Detroit - Com resultado de vendas apontando para uma recuperação mais consistente, ainda que distante dos anos áureos, os EUA abrem nesta semana as portas do Salão Internacional do Automóvel, um dos mais importantes eventos do setor automobilístico mundial.
Realizado em Detroit, cidade berço da indústria automobilística, o evento pretende mostrar que a indústria americana superou sua pior crise. Em 2009 - quando General Motors e Chrysler, dois ícones do setor quase foram à falência -, o mercado consumiu 10,4 milhões de veículos, o mais baixo volume em 27 anos.
No ano que terminou, foram vendidos 11,6 milhões de veículos, selando o primeiro registro de crescimento desde 2005. Para 2011, as projeções apontam para cerca de 13 milhões de unidades, voltando assim aos patamares de 2008.
Para o presidente da General Motors América do Sul, Jaime Ardila, que é membro do comitê mundial da GM, a retomada da economia local vai enfrentar algumas barreiras, como a alta do petróleo e das commodities, a situação frágil da Europa, que pode respingar em diversas economias globais e até mesmo uma desaceleração da economia chinesa. Na área automotiva, Ardila ressalta que "o mundo mudou e as empresas precisam ser mais responsáveis em relação a custos e economia de combustível".
O evento reúne as principais montadoras que apresentam entre 30 e 40 lançamentos, entre modelos que serão produzidos em diversas partes do mundo e os chamados carros conceito, que trazem as tendências em tecnologia e design para modelos futuros. Ao todo, serão mais de 700 carros em exposição, segundo os organizadores.
O número de lançamentos é inferior ao de anos passados, quando chegaram a ser mostradas 60 novidades.
Carros verde
Elétricos e híbridos estão presentes em volume significativo, mas as montadoras também mostram carrões com motor a propulsão mais eficientes que os anteriores. A GM aproveita a presença de jornalistas do mundo todo para fazer uma apresentação detalhada sobre o Volt, o elétrico da marca que começou a ser vendido no fim de 2010.
A companhia que no ano passado voltou a ser cotada na Bolsa de Valores, diminuindo as ações em poder do governo, também mostra o compacto Cruze e, para manter a tradição, a picape conceito Sierra All Terrain HD, com 5,8 metros de comprimento e 2 metros de altura.
A Ford traz a terceira geração do Focus, a minivan C-Max e o novo Mustang GT. A Chrysler, agora associada à Fiat, terá a presença do minicarro 500 com motor 10% mais econômico que o antecessor.
Apenas uma marca chinesa está no evento este ano, a BYD, que apresenta o utilitário híbrido S6DM e dois carros elétricos, um deles o e6 Premier.
A Porsche voltou ao evento após três anos de ausência e promete um lançamento mundial, ainda mantido em segredo. Continuam ausentes Nissan, Suzuki, Land Rover e Ferrari. A Volkswagen traz o sedã NMS, substituto do Passat na América do Norte e a Mercedes-Benz a reestilização do Classe C e o Classe C Coupé. A Hyundai mostra o Veloster e o Curb e a Kia o KV7, minivan derivada do Soul.
Hoje e amhã, o Salão de Detroit (ou Naias, como é chamado nos EUA) está aberto apenas à imprensa. O público terá acesso a partir de sábado até o dia 23.