Rio - Um Fashion Rio mais enxuto, com 25 grifes no line-up principal, tem início amanhã, no Píer Mauá. Sem as grifes de moda praia, já que a temporada é de inverno, e após uma série de desistências, a promessa é de menos atrasos e de maior consistência e foco no lançamento de ideias para a moda brasileira - meta perseguida pelo coordenador, Paulo Borges, desde que ele aceitou acumular a semana carioca com a São Paulo Fashion Week, quatro edições atrás.
O tempo na cidade, que vinha fechado desde a virada no ano - quase frio, para o gosto local -, resolveu mudar para não alterar a tradição de quase uma década: meias e casacões invernais dentro das salas de desfile superrefrigeradas, e calor impiedoso do lado de fora.
"Estamos há quatro edições sem chuva, não sei se vamos conseguir outra...", brincava Borges na última quarta-feira. Ele arrumava as malas em Salvador, onde passara o réveillon com o filho, Henrique, preso ao telefone e ao e-mail por conta de decisões de última hora.
Mesmo antes de iniciada a maratona deste janeiro, ele já fazia um balanço de sua gestão até agora. "Estou sempre olhando adiante. O projeto já tem uma cara, um vigor criativo. Temos um line-up bem mais consistente", disse. "O inovador é que é o importante, a assinatura, o design. É isso que a gente fez na SPFW nesses 15 anos e quer implementar no Fashion Rio."
Graça Ottoni, fiel ao Fashion Rio desde o seu nascimento, desertou, e não revelou o motivo. "Resolvi mostrar a coleção de um outro jeito, mas ainda estou pensando como", contou Isabela Capeto, outra desistente, quinta-feira, em seu ateliê. Mara Mac, Claudia Simões, Tessuti, Cavendish e Juliana Jabour também estão fora. Carlos Tufvesson fechou seu ateliê.
Não se trata, entretanto, de um esvaziamento do Fashion Rio. As marcas que fazem a cabeça dos especialistas e dos consumidores - que têm o tal "DNA carioca" de que tanto se fala -, estão firmes: Maria Bonita Extra, Totem, Redley, Cantão. Aquisições recentes, como as mineiras Patachou e Printing e Andrea Marques também.
Visibiliade
Para a grife Coven, também de Minas Gerais, que participa do Fashion Rio desde 2003 (com interrupções), os ganhos são dois: o estímulo à própria criatividade na hora da criação e a visibilidade de suas roupas em nível nacional.
"A diferença maior é na nossa imagem, que sai fortalecida", conta a estilista Liliane Rebehy, que reconhece que estar na passarela a obriga a ousar mais. "A nossa participação faz com que o foco fique menos comercial."
A repercussão nas vendas é praticamente nula, observa Liliane. Já Marianna Arnizaut, estilista da New Order, única grife de acessórios, que vai para seu terceiro Fashion Rio, diz o contrário: o impacto nas vendas é imediato. Mais do que isso, ela ressalta, estar no Fashion Rio é chancela de qualidade.
Em seus calçados, bolsas, mochilas e cintos, a New Order está apostando na mistura de dois opostos: o militarismo e o universo do balé. Como? Pense numa bota com bico de sapatilha, ou numa sapatilha em forma de coturno - é por aí.
Enquanto isso, a Coven se inspira em Louise Bourgeois e em Chanel; Melk Z-Da, na ilha de Fernando de Noronha (pernambucana como o estilista), com seus mitos e cores intensas; a Têca, numa mistura do universo das lingeries com a cultura japonesa. A Redley, com novo diretor criativo, o nova-iorquino Sandy Dalal, mostrará uma coleção que é um "retorno à sua essência limpa". A Cantão, que tem Carol Trentini como modelo exclusiva, buscou em Nova York a artista Maya Hayuk, conhecida pelas obras multicoloridas. Ela assina uma estampa e intervém no cenário. O tema é a relação entre arte e espaço urbano.
A partida é dada por dez estilistas em começo de carreira, de São Paulo, Rio, Bahia. As luzes só se apagam sábado à noite.
Fashion Business
Rio - No meio de 2009, com a vinda de Paulo Borges para o Fashion Rio, em substituição a Eloysa Simão, o destino do Fashion Business, seu então braço de negócios, ficou nebuloso. A Federação das Indústrias do Rio, que realizava os dois eventos, ficou com o primeiro; o segundo, que continuou sendo organizado por Eloysa, passou a ser patrocinado pela Federação do Comércio do Rio.
À época, o Fashion Business já movimentava quase R$ 500 milhões em negócios, isto é, vendas de roupas e acessórios de expositores para lojistas de outros Estados e países. De lá para cá, só cresceu: na última edição, para 20 mil lojistas e 800 compradores, rendeu R$ 770 milhões.
"A maior e mais expressiva bolsa de negócios de moda da América Latina", como se anuncia, começa hoje, na Marina da Glória, que também abrigava o Fashion Rio. Os investimentos para sua montagem são altos: R$ 16 milhões. Esperam-se mil compradores.
A passarela do Fashion Business é, mais uma vez, estrelada: quem abre, hoje, são o internacional Carlos Miele e Patricia Viera, especialista em couro, no cenário glamouroso do hotel Copacabana Palace. À noite, tem Victor Dzenk no cinema Odeon.
Amanhã, Cavendish no Museu de Arte Moderna. Essas duas grifes são egressas do Fashion Rio (como Mara Mac e Santa Ephigênia). Os desfiles, 16 no total, vão até quinta. Como o Fashion Rio, tudo é fechado a convidados.
Para Miele, que traz a badalada modelo londrina Daisy Lowe para vestir sua coleção para pronta entrega (a de alta-costura fica para a semana de moda de Nova York), a escolha do Fashion Business é questão de foco: "A moda no Brasil é muito embrionária, mas sempre quis estar no meu país."