores que esperavam pelo desfecho da história em frente ao estádio Olímpico aplaudiram o presidente e xingaram Ronaldinho e Assis: "Ô Ronaldinho, vai se f..., o nosso Grêmio não precisa de você."