08 de julho de 2026
Nacional

Dilma precisa ?recuperar? o PMDB


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Brasília - A presidente Dilma Rousseff tem até o final desta semana para recuperar a confiança do PMDB e tentar evitar tumulto na sucessão da Câmara dos Deputados, pois crescem as possibilidades de sucesso de candidaturas dissidentes ao candidato oficial da base aliada, o petista Marco Maia (RS).

Líderes do PMDB dizem que estão sendo "assediados" por pelo menos três pré-candidatos: o líder do PR Sandro Mabel (GO) e os deputados Aldo Rebelo (SP) e Júlio Delgado (MG), ambos do PSB.

As nomeações no segundo escalão estão suspensas até o dia 1 de fevereiro, quando serão eleitos os presidentes das duas Casas do Congresso. O que o PMDB quer, e já, é evitar a repetição do que ocorreu na montagem do primeiro, quando os peemedebistas viram sua cota de poder minguar e o PT ganhar força com um placar de 17 ministérios contra seis, entre os quais duas pastas que comandara no governo Lula: Saúde e Comunicações.

O partido espera ter uma sinalização positiva da presidente ainda nesta segunda, na reunião da coordenação política do governo. Os peemedebistas querem que Dilma que lhes dê a garantia de que irão manter o comando de estatais estratégicas, sobretudo as do setor elétrico vinculadas ao ministério de Minas e Energia comandado pelo senador Edison Lobão (PMDB-MA).

A desconfiança e as insatisfações dos partidos governistas com o quinhão de poder que lhes coube no primeiro escalão são os principais combustíveis que alimentam as dissidências na Câmara. A alternativa que os peemedebistas consideram mais forte hoje é a do deputado Sandro Mabel, que já fala como candidato. "Todos dizem que o presidente da Câmara fala bem com os jornalistas. Então, vamos conversar", brincou ele ontem, quando atendeu ao telefonema da reportagem.

O deputado diz que está conversando e tem muitas amizades na Casa, mas que só oficializará seu nome "se continuar a insatisfação existente hoje nos partidos da base", incluindo aí seu PR. A estratégia dos insatisfeitos é multiplicar as candidaturas para levar a disputa ao segundo turno, com Maia.

O líder do PR já tem até discurso para fazer frente ao petista Marco Maia. Ele tenta se consolidar como opção da bancada de empresários, que soma quase metade dos 513 deputados, mostrando que a opção por Maia significaria o fortalecimento da agenda sindical no Congresso, a começar pela redução da jornada de trabalho das atuais 44 horas para 40 horas semanais. Enquanto Mabel é empresário e tem a experiência de três mandatos, Maia, iniciando o segundo mandato, tem origem no movimento sindical. Tal como o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, era metalúrgico e faz campanha com o apoio de movimentos sociais.

Ao menos por enquanto, os partidos de oposição não pretendem entrar na briga dos governistas. Como PSDB e DEM somam apenas 100 deputados, os líderes avaliam que não têm força suficiente para virar o resultado e o pôr em risco as vagas que a regra da proporcionalidade lhes garante no comando da Casa e das comissões técnicas. "Não temos muita capacidade para nos mexer", admite o presidente do DEM, deputado Rodrigo Maia (RJ), para concluir: "Se tiver quatro ou cinco candidatos é por incompetência do governo e do PT".

Para consolo da presidente Dilma, o cenário da sucessão no Senado não traz nenhuma preocupação ao Palácio do Planalto. Afinal, depois de insistir em várias ocasiões que não seria candidato, o atual presidente José Sarney (PMDB-AP) trabalhou bem nos bastidores e hoje é o único nome colocado à sua própria sucessão. Deverá presidir o Senado pela quarta vez.