08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Missas constrangedoras


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Vimos por meio deste publicamente protestar e manifestar nosso repúdio acerca das atitudes impiedosas praticadas pelo excelentíssimo e reverendíssimo senhor bispo dom Caetano Ferrari, bispo da Diocese do Divino Espírito Santo da cidade de Bauru (SP). Os esclarecimentos prestados pelo mesmo nas "homilias" em missas realizadas na Paróquia do Beato José de Anchieta, na data do dia 26/12/2010, bem como em missa realizada na cidade de Pederneiras, na Paróquia de São Judas Tadeu, foram totalmente desagradáveis, constrangedoras e ofensivas. Pôde-se observar reações em meio à assembleia, pessoas que se retiravam da igreja, bem como algumas que abaixaram a cabeça e outras que choraram por vergonha ao ouvir uma autoridade da igreja falar, inferiorizando, menosprezando o trabalho da comunidade.

Sabemos que a homilia contempla momento de reflexão e explicação das leituras e do Evangelho, para uma melhor compreensão dos fiéis, da palavra proclamada. Assim como inicio o senhor bispo: "... a gente não pode deixar de falar da Palavra de Deus que ouvimos. A Palavra de Deus é mais importante do que a fala do bispo e de qualquer outra pessoa, porque é a Palavra de Deus que nós ouvimos na leitura de hoje". Portanto, o mesmo utilizou-se desse momento para expor opiniões, julgamentos e comentários inadequados que não têm o poder de salvar.

Como cristãos católicos sabemos que o celebrante, o representante de Deus, não deve utilizar de sua autoridade divina que lhe foi confiada para doutrinar em problemas alheios que não condizem ao momento, denegrindo a imagem de sacerdotes e paróquias, julgando posturas de atuação.

Notoriamente, tratou-se de uma questão ética. Tal atitude demonstrou total ausência de ética vez que, desejando aproveitar-se da situação para defender seus próprios interesses, a Igreja Católica representada na pessoa do senhor bispo decide menosprezar o trabalho do seu próprio sacerdote, atitudes estas que ferem o direito de imagem resguardado pela Constituição Federal ou ofensas à moral, boa-fé ou dignidade da vítima, podendo ainda causar consequências irreparáveis à vida pessoal do mesmo, bem como da comunidade evidenciada incluindo a repercussão do dano e todos os demais problemas gerados reflexamente por este, situação esta que acaba por acarretar abalos emocionais significativos às pessoas e até mesmo por não ser respeitada a dignidade e a capacidade de trabalho acabam, muitas vezes, levando as pessoas ao abandono da igreja e também por parte de nossos sacerdotes a desistência da ordem sacerdotal por falta de apoio. Como católicos, acreditamos que os princípios éticos são norteadores de conduta. Portanto, para cumprirem sua missão com êxito, devemos antes buscar adequação aos fatos, vez que esses antecedem os princípios, devendo, os mesmos, serem flexionados com o intuito de não perder seu objetivo: proteger a dignidade da pessoa humana.

A princípio deveria se estimular, apoiar e valorizar mais o trabalho dos sacerdotes e leigos e conhecer verdadeiramente o trabalho em suas paróquias e comunidades no seu dia a dia, acompanhar mais de perto essas comunidades e o seu trabalho, dificuldades e facilidades na própria comunidade com os seus administradores, coordenadores e facilitadores sem a exposição de assuntos que dizem respeito a uma comunidade. Informações vazadas a um público que desconhece os fatos trazem sérios danos e constrangimentos às pessoas que trabalham com muita seriedade e amor a Deus. Gostaria de ressaltar ao contrário do que disse senhor bispo.

O nosso ex-pároco, pe. André Luiz Corrêa, administrou nossa paróquia (falando em paróquia, destaco em particular a do Beato José de Anchieta, que discordamos da sua fala, senhor bispo, quando se refere que nós não temos uma matriz, pois se assim fosse não estaríamos aqui trabalhando, servindo... Sabemos que precisamos nos estruturar, mas engana-se o senhor em dizer que não temos bases estabelecidas: o que são as pastorais, os movimentos, um nada?, na sua visão) com muita garra, responsabilidade, dedicou-se inteiramente a serviço da igreja, uma missão de muito amor, fidelidade, doação total, renúncia, prontidão. E através das mãos do padre André Deus derramou muitas bênçãos em nosso meio. E onde estiver evangelizando, pe. André, saiba que suas homilias jamais foram longas e cansativas e sim fontes de luz, sabedoria, permitia abertura de nossos corações a Deus, pois tem o dom da palavra e a proclama com muita sabedoria e espiritualidade. O senhor bispo deixou levar-se por fofocas e isto ficou em evidência quando mencionou em sua fatídica homilia: "Às vezes ouvi dizer que ele (padre André) faz as celebrações um pouco compridas e que demora mais que o sr. bispo". Quem disse? Existem nomes? Agradecemos a Deus por ter nos enviado alguém tão carismático, atencioso e paciente. Padre este que chegou com muita disposição em meio a tantas dificuldades que a paróquia já apresentava, sempre esteve disposto a ajudar e ensinar. Temos certeza que a sua passagem por nós não foi por acaso, muitos paroquianos vão ser veículos de propagação deste exemplo e energia positiva que nos deixou. Torna-se um equívoco muito grande e uma falta de conhecimento de vossa parte e de outros que o padre André tenha sido incompetente, como o senhor procurou deixar bem claro em todo o momento na sua homilia da posse do pe. André e do pe. Rosinaldo.

O cristão verdadeiro deve se indignar, sim, porque a nossa missão é construir um mundo melhor. Esperamos mais humildade, respeito, sinceridade, amor, união, paz por parte de nossas autoridades religiosas, enfim, tudo aquilo que nos mostra que a religião católica deve seguir, pois não seria uma atitude cristã ficarmos calados diante desses acontecimentos, foi lamentável!... Triste!... Inacreditável! Difícil de engolir. A crítica nos ensina a melhorar-nos como pessoa, a refletirmos quanto aos nossos atos, ações e quem não aceita crítica não é apto a estar à frente de um empreendimento, tão pouco a conduzir um rebanho.


Natalina Bassetto